BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Criação e Evolução (5)

Na quarta parte deste tema Criação e Evolução (4) já postada, falamos de mais alguns trechos da Bíblia e que eles precisam ser interpretados com muito cuidado levando em conta diversos fatores.

Agora chegou a hora de trabalharmos uma pergunta: Deus não poderia ter escolhido criar pela evolução? Isto o faz menos criador?

Ora, se dissermos por exemplo que quando Deus cria o início de tudo, Ele já cria também as condições necessárias para que tudo possa evoluir, estaríamos dizendo alguma blasfêmia? Não pode ser uma solução de complementação entre Criação e Evolução?

Ora, dizer que Deus é o Criador de todos os seres (o que é uma verdade incontestável da fé) não precisa "obrigar" que esta criação seja direta. Vamos a um exemplo simples citando Gn 1,10. 
  • "Deus disse: 'Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente.' E assim foi feito."
Ora, a Palavra de Deus menciona aqui claramente a criação de um processo que as plantas fariam para continuar, através dos tempos, gerando novas plantas (planta - fruto - semente - nova planta). Mais tarde, no mesmo capítulo, vemos o famoso "crescei e multiplicai-vos" dito aos animais e também ao homem e a mulher. Trata-se novamente de um processo criado por Deus.

É claro que aqui estamos falando de novos seres gerados a partir de outros de mesma espécie. Mas seria tão complicado estender a possibilidade (vejam bem, estou dizendo possibilidade!) para a evolução, onde uma nova espécie poderia surgir a partir de uma modificação genética da espécie anterior? Se no momento inicial de criação (quando antes nada existia) também tiverem sido criadas as condições e processos necessários para que tal acontecesse, qual seria o problema? Não seria também Deus o criador de tudo?

Sei que o que vou falar agora não comprova nada, mas já repararam que a primeira narrativa coloca uma ordem de criação do menos evoluído para o mais evoluído? Vamos nos limitar em falar dos seres vivos: plantas (v11), animais marinhos e aves (v20), animais terrestres (v24) e o ser humano (v26).

É claro que temos aqui alguns pontos que precisam ser resguardados para podermos considerar esta complementariedade entre criação e evolução:
  1. A criação da matéria inicial e de toda a capacidade e condições de evolução que essa matéria inicialmente criada teve é devida a Deus diretamente. E isso a Teoria da Evolução não conseguiria desmentir, pois ela não trata do início de tudo, mas do processo como tudo foi acontecendo.
  2. Particularmente, há 2 eventos nesse processo que também são únicos e claramente realizados por Deus: o surgimento da vida e o surgimento de um ser racional (humano).
  • A vida é um dom de Deus e que jamais conseguiu ser repetido pelo ser humano. Mesmo com várias sequências genéticas já decifradas pela Ciência, o Homem não conseguiu criar vida a partir de  materiais não vivos. Penso que em um determinado momento em que a vida seria possível, em que uma estrutura molecular mínima poderia suportá-la, Deus infundiu a vida e, a partir daí, a evolução atuou a partir das condições e capacidades inerentes a esta estrutura. Lembremos que, segundo a doutrina católica, todos os seres vivos possuem alma e esta não é física em si, embora esta com o corpo forme um só ser. A inserção da alma (do princípio vital) seria ação direta de Deus.
  • O surgimento de um ser racional também apresenta um momento de ação direta de Deus. O ser humano possui uma alma espiritual, diferentemente dos demais seres vivos. É esta alma espiritual que também o faz imagem e semelhança de Deus. Quando surgiu um ser com capacidade e estrutura suficientes para ter uma alma espiritual, Deus a infundiu neste ser e este foi o primeiro ser humano (Gn 2,7 - o sopro de vida nas narinas do homem). A partir daí, a cada ser humano que é concebido, Deus cria a sua alma e a infunde no momento da concepção.
Como criador das possibilidades e capacidades dos seres para que evoluíssem, não há aqui um abandono de Deus, mas sim uma criação contínua. Presenciamos uma criação em processo, uma criação em evolução.

Como eu disse logo nas primeiras postagens, muitos aspectos da teoria da evolução ainda são conjecturas, mas uma coisa é certa: com um estudo científico sério e limitado ao seu campo de verificação e testes, não há como excluir a ação criadora de Deus pois a ciência não possui métodos e processos que possam extrapolar fora das coisas criadas. E Deus transcende (não está contido em) este mundo.

Por outro lado, a fé também tem a possibilidade de avançar à medida que surgem progressos na investigação científica. Se Deus fez do homem um ser racional, capaz de investigar a criação e de "criar" (a partir da matéria já criada), a ciência não é algo indesejável em si.

Basta que haja uma discussão saudável entre fé e ciência. Ambas buscam a verdade e a verdade é única. Cada uma em seu campo e se complementando (sem se misturar), poderemos avançar.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Criação e Evolução (4)

Na terceira parte deste tema Criação e Evolução (3) já postada, vimos que o objetivo das Sagradas Escrituras não é dar uma aula de ciências e, portanto, não é no sentido literal que está o que Deus quer nos afirmar, embora tenha se utilizado da linguagem humana dos hagiógrafos (pessoas que escreveram sob a ação do Espírito Santo). A linguagem (incluindo aí também o estilo de escrita) é um meio para expressar algo (ou alguém) que transcende (ultrapassa) a própria linguagem, o próprio Homem, todo o universo.

Portanto, a interpretação das Sagradas Escrituras não deve ser realizada somente pelo sentido literal, mas ir além do mesmo, observando o estilo literário, a época da escrita, a época narrada, os aspectos culturais e também a importantíssima unidade da Sagrada Escritura como um todo.

Neste trabalho de estudo profundo da Bíblia, a Igreja tem se dedicado desde sua instituição por Jesus. Lembremo-nos que muitas vezes o próprio Jesus se sentou com a Igreja embrionária (os apóstolos) e lhes explicou as escrituras do primeiro (ou antigo) testamento, mostrando-lhes que o sentido das mesmas apontavam sempre para a vinda d'Ele, o Messias, o Salvador entre nós. A ponto de João escrever no início de sua narrativa do Evangelho de Jesus um texto que remete também ao início do livro do Gênesis, fazendo um paralelo entre a antiga e a nova criação:

  • "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." (Jo 1,1-3)
  • "No princípio, Deus criou os céus e a terra" (Gn 1,1)

Lembram que na primeira narrativa da Criação no Gênesis Deus cria pela sua Palavra? A Palavra aqui é mais que um simples vocábulo, que um conjunto de letras. É a própria essência criativa e organizadora de Deus, a capacidade de organizar o caos, de ordenar o que é desordenado. Indo além, também demonstra a capacidade de comunicação, de organizar pensamentos, raciocínios, idéias que podem ser comunicadas.

  • "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1,14)

Ora, é muito fácil intuir de quem João está falando aqui: o Verbo (a Palavra - o Logos) é o próprio Deus (Jo 1,1) e se encarnou como um ser humano - Jesus. Em Jesus podemos ver a harmonia da criação. Ele é a expressão do que humanamente nós deveríamos e fomos capacitados a ser: imagem e semelhança de Deus.

A nossa "imagem e semelhança" está longe de querer designar questões físicas ou mesmo uma igualdade total e absoluta. Mas é nítido que o ser humano tem capacidades que nenhum outro animal possui, entre elas a inteligência racional (criatividade, capacidade de ordenar, de organizar pensamentos, de comunicar-se...) Percebem aqui um aspecto da imagem e semelhança, evidentemente limitadas se comparadas a Deus?

Bom, depois de mais estas considerações sobre o sentido literal e o que o texto tem como objetivo expressar, pergunto: se a criação de tudo (criaturas sem vida, plantas, animais irracionais, seres humanos) não tiver sido num mesmo momento ou não tiver sido em 6 dias, as Escrituras deixam de ser verdadeiras? De outra forma, considerar que Deus é o criador de tudo o que existe invalida totalmente a teoria da evolução das espécies?

A pergunta que será tratada na próxima postagem: Deus não poderia ter escolhido criar pela evolução? Isto o faz menos criador?
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Criação e Evolução (3)

Na segunda parte deste tema Criação e Evolução (2) já postada, foi visto que os 2 conceitos não estão em oposição, mas falam de duas coisas distintas. O problema começa a acontecer quando a Ciência começa a querer definir questões que fogem do seu ambiente experimental/físico ou quando a Religião quer fazer aplicações científicas a partir da Revelação Divina.

Para início de conversa, já podemos ver que a Palavra de Deus narra a Criação de duas formas distintas: Gn 1,1-2,4a x Gn 2,4b-25. São relatos escritos em épocas distintas, em situações distintas e de tradições distintas. Vejamos algumas diferenças: 
  • Narrativa 1: o Homem e a mulher são os últimos a serem criados.
  • Narrativa 2: o Homem é criado antes das plantas e dos demais animais e, por fim, a mulher é feita a partir da costela do Homem.

  • Narrativa 1: Deus cria todas as coisas pela Sua Palavra (Faça-se... Façamos...) 
  • Narrativa 2: Deus cria o Homem e os animais a partir da terra, como ou Oleiro que trabalha o barro.
Só por aí, já temos dificuldade de colocar o texto bíblico como verdade científica "ao pé da letra". Mas é aí que entra a necessidade de um estudo da Bíblia levando em conta o contexto histórico, o gênero literário, o intuito principal do texto, etc. 
    Ora, em ambos os textos, a verdade fundamental a ser verificada é que Deus é o Criador de todas as coisas. A forma como o texto quer dizer isto e outras verdades de fé contidas é que varia.
    Existem outras verdades fundamentais que podemos ver aqui: 
    • Condenação da astrologia, tendo em vista que Deus criou os astros (sol, lua, estrelas...) e, portanto, são apenas criaturas e não controladores do nosso destino.
    • Na primeira narrativa, Deus cria homem e mulher, ou seja, em igualdade de dignidade: ambos imagem e semelhança de Deus. Na segunda narrativa, a mulher é feita da costela do homem, ou seja, da mesma matéria. Além disso, não é tirada nem do pé nem da cabeça, ou seja, nem como dominante nem como dominada. É alguém que está ao lado (costela) e que é uma ajuda adequada. Mais uma vez a idéia de igual dignidade.
    Ora, o texto não tem portanto a pretensão científica de mostrar exatamente (literalmente) como aconteceu, mas em uma coisa ele é claríssimo: Deus criou tudo a partir do nada: "No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gn 1,1).
    Na próxima postagem trataremos de como a evolução entra em harmonia a partir daqui.

    sábado, 10 de dezembro de 2011

    Criação e Evolução (2)

    Na primeira parte deste tema Criação e Evolução (1) já postada anteriormente, enfatizei a base do que iremos tratar agora: Ciência e Religião tem objetivos complementares e não contrários. Têm métodos distintos, mas não contrapostos.

    Assim, já podemos assinalar uma distinção clara entre Criação e Evolução:
    - Quando vemos a narrativa da criação em Gênesis estamos diante de uma busca das origens, mas não no intuito de definir cientificamente e com precisão o que e como ocorreu. O objetivo principal ali é transmitir verdades essenciais da fé como o sentido de tudo o que existe e também que tudo teve um início por obra de alguém que não teve início (No princípio, Deus criou os céus e a terra - Gn 1,1).
    - Quando falamos de Evolução (seja pela corrente científica que for), tentamos falar da forma como os seres foram evoluindo a partir de formas mais simples até as que conhecemos hoje. Existem muitas correntes dentro do Evolucionismo (algumas até que não são totalmente concordantes com todos os pensamentos de Darwin), mas todas falam de evolução a partir de algo anterior, ou seja, que já existia fisicamente. Ora, esta teoria não discute a criação, ou seja, o início de tudo. Ela discute como evoluiu a partir de toda a matéria já existente (criada).

    A partir daqui já vemos um pouco da complementariedade de ambas e não oposição.

    Cabe também salientar que o Evolucionismo é uma conjectura, não um fato cientificamente comprovado. Entretanto, é possível, viável e na sua essência não pode se opor às verdades de fé já reveladas - a não ser que tente sair do campo da ciência para o campo filosófico ou religioso, o que já seria uma incoerência pois estaria saltando de um objetivo e métodos que não podem ser usados para falar de realidades além da matéria. Neste caso, de realidades além do que foi criado, do que está submetido a leis físicas, químicas e biológicas. Realidades espirituais não se comprovam com métodos puramente científicos.

    Não digo aqui que a ciência seja inútil para a fé. Ela nos ajuda a compreender melhor o que vemos ao nosso redor e isso pode nos aproximar mais da fé em um Deus criador que tudo criou por amor e com inteligência. Só não pode fazer afirmações fora da sua área.

    O que existia antes do início dos tempos, de todo o universo físico criado, não está sujeito às leis da física, da ciência.

    Na próxima postagem entrarei um pouco mais a fundo nas verdades apresentadas no início do Gênesis e fazendo um paralelo com o Evolucionismo.
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    sábado, 23 de abril de 2011

    A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

    Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

    A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

    "2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

    Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

    Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

    É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

    Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

    Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

    Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

    "A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

    Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

    Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

    VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
    HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
    VERDADE: Abrace-me logo.
    HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

    Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
    Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

    Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

    Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

    Texto e Direção: Wilde Fabio
    Coreógrafo: Domingos Savio
    Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
    Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

    O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


    O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


    O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


    O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


    Até a próxima postagem!!

    A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto?

    Sábado passado (véspera do Domingo de Ramos e da Paixão), conversando com meu amigo e irmão de Comunidade Carlos Francisco, ele me falou de algo que eu não sabia. Ele havia acessado o site do Padre Paulo Ricardo (http://padrepauloricardo.org/) que é uma excelente fonte de informações e reflexões. Lá existem vários vídeos e áudios com palestras muito boas. Eu diria excelentes para formação.

    Bom, o Carlos acessou um áudio sobre o Domingo de Ramos e da Paixão (http://padrepauloricardo.org/audio/36-testemunho-de-fe-domingo-de-ramos-e-da-paixao-do-senhor-17042011/) que faz uma referência ao segundo volume do livro "Jesus de Nazaré", escrito pelo Papa Bento XVI mas ainda não disponível em português. Eu vou fazer alguns comentários, mas nada substitui esta verdadeira catequese em áudio (link acima) e, certamente, também espero que este volume do livro de Bento XVI esteja logo disponível em nossa língua.

    A questão que chamou a atenção ao Carlos e que também me pegou de surpresa é sobre a estranha controvérsia: o povo acolhe Jesus entrando em Jerusalém, aclamando-o como rei - "Hosana ao filho de Davi" - com ramos e colocando seus mantos para que Jesus passasse num jumentinho. Entretanto, pouco tempo depois, o povo grita "crucifica-o!". Ora, as situações não são tão distantes no tempo... O que teria acontecido?

    A questão fica mais clara quando vemos o trecho Mt 21,8-11:
    "8. Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada. 9. E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus! 10. Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este? 11. A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia."

    Contextualizando, era perto da festa da Páscoa. Neste tempo, todos os Judeus peregrinavam a Jerusalém para a festa. A cidade começava a ficar cheia de peregrinos de outras regiões. O povo que clamava "Hosana ao filho de Davi" era o povo peregrino, não o povo de Jerusalém. Neste momento, Jesus era um desses peregrinos, tendo em vista que ele era da Galiléia, viveu aos arredores do Lago de Tiberíades, de Cafarnaum - não era de Jerusalém! Ele ainda não tinha entrado em Jerusalém nessa sua última viagem.

    Ao entrar em Jerusalém. ocorre o que está nos versículos 10 e 11. A multidão se alvoroça e pergunta "Quem é este". Os moradores não o conheciam - ela se agita ou melhor ainda, ela se perturba!

    Jerusalém não estava preparada para receber a mensagem de Jesus, que fala de igualdade, que fala de humildade, que fala de perdão, que fala de re-inserir os marginalizados pela sociedade, que não aceita o comércio em que o templo se tornou... A entrada de Jesus na cidade agita quem estava acomodado e que queria continuar acomodado! Segundo o Padre Paulo Ricardo, a palavra utilizada para este alvoroço é a mesma usada para a agitação de um terremoto.

    Logo, a multidão que grita "crucifica-o" não é a mesma multidão que grita "Hosana" e o aclamou com ramos. O Padre Paulo Ricardo fala inclusive que inúmeras vezes ele mesmo pregou (antes de ler este livro) falando justamente o oposto: "Como o mesmo povo que o aclamou pôde querer crucificá-lo..."

    Mas na realidade, o foco da pregação é: Será que estamos preparados para sermos perturbados por Deus em nosso mundinho, para sentir esse terremoto? Ou queremos continuar acomodados e, em alguns casos, até gostaríamos que a voz de Deus pudesse ser eliminada?

    Para não ficar muito longo, continuo na postagem seguinte a reflexão sobre esta perturbação que Deus causa em nós, ligando com uma peça apresentada pela Comunidade Shalom "O Canto das Írias". É só acessar o seguinte link: (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/bom-na-postagem-anterior-httpanjobarro.html)

    domingo, 13 de março de 2011

    Formação religiosa contínua: uma necessidade!!

    Eu estava passeando na internet (ou navegando, ou surfando... o importante é estar em movimento e não parado) e encontrei o site do Padre Zezinho (http://www.padrezezinhoscj.com).
    Lá, logo na página de entrada, estava um link para um artigo dele que simplesmente resume um pouco de tudo o que eu gostaria de falar sobre a necessidade de formação:
    (http://www.padrezezinhoscj.com/novosite/palavra.php?id=163)

    Transcrevo aqui um trecho:
    "Pergunte a um católico devidamente instruído na fé e ele saberá responder porque ora, a quem ora, como ora e porque celebra algum dogma ou acontecimento. Os que leem menos sabem menos. Mas está tudo lá nos livros oficiais da Igreja. Creio e sei porque creio, celebro e sei o que celebro."

    Eis o cerne de porque alguns católicos (preferi usar a palavra alguns em vez de muitos, por questão de otimismo) parecem esmorecer em sua caminhada, deixam de frequentar sua Paróquia ou até "mudam" de religião: Estes ouviram falar de Jesus, ouviram falar da Igreja Católica, ouve chamarem Maria de Nossa Senhora, querem ir para o céu mas, no fundo, não tem verdadeira compreensão de tudo isto.

    Se lembrarmos dos apóstolos, que passaram 3 anos com Jesus, e que possuiam ainda tantas dúvidas...
    Se lembrarmos dos primeiros Padres da Igreja (época da Patrística) que discutiram acerca de pontos fundamentais da fé...
    Se lembrarmos de tantos concílios já houve na Igreja até o mais recente Concílio Vaticano II, onde vários assuntos foram discutidos à luz da fé...
    Se considerarmos a quantidade de documentos que a Igreja já escreveu, incluindo o seu Catecismo...
    Pergunto: Porque achamos que, como fiéis católicos, não precisamos estudar e aprofundar mais nossa fé!?? Somos tão auto-suficientes que podemos discernir sozinhos nossa fé ou somente com o que aprendemos nas aulas de catequese para a primeira comunhão lááááááá´na nossa infância? Quantas vezes fomos abordados por pessoas de outras religiões (ou de religião nenhuma) acerca de pontos de nossa fé e simplesmente, por não sabermos exatamente a explicação, acabamos dando razão a elas?

    Tudo que a Igreja tem em sua doutrina tem uma explicação e está definido em algum documento escrito pela Igreja. E tudo, de alguma forma, está conectado à Palavra de Deus. O problema é que, muitas vezes, um tema puxa outro assunto como base, que puxa outro... e isso dá trabalho. E trabalho ninguém quer, mas entrar no paraíso, ahhh, todo mundo quer!!! (lembrei dessa música abaixo)

    Busquemos uma melhor formação (falo isso para todos: cristãos e não-cristãos) para saber exatamente o que estamos professando e por que estamos professando. Falo aqui por mim mesmo: de tudo que já aprendi e procurei nos ensinamentos da Igreja, sempre encontrei explicação para os itens de sua doutrina. Por favor, não estou excluindo o valor fundamental da oração, mas a formação é fundamental também pois não podemos ter uma fé apenas embrionária: Fé e Razão devem ser parceiras e andar lado a lado.

    A Comunidade Filhos da Redenção, da qual participo, possui um blog que contém alguns materiais de formação interessantes, além de alguns documentos da Igreja: http://filhosdaredencao.blogspot.com/

    Visitem e coloquem em seus favoritos.

    Um abraço a todos e vamos crescer!!!

    sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

    A Palavra ou a Voz?

    Ao ver as leituras da liturgia deste último dia do ano de 2010, participei de uma partilha que acontece por e-mail e, como se trata justamente de um tema sobre o qual eu já estava pensando em escrever, transcrevo meu comentário aqui. Espero que seja útil!
    As leituras do dia são 1Jo 2,18-21 / Sal 96,1-2.11-13 / Jo 1,1-18.

    A Palavra (o Verbo) se fez carne e habitou entre nós! (Jo1,14)

    Mais à frente, neste Livro do Evangelho segundo S. João, João Batista se reconhece como a voz que clama no deserto.
    Em Jo 1,8, o Evangelista afirma que João Batista "não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz".

    Eis uma sutil, porém fundamental diferença, entre ser o Verbo (a Palavra) de Deus e ser a voz:

    A Palavra é o conteúdo, a mensagem em si, o que se deseja transmitir. Num contexto mais amplo, é a origem e causa de toda ação (inclusive na criação narrada em Gn 1).

    Interessante que aqui, não necessariamente estamos falando de palavra no sentido de um conjunto de fonemas ou de letras. Isso já seria um código (prova disso é que dependeria do idioma) que tenta traduzir para cada um de nós o significado do conteúdo que se desejou transmitir (este independeria do idioma).

    É por isso (por exemplo) que o correto é terminar a leitura do Evangelho na Missa com "Palavra da Salvação" e não "Palavras da Salvação" (como infelizmente alguns teimam em fazer). A Palavra (o conteúdo a ser transmitido) é o próprio Jesus, a Salvação que veio nos trazer e, por definição, é somente uma. Mesmo sendo expressa por várias palavras (fonemas, letras...) em diversos idiomas diferentes, o sentido final (o que se deseja afirmar) é uma só Palavra, um só Verbo - Aquele que se encarnou e habitou entre nós - Jesus.

    Mais um ponto interessante para verificar isto é que em Gênesis 1, Deus cria todas as coisas através da Palavra, descrita no livro com vários "faça-se" e um "façamos". Ora, antes do primeiro faça-se, existia somente Deus. Se Deus criou todas as coisas, o ar também foi criado por Ele. Antes de criar o ar, como se poderia pronunciar uma palavra, já que a propagação deste som precisaria de ar? É evidente que a Palavra neste contexto também é o conteúdo do que Deus desejava fazer e fazia - o conteúdo da ação criadora do Pai. Mais tarde (para nós, mas para Deus tudo é presente), também o próprio conteúdo da Redenção - Jesus.

    Portanto, a voz é o canal, o veículo que pode transmitir este conteúdo (que é a Palavra) através de palavras compreensíveis por um determinado idioma. Era o papel de João ser a voz e não a Palavra, ser testemunha da Luz e não a Luz. Isso porque a Palavra é uma só, a Luz que ilumina os homens é uma só - Jesus.

    Quando alguém tenta se colocar no lugar da Palavra, no lugar da Luz, e começa a pregar ou falar de suas próprias palavras, acontece o que narra a primeira leitura (I Jo 2,18-21). E quão grave é o versículo 19 de I Jo 2: "Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois se fossem realmente dos nossos, teriam permanecido conosco."

    Muitos dos Anticristos saíram do meio dos cristãos, desde os primeiros anos do cristianismo! Esses queriam substituir a Palavra da Salvação pelas suas próprias palavras - Jo1,11: "Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram." Não querem ser apenas a voz que clama, tentam ser a própria palavra... E quantos desses Anticristos estão hoje no mundo?

    Senhor, que hoje o nosso coração queira ser voz que clama tua Palavra e não a nossa palavra. Que queiramos seguir Jesus, o Verbo encarnado, e não as vontades do mundo com suas palavras tentadoras, envolventes, enganadoras...

    Vem e ilumina-nos com Teu Espírito Santo. Faz-nos refletir Tua Luz que ilumina o mundo. Ajuda-nos a ser o que a tua Palavra criadora chamou-nos a ser no momento de nossa concepção.

    Deus seja louvado pelo ano que passou e por mais este ano que se inicia. Sejamos, pois, a voz que clama também durante este ano nesse deserto. Amém.

    Abraços a todos! Feliz e abençoado ano novo!
    .

    domingo, 28 de novembro de 2010

    Eucaristia - não "simboliza"; É o Corpo de Cristo!!

    Hoje resolvi escrever um pouco sobre este tema que ainda é duvidoso para algumas pessoas. Portanto, em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que utilizarei o termo "Protestantes" para os Cristãos batizados não Católicos porque é o termo que melhor designa a origem destas comunidades. Isto porque "Evangélicos", "Crentes" ou "Cristãos" são atributos também dos Católicos e, portanto, não servem para diferenciar a Igreja Católica das outras Comunidades. Outro termo viável é "nossos irmãos separados", pois sendo batizados são também nossos irmãos em Cristo, mas vou preferir utilizar o primeiro - Protestantes. E não desejo que sintam agressividade no termo. Apenas, como falei, tem a ver com sua origem histórica em Lutero e Calvino com a Reforma Protestante, no século XVI.

    Bom, entre os Protestantes existe um pensamento de que na Santa Ceia foi instituído por Jesus somente um efeito simbólico, ou seja, um símbolo de unidade entre os discípulos de Cristo, o qual é celebrado até hoje entre os Protestantes em suas Ceias. Assim, eles não acreditam que, durante a oração Eucarística que ocorre nas Missas Católicas, o Pão e o Vinho realmente tenham sua substância modificada (transubstanciada) no Corpo e Sangue de Cristo. Sendo mais específico, o Cristo vivo e Ressuscitado - Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

    Para sustentar sua posição, os Protestantes alegam que Jesus fala "Isto é o meu corpo... Isto é o meu sangue..." de forma simbólica, querendo com isso celebrar uma unidade entre si e os seus discípulos que persistiria para sempre, mas o pão e o vinho permaneceriam como antes, ou seja, teriam apenas um valor simbólico que deveria sem relembrado nas futuras celebrações cristãs.

    Bom, gostaria de interpor alguns comentários a respeito desta posição:

    1- Causa-me espanto que os Protestantes, como defensores de uma interpretação mais fundamentalista ("ao pé da letra") da Bíblia possam, neste momento, defender uma interpretação simbólica. Afinal, estamos falando de: Mt 26, 26-28 ; Mc 14, 22-24 ; Lc 22, 19-20 ; I Cor 11, 23-29. São 4 relatos em que o verbo ser (É) foi utilizado por Jesus para expressar aquele momento, relatados por 4 narrativas de pessoas distintas: Evangelho de Mateus, de Marcos, de Lucas e uma das Cartas de Paulo. Portanto não é uma narrativa isolada. Transcrevo apenas uma, mas podem conferir as demais:
    • Mt 26, 26-28 - "Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: 'Tomai e comei, ISTO É O MEU CORPO'. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque ISTO É MEU SANGUE, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados."
    Pra mim, não há dúvidas: o Pão consagrado É o Corpo de Jesus Cristo; o Vinho consagrado É o Sangue de Jesus Cristo. Não simboliza: É!

    2- Dando mais força a este ponto, explicito o final da narrativa de Paulo em sua carta aos Coríntios:
    • I Cor 11, 27-29 - "Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação."
    Ora, se quem come e bebe (o pão e o vinho no cálice) indignamente é culpável do corpo e do sangue do Senhor e quem não distingue (ou reconhece, na Bíblia do Peregrino) o Corpo do Senhor é condenado, a associação é plena! É necessário distinguir ou reconhecer o corpo de Cristo no pão e no vinho consagrados - não é mero símbolo!

    3- Ouvi certa vez um excelente comentário do Pe. Jonas da Comunidade Canção Nova de que os Protestantes alegam que Paulo fala aqui do corpo místico de Cristo, ou seja, da união simbólica do povo cristão em Cristo. Entretanto, Pe. Jonas chama muito bem a atenção de que Paulo fala aqui de ser culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. E existe o Corpo Místico de Cristo, mas não o Sangue Místico de Cristo. Não há esta expressão, que ficaria sem sentido.
    4- Pode parecer estranho que João seja o único Evangelista que não narra a ceia nos detalhes que os outros narram. Entretanto, nos dá uma colaboração muito valiosa em outro ponto de sua narrativa: Jo 6, 22-69 - o discurso do Pão da Vida. Cito alguns trechos:
    • Jo 6, 51-59 - "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum."
    Mais claro que isto? Os judeus acharam estranho, mas Jesus não voltou atrás em suas palavras!

    • Jo 6, 60.66-69 - "Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!"

    Ora, até alguns discípulos deixam de seguir Jesus por causa de suas palavras!Mas Jesus não volta atrás! Não tenta explicar que seria um símbolo ou uma comparação para que os discípulos não fossem embora por um simples mal entendido. Ele confirma e ainda pergunta se alguém mais quer ir embora! Pedro, em nome dos Doze, declara continuar, mesmo não tendo ficado clara a idéia da Eucaristia que seria instituída em breve!

    5- Para os que são mais céticos e ligados apenas a fatos que se possa "comprovar", Deus ainda vem em auxílio com os diversos milagres eucarísticos já ocorridos na história da Igreja. Entretanto, por falta de espaço, cito aqui apenas um dos mais famosos: o Milagre de Lanciano. Verdadeiramente e visualmente a hóstia se transformou em carne e o vinho em sangue, examinados pela ciência. O link para esta matéria é http://www.zenit.org/article-7470?l=portuguese e boa parte dele está transcrito ao final deste post.

    Logo, depois destes pontos, ainda há como contestar a presença real de Cristo na Hóstia (Pão) e no Cálice (Vinho) consagrados? Só porque não dá pra explicar como isto ocorre não é um motivo para negar. Afinal, Jesus não tinha poder sobre seu corpo (Jo 6, 16-21)? E também não tinha poder sobre o pão (Jo 6, 1-15)? Segue a matéria:

    Artigo do Zenit:

    "O milagre eucarístico de Lanciano segundo o cientista que comprovou sua autenticidade

    Fala o doutor Edoardo Linoli

    ROMA, quinta-feira, 5 de maio de 2005 (ZENIT.org).- O doutor Edoardo Linoli afirma a Zenit que sustentou em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco quando analisou anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos.

    O fenômeno se remonta ao século VIII. Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino, após a consagração, começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies.

    Nesse momento, o sacerdote viu como a sagrada hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou. Na catedral estão custodiadas estas relíquias.

    Professor de Anatomia e Histologia Patológica, de Química e Microscopia Clínica, e ex-chefe do Laboratório de Anatomia Patológica no Hospital de Arezzo, o doutor Linoli foi o único que analisou as relíquias do milagre de Lanciano. Seus resultados suscitaram um grande interesse no mundo científico.
    Em novembro de 1970, por iniciativa do arcebispo de Lanciano, Dom Pacífico Perantoni, e do ministro provincial dos Conventuais de Abruzzo, contando com a autorização de Roma, os Franciscanos de Lanciano decidiram submeter a exame científico as relíquias.
    Encomendou-se a tarefa ao professor Linoli, ajudado pelo professor Ruggero Bertelli --da Universidade de Siena--. Com a maior atenção, o professor Linoli extraiu partes das relíquias e submeteu a análise os restos de «carne e sangue milagrosos». Em 4 de março de 1971 apresentou os resultados.
    Evidenciam que a carne e o sangue eram com segurança de natureza humana. A carne era inequivocamente tecido cardíaco, e o sangue era verdadeiro e pertencia ao grupo AB.
    Consultado por Zenit, o professor Linoli explicou que, «pelo que diz respeito à carne, encontrei-me na mão com o endocárdio. Portanto não há dúvida alguma de que se trata de tecido cardíaco».
    Quanto ao sangue, o cientista sublinhou que «o grupo sanguíneo é o mesmo do homem do Santo Sudário de Turim, e é particular porque tem as características de um homem que nasceu e viveu nas zonas do Oriente Médio».
    «O grupo sanguíneo AB dos habitantes do lugar de fato tem uma porcentagem que vai de 0,5 a 1%, enquanto que na Palestina e nas regiões do Oriente Médio é de 14-15%», apontou.
    A análise do professor Linoli revelou também que não havia na relíquia substâncias conservantes e que o sangue não podia ter sido extraído de um cadáver, porque se haveria alterado rapidamente.
    O informe do professor Linoli foi publicado em «Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório» (1971, fasc 3, Grafiche Meini, Siena).
    Em 1973, o conselho superior da Organização Mundial da Saúde (OMS) nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano. Os trabalhos se prolongaram 15 meses com um total de quinhentos exames. As conclusões de todas as investigações confirmaram o que havia sido declarado e publicado na Itália.
    O extrato dos trabalhos científicos da comissão médica da OMS foi publicado em dezembro de 1976 em Nova York e em Genebra, confirmando a impossibilidade da ciência de dar uma explicação a este fenômeno.
    .

    terça-feira, 2 de março de 2010

    Abandono de Deus ou falsa sabedoria humana?

    Recebi esta mensagem encaminhada via e-mail por meu amigo Adilson Pereira, que trabalhou comigo bastante tempo. Acho que ela diz muito sobre o atual estado das coisas... Acredito que muitos já a receberam alguma vez, mas acho providencial voltar ao assunto. Reproduzo aqui o texto e comento algo no final.

    <<< . . . Início do texto . . . >>>
    Uma pessoa estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela:
    'Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro?'

    Anne deu uma resposta profunda e sábia:
    'Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua benção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?'

    À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc... Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião.

    Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.

    Logo depois o Dr.. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: 'Um perito nesse assunto deve saber o que está falando'. E então concordamos com ele.

    Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia tocar nos alunos...(há diferença entre disciplinar e tocar).

    Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar. Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas, quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: 'Está bem!'

    Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino. Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de Crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição da internet. E nós dissemos: 'Está bem, isto é democracia, e eles tem o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso'.

    Agora nós estamos nos perguntando porque nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado; porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios...

    Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos só aquilo que semeamos!!!

    Uma menina escreveu um bilhetinho para Deus: 'Senhor, porque não salvaste aquela criança na escola?' A resposta dele: 'Querida criança, não me deixam entrar nas escolas!!!'

    É triste como as pessoas simplesmente culpam a Deus e não entendem porque o mundo está indo a passos largos para o inferno. É triste como cremos em tudo que os Jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia, ou do que a sua religião, que você diz que segue ensina.

    É triste como alguém diz: 'Eu creio em Deus'. Mas ainda assim negue a mensagem do Cristo. É engraçado como somos rápidos para julgar mas não queremos ser julgados!

    Como podemos enviar centenas de piadas pelo e-mail, e elas se espalham como fogo, mas, quando tentamos enviar algum e-mail falando de Deus, as pessoas têm medo de compartilhar e reenviá-los a outros! É triste ver como o material imoral, obsceno e vulgar corre livremente na internet, mas uma discussão pública a respeito de Deus é suprimida rapidamente na escola e no trabalho.

    É triste ver como as pessoas ficam inflamadas a respeito de Cristo no sábado (ou domingo), mas depois se transformam em cristãos invisíveis pelo resto da semana.
    <<< . . . Aqui termina a mensagem original apenas com um acréscimo meu em vermelho entre parêntesis para estender a mensagem à várias religiões . . . >>>

    Bom, não tenho como checar se houve mesmo esta entrevista nem se os nomes mencionados na mensagem são verdadeiros. Também podemos filtrar alguns exageros e apelos comuns a estes tipos de mensagens.
    Mas vamos fazer um exame crítico da situação atual e analisemos: Quais são os valores presentes hoje em grande parte dos jovens (às vezes, das crianças)?

    Para muitos, os sentidos de palavras como responsabilidade, obrigações, deveres, fidelidade, compromisso, amor e muitas outras foram esvaziados completamente! Hoje só se fala em curtir, prazer, fazer só o que gosta, relação descartável (usou, joga fora), direitos (sem deveres), sexo (com ou sem amor, com ou sem compromisso, com ou sem responsabilidade)... falsos conceitos de liberdade!!

    Como podemos ter crescimento humano (aqui entram moral, civilidade, afetividade, senso do sagrado...) ficando só nisso? A autoridade dos pais se transformou em relação de igual para igual (quando não se inverteu de vez...), a autoridade dos professores totalmente esvaziada por estranhas teorias, a sabedoria dos mais velhos desprezada sob o pretexto de "evolução da modernidade"...

    Se não víssemos tantos efeitos negativos destas mudanças de comportamento, tudo bem, poderiam ser progressos. Mas o que vemos é exatamente o contrário. E o pior e mais incrível: exalta-se essas "melhorias e progressos" e, absurdamente, pergunta-se o que se pode fazer para melhorar este mundo que está muito violento, que tem muitas crianças abandonadas, etc...

    Está muito claro o que se tem que fazer, mas estamos todos dispostos a voltar no tempo em algumas coisas? Todo crescimento e toda melhoria tem seu preço, seu sacrifício, mas estamos dispostos a isso?

    Lembro por fim que as grandes civilizações e impérios da humanidade (cito Roma como exemplo) começaram a ruir quando seus costumes começaram a se impregnar de imoralidades e falsidades. Castigo de Deus? Ora, neste caso, o Homem (gênero humano) colhe o que planta.
    Mas agora, tudo está muito globalizado. Se o império global (não mais apenas um povo) continuar decaindo moralmente, pensemos nas conseqüências de sua ruína!! Deus nos encorage a mudar antes disso!

    sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

    A Eternidade e o Tempo

    A vivência das virtudes da Fé, Esperança e Amor (clique para ler) auxiliam no nosso crescimento como seres humanos, pois nos colocam na fé, na esperança e no amor em um Deus que faz junto conosco essa trajetória de crescimento.

    Sobre a Eternidade, disse S. Agostinho em suas "Confissões": "Na eternidade nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente". Disse também S. Paulo em I Cor 13,8.13: "A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade."

    Portanto, a Eternidade que agora esperamos na fé é um eterno presente, onde não existe o tempo para poderem existir passado e futuro. Também "lá" (entre aspas porque a Eternidade não é um lugar) apenas o amor existirá, uma vez que a fé é uma certeza a respeito do que não se vê (cf. Hb 11,1) e ver o objeto da esperança já não é esperança (cf. Rm 8,24). Ora, lá já veremos o objeto de nossa esperança e de nossa fé!

    Mas por enquanto, peregrinamos no tempo que nos é dado para nosso crescimento, nossa construção como seres humanos livres, nossa salvação, nossa redenção... Neste tempo, além do amor, temos a fé que nos sustenta e a esperança que nos lança para frente, com um olhar n'Aquele que nos dá a esperança da nossa ressurreição pela fé na Sua própria ressurreição - Jesus. E tudo isso porque "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16)

    Neste contexto, o batismo nos insere na comunidade de fé que é a Igreja. Esta comunidade, representada em primeiro lugar pelos pais e padrinhos, tem a responsabilidade de nos transmitir esta fé pela Palavra de Deus e pela Tradição. Nesta fé se apóia a nossa esperança na vida eterna, associada à morte e ressurreição de Jesus justamente no batismo. E tudo isto por amor, um amor infinito que não se acaba, o amor do Deus eterno que é o próprio amor (cf. I Jo 4,8)

    Cito aqui uma frase de Simone Weil que encontrei da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus no dia 16/12/2009: "O tempo é a espera de Deus que mendiga nosso amor".

    Assim, para os temas (clique nos links se quiser ler o que escrevi nestas postagens):

    - Quem roubou nossa coragem? - Ninguém a roubou, está escondida embaixo de nossas falsas seguranças. Mas Jesus nos diz "No mundo haveis de ter aflições. Coragem, eu venci o mundo." (Jo 16,33)

    - Desejo de não sentirmos dor - Se o medo de sentirmos dor e sofrimento já nos causa dor e sofrimento, cito a passagem lembrada pelo Carlos em seu comentário à minha postagem, onde Jesus nos diz “não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6, 34)

    - Construção do próprio ser humano - Aqui, cito Paulo: "A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores." (Ef 4,11-14)

    - Fé, esperança e amor - São presentes fundamentais de Deus para nosso crescimento, pois "As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina (cf 2Pd 1,4)... (As virtudes teologais) são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna." (Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1812 e 1813)

    Termino esta série de temas que começou a partir de dois pequenos trechos da música "Quando o sol bater na janela do seu quarto" (Legião Urbana) com um versículo que me diz muito e que me tocou logo na primeira vez que o ouvi:

    "Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8,31)

    A paz de Jesus, o Rei da Paz, a todos!

    Fé, Esperança e Amor

    Bom, em resumo, tenho falado nos últimos tópicos sobre:
    - "Quem roubou nossa coragem..." - Acomodação que cria fugas.
    "Desejo de não sentirmos dor..." - Sofremos com medo de sofrer.
    - "Construção do ser humano no tempo" - Crescer na liberdade X Parar na escravidão.

    Acho interessante refletir agora sobre as chamadas "Virtudes Teologais" (recebidas no Batismo) e uma interessante relação delas com os três tempos (passado, presente e futuro).

    - A Virtude da Fé e o Tempo Passado

    A nossa fé nos foi transmitida, é dom enquanto capacidade mas, para chegar até nós, "a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo." (Rm 10,17)

    Esta pregação ocorre em relação à Palavra de Deus já escrita, à história já passada por tantos de nossos semelhantes quando experimentaram a presença, a revelação gradual de Deus até o seu ápice em Jesus Cristo, o próprio Deus que vem até nós.

    E não para por aí, já que após Cristo, outras pessoas vão experimentando Deus em suas vidas em consonância com a Palavra revelada, história esta que vai compondo o que chamamos de Tradição da Igreja.

    É neste passado de experiências com Deus que nossa fé inicialmente se baseia, que encontra "base". E, com o passar do tempo, temos nossas próprias experiências com Deus que vão se agregando a essa base - o nosso passado que se une aos nossos antepassados na fé.

    - A Virtude da Esperança e o Tempo Futuro

    Esta analogia é bem mais fácil, já que é a esperança que lança um olhar para o futuro. Porém, tem estreita ligação com a fé que nos foi transmitida, com a revelação de Deus.

    É possível ter esperança sem crer em Deus? Poderíamos até dizer que sim, mas é uma esperança que não encontra base sólida, pois "a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados" (Hb 11,1-2) Tratar-se-ia de um futuro que não tem um olhar na experiência de tantos antepassados que esperaram o cumprimento das promessas de Deus e não foram decepcionados.

    - O Virtude do Amor (Caridade) e o Tempo Presente

    A fé dos antepassados é base para nossa fé, mas se esta não é vivida no presente, de que adianta? "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26). Esta fé precisa ser vivida e experimentada hoje por nós, e isto acontece nas relações que estabeleço: comigo mesmo, com Deus, com o próximo e com a natureza. O equilíbrio nestas 4 relações se estabelece quando vividas no amor, na abertura ao outro (alteridade) e não no fechamento em nós mesmos.

    Portanto, se vivermos hoje pelo amor "firmes na fé, alegres na esperança, e solícitos na caridade" (cf. bênção final da missa do terceiro Domingo do Advento), não precisamos sofrer por medo de sofrer. Vivamos hoje no amor, na caridade.

    As virtudes teologais nos capacitam para o crescimento rumo à vida eterna. Nada melhor do que falar sobre "A Eternidade e o Tempo" (clique aqui para ler) na próxima postagem.

    sábado, 12 de dezembro de 2009

    Porque ANJO BARRO?


    Bom, poucas vezes eu usei este nome na minha vida, ou melhor, esta sigla. Como já está no início do meu blog, são as sílabas iniciais de meu nome: ANtônio JOBARbosa ROdrigues.


    Entretanto, justamente quando eu estava pensando em um nome original para meu blog e me veio em mente este nome, passou também pela minha cabeça um novo sentido ANJO, mas BARRO...

    Sim, a palavra ANJO significa mensageiro, portador de uma mensagem. E, como já escrevi nos temas sobre CHAMADO (Sou chamado pelo nome? [clique para ler]), na palavra criadora pronunciada por Deus está também a nossa VOCAÇÃO. E essa vocação me faz participante da missão de construção de um mundo melhor. Sou portador de uma mensagem de Deus para o mundo; você também é portador(a) de uma mensagem de Deus para o mundo, mensagem esta que ninguém mais pode dar no meu ou no seu lugar, porque cada um de nós é único e irrepetível.

    Recentemente, ouvi uma pregação do Pe. Fábio de Melo com o título "Portador de Deus" e ele mencionava que este era o título de Santo Inácio de Antioquia. Penso que ser portador da mensagem de Deus é ser portador do próprio Deus. Por isso, acho que cada um de nós é chamado a ser anjo neste sentido (não na questão das naturezas, que são distintas). Somos mensageiros de uma boa nova, da boa mensagem - do grego "EU ANGELION" = Evangelho.

    Só que esta mensagem de Deus é portada por nós, simples criaturas as quais aprouve a Deus querer Sua imagem e semelhança. Cito aqui a passagem da Segunda carta de S. Paulo aos Coríntios (II Cor 4,6-7):

    "Porque Deus que disse: Das trevas brilhe a luz, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo. Porém, temos este tesouro em VASOS DE BARRO, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós."

    Portanto, este tesouro que é esta mensagem de Deus - este chamado, esta vocação - é levada por vasos frágeis de barro que somos nós.

    Este segundo motivo me fez decidir pelo nome do blog, para que eu nunca me esqueça de que sou um mensageiro da Palavra pronunciada por Deus, mas que esta mensagem não tem origem em mim, pois sou frágil, sou barro - é o sopro de Deus que me faz vivo (Gn 2,7), que me faz mensageiro, que me faz ANJO BARRO.