BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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sábado, 23 de abril de 2011

A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

"2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

"A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
VERDADE: Abrace-me logo.
HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

Texto e Direção: Wilde Fabio
Coreógrafo: Domingos Savio
Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


Até a próxima postagem!!

domingo, 7 de novembro de 2010

Omniciência Divina x Pre-Determinação ou Destino

Está difícil arrumar tempo pra escrever aqui no blog, mas já que consegui, vamos lá...

Já vi em um monte de lugares confusões entre estes dois conceitos - Omniciência (ou Oniciência) e Destino Pré-Determinado - o que muitas vezes acaba levando a conclusões precipitadas. Vou falar de algumas:
1 - Ora, se existe um Deus e Ele é Omniciente (sabe de tudo que já aconteceu, que acontece e que vai acontecer), então tudo já está determinado e, sendo assim, na realidade eu não faço escolhas - eu não tenho liberdade! Como posso ser responsabilizado por meus atos se tudo está determinado por Deus?
2 - Se tudo está determinado por Deus em sua omniciência, porque orar? Porque pedir a Ele que realize determinadas coisas? Não está tudo decidido?
3 - Porque lutar para conseguir algumas coisas? Se tudo está determinado, lutando ou não elas acontecerão!
4 - Se tudo está determinado por Deus devido à sua omniciência, então Ele é sim o criador do bem mas também do mal no mundo e alguém que cria o mal não pode ser totalmente bom - não é um Deus-amor!
5 - A mais radical - não dá para conciliar a existência de um Deus Amor, perfeito e omniciente em relação a um mundo cheio de injustiças como conhecemos. Logo, Deus não existe.

Talvez eu já tenha ouvido falar de outras conclusões precipitadas, mas acho que estas já mostram bem o tamanho do estrago que uma confusão de conceitos pode causar.

Vamos lá! Ter conhecimento de tudo que irá acontecer não é equivalente a determinar tudo que irá acontecer! Por exemplo, cremos que Deus criou o Homem livre para tomar suas próprias decisões. Saber qual decisão o Homem irá tomar não significa determinar essa decisão.

Deus vive na eternidade, na qual o tempo não tem sentido de ser contado. Simplesmente o tempo não existe para Deus - Tudo para ele é presente. Às vezes achamos que quando falamos de eternidade queremos dizer que o tempo continuaria passando mas nós não envelheceríamos mais nem desapareceríamos. Simplesmente o tempo continuaria passando e eu permaneceria vivendo nesse tempo. O conceito de eternidade é outro: é um tempo que não passa mais. Muitas vezes ouvimos a expressão "final dos tempos" e nem prestamos atenção nestas palavras. Realmente trata-se de FINAL dos TEMPOS. Na eternidade tudo é presente - sempre presente - não há tempo para passar.
Como Deus vive na eternidade, todos os tempos pelos quais estamos passando são, para Ele, presente. Assim, Ele sabe o passado, presente e futuro porque ele os "vive simultaneamente". Talvez me faltem termos adequados para definir melhor (afinal, só conhecemos o mundo temporal), mas é mais ou menos isso.

Logo, mais uma vez: saber aquilo que acontecerá não é sinônimo de determiná-lo. Portanto, as escolhas que eu faço ajudam a determinam sim o meu caminhar, interferem em consequências futuras. Embora Deus saiba as decisões que tomarei, eu é que as estou tomando - sou responsável por minhas escolhas. Se eu não lutar por uma vaga na universidade, ela não cairá no meu colo porque estaria determinada. Pelo contrário: ela estaria determinada a acontecer se eu lutei e tudo concorreu para que acontecesse. E estaria determinada a não acontecer se eu não lutasse por ela.

Com isso, não estou esvaziando a ação de Deus no mundo. Pelo contrário, estou apenas dizendo que temos total liberdade em nossos atos porque assim Deus quis. Entretanto, Deus também age no mundo mas sem interferir na nossa liberdade. Desde o início (e isso é narrado no Antigo Testamento) Deus vai se revelando gradativamente a seres humanos que vão "tateando" em meio às maravilhas da natureza e em meio a relações com outros seres humanos. Neste processo, Deus vai gradualmente mostrando sua vontade aos seres humanos até a revelação por excelência em Jesus (Deus e Homem, Deus encarnado como um de nõs) que nos revela o Pai como Ele é, sem possibilidade de erro, pois Jesus também é Deus e Ele, com o Pai no Espírito Santo, são um só Deus na Santíssima Trindade.

Esta revelação é ação de Deus na história e, portanto, Ele também atua em conjunto com as nossas ações; não no sentido de predeterminar o futuro, mas no sentido de convidar o Homem para a melhor forma de realizar este futuro. As ações de Deus no mundo, sob a forma de convites, de chamados, de vocações, da Revelação em si..., tudo isso visa um fim desejado por Deus: "Que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (cf. I Tm 2,3-4). Porém, a decisão do Homem é e será sempre livre. Podemos dizer que Deus "nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo" (cf, Ef 1,5), mas não conforme o conceito corriqueiro de destino (algo escrito que não posso mudar). Essa "predestinação" é uma orientação, uma vontade de Deus acerca do nosso destino final e Deus sempre tentará conduzir-nos para este fim, mas nunca determinando-o - continuará sendo um convite!

Deus, portanto, não criou os males no mundo. Todo seu plano está orientado para o bem e para a salvação de todos os homens. Entretanto, a liberdade do homem implica em opções, as quais podem ser boas ou más. E isto, desde que surgiu o primeiro ser humano.

Por fim, falemos sobre a eficácia de orar. O caminho é o mesmo: Deus conhece tudo que acontece e que acontecerá, inclusive as orações que ainda faremos! Ele conhece tudo que ocorrerá, mas algumas coisas ocorrerão também influenciadas pelas orações que faremos (e que Ele já sabe que faremos).
Porém, aqui também precisamos conversar sobre o que é oração: Dentro deste contexto, não se trata de forçar a vontade de Deus a atender a nossa vontade. Pelo contrário, o movimento da oração já é uma resposta de nossa fé à um primeiro movimento de Deus - sua Revelação. Está sim nos planos de Deus que orássemos e estivéssemos cada vez mais em sintonia com Ele, mas Ele também não nos forçou a orar - Ele nos convidou! Então, a oração não é uma tentativa nossa de mudar a vontade de Deus, mas sim uma resposta nossa à vontade de Deus para que estivéssemos em Sua presença. E se nossa oração está conforme o plano de Deus, ela é atendida pois esta oração cumpriu seu papel primeiro - nos unir a Deus e à sua vontade.
Mas mesmo quando o objetivo de nossa oração não está direcionado de acordo com a vontade de Deus, se deixarmos Deus agir em nós, a oração trará um outro efeito: o de nos modificar. Unindo-nos com Deus na oração, Ele nos fará perceber gradativamente (as vezes após muitos percalços na vida) que devemos orar em outro objetivo que não aquele anterior. Mais uma vez, foi uma resposta nossa à vontade de Deus para que estivéssemos em sua presença.
Bom, já falei das respostas "Sim" e "Não" às nossas orações. Existe uma terceira possibilidade: "Ainda não". Aqui, a oração nos dá paciência e confiança de que Deus tudo conhece. Além disso, pode ser que Deus queira que façamos algo antes que o objetivo da oração seja atendido. Mais uma vez, acontece um convite de Deus para nossa ação conforme Sua vontade. Eis um outro efeito da oração - a comunicação de Deus conosco.

Portanto, mesmo sabendo que Deus sabe o que acontecerá, precisamos orar pois muitas destas graças estão vinculadas à nossa abertura de estar na presença de Deus.
Por fim, Deus sabe sim todas as coisas que acontecerão, mas essas coisas acontecerão também devido às nossas decisões e ações, as quais Deus já conhece também, mas não as pre-determina - são livres!

Sintamo-nos parceiros de Deus no plano de criação e redenção que Ele preparou para nós!!
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domingo, 10 de outubro de 2010

SOBRE A FRASE “FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO”, COMO FICAM OS NÃO CATÓLICOS?

Esta é uma das dúvidas que foram colocadas na caixinha de dúvidas do Curso de Formação para Catequistas que a Comunidade Filhos da Redenção está promovendo na Paróquia Divino Salvador. Segue o texto original da pergunta:
"Há uma frase de Santo Agostinho na qual ele nos diz que 'FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO'. De que forma as pessoas que não são católicas serão salvas?"
Em poucas palavras: vinculando-se a Ela de alguma forma!
É lógico que não vou soltar simplesmente esta frase e terminar a explicação, da mesma forma que a Igreja Católica usa a frase “Fora da Igreja não há Salvação”, mas também não pára nela. Ela explica o que quer afirmar com ela em seu Catecismo e em alguns de seus outros documentos.
1- Quanto à autoria da frase, embora seja um tema refletido por vários dos Grandes Padres da Igreja (Patrística), dentre eles Santo Agostinho (430), São Justino (165), Santo Irineu (200), etc. [1], a frase foi dita por São Cipriano de Cartago, Bispo Africano do Século III (Epístola 4, 4 e 73,21) [2].
2- Quanto ao significado da frase, é inevitável esclarecer e reafirmar alguns pontos:
“A Igreja é una porque tem como origem e modelo a unidade na Trindade das Pessoas de um só Deus; porque tem como fundador e cabeça Jesus Cristo, que restabelece a unidade de todos os povos num só corpo; e porque tem como alma o Espírito Santo, que une todos os fiéis na comunhão em Cristo. Ela tem uma só fé, uma só vida sacramental, uma única sucessão apostólica, uma comum esperança e a mesma caridade.” [3]
Paulo já falava que há um só Senhor, uma só fé, um só batismo (cf. Ef 4, 5-6). Jesus também declara a Pedro “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” e afirma que “tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (cf. Mt 16, 18-19). Vejam que Jesus estabelece sua Igreja (uma só) e a estabelece sob o primado de Pedro, intenção esta confirmada após sua ressurreição na tríplice profissão de amor de Pedro, quando por três vezes lhe diz para apascentar suas ovelhas e cordeiros (cf. Jo 21, 15-17).
Vejamos como continua o Compêndio:
“A única Igreja de Cristo, como sociedade constituída e organizada no mundo, subsiste (subsistit in) na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. Só por meio dela se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação, pois o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança ao único colégio apostólico, cuja cabeça é Pedro.” [4]
Portanto, a Igreja de Cristo é aquela que está sob o primado de Pedro e, como sua Igreja não termina no tempo, esta continuidade acontece na história através dos seus sucessores legitimamente escolhidos – os Papas – que constituem uma sucessão apostólica que se iniciou em Pedro, o qual foi estabelecido pelo fundador desta Igreja: Jesus. Portanto, estamos falando da Igreja Católica Apostólica Romana.
Uma vez esclarecido este ponto fundamental da existência de uma única Igreja de Cristo, vejamos o que o Compêndio fala sobre a frase que é o ponto de partida da pergunta “Fora da Igreja não há Salvação”:
“Significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e a sua Igreja mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita.” [5]
Portanto, a Igreja de Jesus é o Corpo Místico do qual Cristo é a cabeça e nela se entra pelo Batismo que é único, como já foi frisado antes. Vejamos como o Compêndio encara esta realidade em relação aos cristãos não católicos:
“Nas Igrejas e comunidades eclesiais, que se desligaram da plena comunhão da Igreja católica, encontram-se muitos elementos de santificação e de verdade. Todos estes bens provêm de Cristo e conduzem para a unidade católica. Os membros destas Igrejas e comunidades são incorporados em Cristo pelo Batismo: por isso, nós reconhecemo-los como irmãos.” [6]
“Todos os homens, de diferentes modos, pertencem ou estão ordenados à unidade católica do povo de Deus. Estão plenamente incorporados na Igreja católica aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, se encontram unidos a ela pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão. Os batizados que não se encontram plenamente nesta unidade católica estão numa certa comunhão, ainda que imperfeita, com a Igreja Católica.” [7]
Logo, se determinada Igreja ou comunidade eclesial não está unida plenamente com a Igreja Católica Apostólica Romana, mas nela se realiza validamente o batismo, seus fiéis estão incorporados em Cristo por este Sacramento, ou seja, estão em certa comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana. Portanto, a Salvação que vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja que é seu Corpo se refere também a estes.
Por fim, a ligação entre a Igreja Católica e os não cristãos, diz o Compêndio:
“Antes de mais, há o laço comum da origem e fim de todo o gênero humano. A Igreja católica reconhece que tudo o que de bom e de verdadeiro existe nas outras religiões vem de Deus, é reflexo da sua verdade, pode preparar para acolher o Evangelho e mover em direção à unidade da humanidade na Igreja de Cristo.” [8]
Nesse movimento em direção à unidade na Igreja de Cristo, entendemos que a consumação plena dela se dará quando houver “um só rebanho e um só pastor” (cf. Jo 10, 16). Portanto, todos os salvos no Céu pertencem à Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica de Cristo – A Igreja Triunfante.
Agora, fica mais fácil entender a resposta que dei logo no início sobre de que forma as pessoas que não são católicas serão salvas: vinculando-se a Ela de alguma forma!
Portanto, reafirmo a frase central desta postagem: Fora da Igreja não há Salvação!
Que Igreja? Aquela em que encontramos a legítima sucessão desde Pedro até hoje: A Igreja Católica Apostólica Romana.
Cabe apenas um esclarecimento final: não é apenas a adesão de alguém à Igreja pelo Sacramento do Batismo que garante a sua salvação. Há necessidade de uma vida coerente com o sacramento recebido, pois é Jesus quem afirma que chamar “Senhor, Senhor” não garante a salvação de ninguém se este não fizer a vontade do Pai que está nos céus (cf. Mt 7, 21-23). Jesus é claro: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Mc 16, 16)
[1] http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=NOVIDADE1&id=ni10554 – Site Editora Cléofas – Prof. Felipe Aquino
[2] http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070606_po.html – Site do Vaticano – Audiência Geral do Papa Bento XVI em 06/06/2007
[3] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, número 161
[4] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, número 162
[5] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, número 171
[6] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, número 163
[7] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, número 168
[8] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, número 170

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Eternidade e o Tempo

A vivência das virtudes da Fé, Esperança e Amor (clique para ler) auxiliam no nosso crescimento como seres humanos, pois nos colocam na fé, na esperança e no amor em um Deus que faz junto conosco essa trajetória de crescimento.

Sobre a Eternidade, disse S. Agostinho em suas "Confissões": "Na eternidade nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente". Disse também S. Paulo em I Cor 13,8.13: "A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade."

Portanto, a Eternidade que agora esperamos na fé é um eterno presente, onde não existe o tempo para poderem existir passado e futuro. Também "lá" (entre aspas porque a Eternidade não é um lugar) apenas o amor existirá, uma vez que a fé é uma certeza a respeito do que não se vê (cf. Hb 11,1) e ver o objeto da esperança já não é esperança (cf. Rm 8,24). Ora, lá já veremos o objeto de nossa esperança e de nossa fé!

Mas por enquanto, peregrinamos no tempo que nos é dado para nosso crescimento, nossa construção como seres humanos livres, nossa salvação, nossa redenção... Neste tempo, além do amor, temos a fé que nos sustenta e a esperança que nos lança para frente, com um olhar n'Aquele que nos dá a esperança da nossa ressurreição pela fé na Sua própria ressurreição - Jesus. E tudo isso porque "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16)

Neste contexto, o batismo nos insere na comunidade de fé que é a Igreja. Esta comunidade, representada em primeiro lugar pelos pais e padrinhos, tem a responsabilidade de nos transmitir esta fé pela Palavra de Deus e pela Tradição. Nesta fé se apóia a nossa esperança na vida eterna, associada à morte e ressurreição de Jesus justamente no batismo. E tudo isto por amor, um amor infinito que não se acaba, o amor do Deus eterno que é o próprio amor (cf. I Jo 4,8)

Cito aqui uma frase de Simone Weil que encontrei da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus no dia 16/12/2009: "O tempo é a espera de Deus que mendiga nosso amor".

Assim, para os temas (clique nos links se quiser ler o que escrevi nestas postagens):

- Quem roubou nossa coragem? - Ninguém a roubou, está escondida embaixo de nossas falsas seguranças. Mas Jesus nos diz "No mundo haveis de ter aflições. Coragem, eu venci o mundo." (Jo 16,33)

- Desejo de não sentirmos dor - Se o medo de sentirmos dor e sofrimento já nos causa dor e sofrimento, cito a passagem lembrada pelo Carlos em seu comentário à minha postagem, onde Jesus nos diz “não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6, 34)

- Construção do próprio ser humano - Aqui, cito Paulo: "A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores." (Ef 4,11-14)

- Fé, esperança e amor - São presentes fundamentais de Deus para nosso crescimento, pois "As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina (cf 2Pd 1,4)... (As virtudes teologais) são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna." (Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1812 e 1813)

Termino esta série de temas que começou a partir de dois pequenos trechos da música "Quando o sol bater na janela do seu quarto" (Legião Urbana) com um versículo que me diz muito e que me tocou logo na primeira vez que o ouvi:

"Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8,31)

A paz de Jesus, o Rei da Paz, a todos!

Fé, Esperança e Amor

Bom, em resumo, tenho falado nos últimos tópicos sobre:
- "Quem roubou nossa coragem..." - Acomodação que cria fugas.
"Desejo de não sentirmos dor..." - Sofremos com medo de sofrer.
- "Construção do ser humano no tempo" - Crescer na liberdade X Parar na escravidão.

Acho interessante refletir agora sobre as chamadas "Virtudes Teologais" (recebidas no Batismo) e uma interessante relação delas com os três tempos (passado, presente e futuro).

- A Virtude da Fé e o Tempo Passado

A nossa fé nos foi transmitida, é dom enquanto capacidade mas, para chegar até nós, "a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo." (Rm 10,17)

Esta pregação ocorre em relação à Palavra de Deus já escrita, à história já passada por tantos de nossos semelhantes quando experimentaram a presença, a revelação gradual de Deus até o seu ápice em Jesus Cristo, o próprio Deus que vem até nós.

E não para por aí, já que após Cristo, outras pessoas vão experimentando Deus em suas vidas em consonância com a Palavra revelada, história esta que vai compondo o que chamamos de Tradição da Igreja.

É neste passado de experiências com Deus que nossa fé inicialmente se baseia, que encontra "base". E, com o passar do tempo, temos nossas próprias experiências com Deus que vão se agregando a essa base - o nosso passado que se une aos nossos antepassados na fé.

- A Virtude da Esperança e o Tempo Futuro

Esta analogia é bem mais fácil, já que é a esperança que lança um olhar para o futuro. Porém, tem estreita ligação com a fé que nos foi transmitida, com a revelação de Deus.

É possível ter esperança sem crer em Deus? Poderíamos até dizer que sim, mas é uma esperança que não encontra base sólida, pois "a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados" (Hb 11,1-2) Tratar-se-ia de um futuro que não tem um olhar na experiência de tantos antepassados que esperaram o cumprimento das promessas de Deus e não foram decepcionados.

- O Virtude do Amor (Caridade) e o Tempo Presente

A fé dos antepassados é base para nossa fé, mas se esta não é vivida no presente, de que adianta? "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26). Esta fé precisa ser vivida e experimentada hoje por nós, e isto acontece nas relações que estabeleço: comigo mesmo, com Deus, com o próximo e com a natureza. O equilíbrio nestas 4 relações se estabelece quando vividas no amor, na abertura ao outro (alteridade) e não no fechamento em nós mesmos.

Portanto, se vivermos hoje pelo amor "firmes na fé, alegres na esperança, e solícitos na caridade" (cf. bênção final da missa do terceiro Domingo do Advento), não precisamos sofrer por medo de sofrer. Vivamos hoje no amor, na caridade.

As virtudes teologais nos capacitam para o crescimento rumo à vida eterna. Nada melhor do que falar sobre "A Eternidade e o Tempo" (clique aqui para ler) na próxima postagem.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nada é nosso – tudo é dom de Deus

Tudo que recebemos de Deus é por graça, de graça. É por puro amor.

Poderíamos argumentar, então, que uma vez que Deus nos tenha dado, passa a nos pertencer e, portanto, não sou obrigado a partilhar ou dividir o que tenho, pois passou a ser meu.

Realmente, obrigado não sou... Só que, aprofundando um pouco mais, Deus criou todas as coisas (inclusive nós). Se ele criou o nosso ser, o nosso existir também foi dom de Deus. Mas dom de quem para quem, já que não existíamos para poder receber nossa existência? (filosofando... rsrsrs)

No fundo, a criação inteira foi feita para a harmonia, para a completa partilha e dependência mútua. Portanto, o fato de sermos e existirmos já é também um dom de Deus, somos dom para o mundo, para a criação que nos inclui também! Nossa essência é sermos dom e, portanto, também colaborar com nossos dons para que o mundo seja melhor.

Quando se fala de dom, é inevitável falar de amor, pois o dom de Deus foi sem pedir nada em troca – dom totalmente gratuito. Já disse João que Deus é Amor. É a isso que somos chamados. O desamor e o egoísmo é ir contra o crescimento do ser humano, é descer em nosso desenvolvimento. É não ser aquilo para o qual fomos feitos, ir contra nossa essência. É errar o alvo, é ser incoerente com o que somos. É, em última análise, “não ser”.

Percebo a vida eterna como a realização do nosso ser “sendo”, ou seja, existindo, vivendo, realizando o que nos foi doado como potencial! Já o “não ser”, mesmo existindo, seria o contrário – não realizar o projeto, não completar em nós o que, em potencial, nos foi dado.

Embora o mundo pareça afirmar o contrário, o amor é a realização plena do ser humano, é a sua fortaleza.