BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre o Livre Arbítrio

Bom, agora “fui forçado” a entrar também no Facebook, uma vez que quase todo mundo migrou para lá. Mas como sou um só e já era difícil arrumar tempo para postar só neste blog, imagine dar conta dos dois (fora e-mail, resquícios do Orkut, etc...)

Assim, vou tentar pelo menos postar em ambos os lugares tudo o que eu produzir. É este o caso desta postagem. Um amigo meu postou no Face uma citação de um filósofo grego chamado Epicuro, a qual reproduzo a seguir:

"Deus quer prevenir o mal, mas não consegue? Então ele não é onipotente.
Ele consegue, mas não quer? Então ele é malevolente.
Ele quer e ele consegue? Então por que o mal acontece?
Ele não quer e não consegue? Então por que chamá-lo de Deus?"


Segue agora o comentário que fiz à postagem dele, com um pequeno acréscimo no final:

Liberdade - esta é a palavra chave! Amar não significa fazer algo ou alguém que você controle. Amar significa deixar livre. Afinal, vejamos: pode um robô amar? Ao pé da letra, o robô não pode (ou pelo menos não deveria) nem ser amado pois não tem esta capacidade em si. Ele não é livre, ele é programado e obedece a comandos. Definitivamente, para criar um ser que pudesse ser amado e amar, é necessário que este pudesse tomar decisões livremente. E, evidentemente, um ser com esta possibilidade pode decidir em não amar, em odiar... É uma possibilidade aberta. É um risco, mas um risco corrido onde alguns aceitaram amar!!! Eis a vitória.

E, em Jesus, o exemplo maior de amor, pudemos ver como é ser um ser humano conforme o plano original de Deus. Ainda poderiam pensar: mas Deus é um ser livre e ama somente, não odeia... O homem não poderia ter sido criado também perfeito no amor? Respondo com outra pergunta: Pode um Deus criar um ser perfeito? Não estaria Ele criando um outro deus? E não podem existir 2 deuses: um deles não seria verdadeiramente Deus. Logo, a criatura é sempre imperfeita - por isso é criatura. Seria o mesmo que criar um círculo quadrado. Portanto, neste contexto, há algumas coisas que Deus não pode fazer: Ele não pode deixar de amar, pois sua essência é amor - Deus é amor. Negar sua essência seria deixar de existir, o que é impossível. Criar uma criatura (que essencialmente tem limites) perfeita? não dá. O único perfeito sem limitações é Deus.

Mas Deus não nos abandona... O seu Espírito Santo não cessa de nos falar ao coração como devemos agir. Mas, como somos livres, o sim ou o não é nosso... Dizer que é impossível viver o bem também não é verdade. Jesus é o maior exemplo, mas os santos e tantos outros exemplos estão aí para nos mostrar isso.

Um abraço e lembremo-nos sempre disso: A liberdade que é a razão pela qual podemos amar e ser amados também é aquela que nos faz ser capazes de dizer sim ao amor mesmo quando o ódio bate à nossa porta. Desta decisão construiremos ou não um mundo melhor! Está em nossas mãos, pois Deus nos capacitou e nos capacita!! ;-)

O “pequeno acréscimo”: Alguns poderiam contrariar quando eu disse que quando alguns aceitaram amar, isto não é uma vitória pois não seriam a maioria ou, pelo menos, os que não aceitaram amar causam mais problemas do que os que aceitaram amar podem resolver. Ora, se alguns aceitaram amar até o limite de dar a sua vida por isso, como não dizer que Deus não é vitorioso? Ficou provado que é possível viver o amor, mesmo em nossa liberdade fragilizada pelo pecado, pela nossa limitação de criatura... Não há como dizer que o plano de Deus não é possível. O que se pode dizer, sim, é que os que resistem e dizem não a essa proposta de amor não aderiram à vitória de Deus. Eis a derrota que só ficará clara para os que persistirem no erro no final dos tempos. Lá veremos que o plano de Deus era possível para todos, pois todos tem a capacidade em si. Enfim, a decisão é nossa...


sábado, 23 de abril de 2011

A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

"2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

"A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
VERDADE: Abrace-me logo.
HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

Texto e Direção: Wilde Fabio
Coreógrafo: Domingos Savio
Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


Até a próxima postagem!!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Nossa Essência, Nossa Vocação

No último dia 11 de fevereiro comemoramos Nossa Senhora de Lourdes. É a mesma Santa Maria, mãe de Jesus e nossa mãe. A denominação se deve a uma aparição a Bernadette Soubirous em Lourdes (França) em fevereiro de 1858. A história é muito bonita e interessante, mas para o tema que gostaria de tratar, conto aqui apenas um trecho:

Quando Bernadette foi, a pedido da Bela Senhora que lhe aparecera, pedir ao padre responsável por Lourdes a construção de uma Igreja, este disse que não atendia a pedidos de estranhos e que Bernadette perguntasse à "aparição" qual o seu nome. Bernadette foi e, ao retornar, lhe disse que a Bela Senhora se identificou da seguinte forma: "Je suis l’Immaculée Conception" - Eu sou a Imaculada Conceição. Ora, este dogma havia sido definido pela Igreja durante o pontificado de Pio IX em 08/12/1854 (pouco mais de 3 anos antes - muito recente). Também, Bernadette era uma jovem camponesa que, quando perguntada, não soube nem dizer o que este "nome" significava. Este fato e milagres operados durante as aparições levaram a Igreja a estudar tudo o que cercou estes fatos e a aceitar estas aparições oficialmente.

Bom, antes de mais nada é válido esclarecer 2 pontos:

1 - Não cremos que os milagres foram realizados por Nossa Senhora, mas sim que Jesus os realizou por intercessão de Maria e para que servissem de sinais que pudessem auxiliar a atestar a veracidade das aparições.

2 - Ao declarar que Maria foi concebida sem pecado original (por isso Imaculada Concepção ou Conceição), isto não a coloca no centro das atenções, mas é uma declaração Cristocêntrica, ou seja, a Igreja declara que isto aconteceu "em previsão dos méritos de Cristo" e por que ela foi escolhida nos eternos desígnios de Deus para a missão de ser a mãe do Deus Filho feito Homem para a nossa Redenção. Portanto, tudo isso é graça de Deus.

Esclarecidos estes pontos, entro no assunto objeto desta postagem: Nossa essência, nossa vocação.
É um tema ligado diretamente a outro que já escrevi ("Sou Chamado pelo Nome") mas achei a oportunidade ótima para voltar ao tema.

Quando Bernadette pergunta à Bela Senhora o seu Nome, poderíamos pensar que a resposta imediata seria "Maria". Em vez disso, ela respondeu com algo que define sua essência, sua missão: Imaculada Conceição. É interessante que a Bíblia é recheada de momentos onde o nome também é muito mais do que uma forma de chamar alguém. Ele definia a essência, a missão. Vejamos:

- No momento da sarça ardente, quando Deus se manifesta a Moisés, este lhe pergunta qual é o Seu nome. Resposta: "Eu sou aquele que sou" (Que corresponde ao tetragrama sagrado YHWH, traduzido como Javé) - Ex 3,13-15. Deus é Aquele que é. Enquanto todas as criaturas são (ou existem) porque Deus lhes concedeu a existência, ou seja, não existem desde a eternidade por si mesmos, Deus é desde sempre e O será para sempre. Só Ele é, sem dever seu ser a nada ou ninguém mais.

- Jesus, o nome revelado pelo anjo a José (Mt 1,20-21) e a Maria (Lc 1,31) para o filho de Deus significa "O Senhor Salva" (já vi traduzido como Javé Salva). O anjo mesmo explica a José que a razão do nome é que "ele salvará o seu povo de seus pecados." Seu nome, sua missão e sua essência são uma só coisa.

Muito mal comparando, o ser humano também faz o mesmo quando dá nome a algumas coisas:

- Bicicleta - dois "ciclos", ou duas rodas.
- Automóvel - se movimenta (móvel) por si só. A fonte de energia que o faz andar está nele mesmo, não tira energia de outro lugar (auto).
- Amplificador - Amplifica, aumenta por exemplo o som captado por um microfone, jogando-o numa caixa de som.

Bom, não quer dizer que o nome que recebemos no nosso Batismo já quer dizer nossa missão, ou nossa vocação. Mas quero dizer que, no momento em que Deus sonhou conosco e nos criou, tinha para cada um em especial uma razão de ser, uma vocação, um lugar no Seu plano de amor e salvação. E este lugar particular é de cada um, como em cada "faça-se" da passagem sobre a criação...

E qual é este "lugar particular"? Ora, pergunte para Ele. Ore, peça a Deus que oriente seus pensamentos, perceba em si os dons que Ele lhe deu. Aproxime-se mais de Deus por sua Palavra, por sua Igreja. E digo mais: muitas vezes quem acaba nos revelando o nosso "lugar particular" é a própria comunidade. Afinal, o nosso lugar na comunidade é uma parcela deste "lugar particular". Estar no "nosso lugar", realizar nossa essência e nossa vocação é a realização máxima do ser humano. Eis a felicidade do ser humano que, é claro, só será plena na vida eterna pois lá poderemos realizar o chamado fundamental - o amor - também de forma plena em Deus que é a plenitude do Amor:

"Fizeste-nos para ti, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti. (Santo Agostinho em Confissões I,1)

"Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. (I Jo 3,2)

Mas enquanto caminhamos aqui na Terra, já busquemos realizar nossa felicidade conforme os planos de Deus, em Seu amor. Saiba que não existe louvor maior a Deus do que executar seus desígnios e sermos verdadeiramente felizes!

Um abraço e que cada um encontre seu chamado, o sonho de Deus para cada um!