BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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sábado, 23 de abril de 2011

A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

"2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

"A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
VERDADE: Abrace-me logo.
HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

Texto e Direção: Wilde Fabio
Coreógrafo: Domingos Savio
Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


Até a próxima postagem!!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Construção do Próprio Ser Humano

Em continuação ao tema: "Desejo de não sentirmos dor..." (clique para ler), onde conversamos sobre o problema de "sofrer por medo de sofrer", é interessante falar sobre o ser humano que se constrói.

O ser humano é a criatura viva que nasce menos "pronta" para tudo. É a que mais depende dos pais no início de sua vida e a que demora mais "tempo" para seguir de forma independente. Isto porque, em compensação, o ser humano é o que mais facilmente consegue se adaptar ao meio ou adaptá-lo para que sobreviva - é o mais flexível.

Esta construção do ser humano que seremos depende do que já construímos e do que construirmos no presente. Aqui, aparece uma das evidências do dom da liberdade concedido por Deus a nós.

Nesta liberdade, posso realmente optar, decidir o caminho a seguir, decidir "como me construir". O ser humano tem essa capacidade de ser autor e protagonista da própria história, para que "seja líder de si mesmo" (conforme livro de mesmo nome de Augusto Cury). Como não poderia ser diferente, isto também é uma opção nossa pois também podemos decidir ser apenas atores coadjuvantes em nossa própria história.

Porém essa liberdade é muitas vezes confundida com seguir as vontades do instinto, seguir qualquer pensamento que nos alcança, seguir os impulsos que nos surgem, seguir o que "nos der na telha"...

Ora, não seria isto, ao contrário, prisão? Escravidão?

Nossa liberdade está, justamente, em podermos nos dominar - ter auto-domínio. Como cita o Catecismo na Igreja Católica, no parágrafo 2339: "A alternativa é clara: ou o Homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz."

Deus criou o Homem para a liberdade e não para a escravidão, muito menos para a escravidão do medo do futuro. O sofrimento é inerente à nossa condição de criaturas (já que temos limites) mas não devemos sofrer por medo de sofrer.

Eis a construção necessária do ser humano: Vencer a escravidão das paixões, dos instintos, das incoerências humanas (do pecado...) e ser verdadeiramente livre. Como disse Joseph Campbell: "Nós não nascemos Humanos, nós nos tornamos Humanos" (achei esta frase em uma folhinha do Sagr. Coração de Jesus, dia 04/12/2009)

Acho interessante falar agora sobre as 3 virtudes que recebemos de presente no Batismo e que nos auxiliam nesta luta (construção): Fé, Esperança e Amor (clique aqui para ver).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Desejo de não sentirmos dor...

Ligado à questão da ACOMODAÇÃO de que tratei no tema "Quem roubou nossa coragem..." (clique para ler), existe uma outra frase na música "Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto" do Legião Urbana que também me chamou muito a atenção:

"Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo
De não sentimos dor."
 
Ninguém "normal" gosta de sentir dor, é claro. Só que chegamos a extremos de termos tanto medo de situações que podem nos causar dor ou sofrimento, que este medo já gera dor e sofrimento. É impressionante como passamos a vida sofrendo por antecipação por algo que nem sabemos realmente se vai acontecer ou se vai causar realmente tanta dor!
 
Penso que a acomodação excessiva de que falei no outro tema também é vilã nesta questão, pois os tais confortos acabam nos acostumando de uma tal forma que perder um destes "confortos" significa, para alguns, o caos. E, novamente falando de extremos, para alguns qualquer vento contrário, qualquer situação que ameace um destes confortos causa sofrimento. Para estes, realmente, "tudo é dor" e a simples possibilidade de passar por essa "dor" já causa um sofrimento antecipado. Neste caso, o "desejo de não sentirmos dor" já causa dor - que coisa malluca, não??!
 
Santo Agostinho, ao escrever suas "Confissões", fala algo que pode nos ajudar neste assunto. Ao tocar no assunto do passado, presente e futuro, ele fala que o passado é algo presente apenas na memória e o futuro é algo que ainda se espera. Estes dois tempos, na realidade, não existem "fisicamente". Só existe realmente o presente e este mesmo dura um tempo infinitesimal (que tende a zero) pois, se durasse mais, uma parte dele já seria passado e outra parte ainda seria futuro.
 
O livro "Tecendo o Fio de Ouro" da Comunidade Shalom (aliás, muito bom) também fala sobre isso em uma parte dele. Não podemos parar no passado, em alguma situação que nos fez sofrer ou em outra que sirva de fuga para nossa situação atual! Também não podemos viver somente "pré-ocupados" (ocupados por antecipação) com o futuro, ou seja, sofrendo pelo medo de sofrer! Temos o presente e este "rio" que é a nossa vida tem que fluir normalmente, "descongelando" (se ficou parado) o passado e construindo no presente o futuro que esperamos.
Na realidade, trata-se de um trabalho de "Construção do próprio ser humano" (clique aqui para ver) no tempo que não para.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Quem roubou nossa coragem...

Há mais ou menos 2 meses eu estava ouvindo a música "Quando o sol bater na janela do seu quarto" do Legião Urbana. Eu já havia escutado muitas vezes esta música mas desta vez alguns trechos me chamaram muito a atenção. Um deles foi este:
"Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?"
 
Esta frase pode ser ouvida com nostalgia: quando aceitávamos mais desafios, quando queríamos mudar o mundo ao redor, quando tínhamos mais ousadia para transformar o que achávamos errado (ou pelo menos tentar)...
 
Mas porque os verbos no passado? Onde realmente está nossa coragem? Foi roubada por quem? Para mim a palavra chave é ACOMODAÇÃO!!! Falo aqui de mim mesmo, mas sinta-se à vontade de enxergá-la ou não em você.
 
Tenho visto o mundo ficar cada vez mais cômodo: facilidades tecnológicas, diversões mil ao simples comando de um controle remoto ou de um teclado de computador, o alívio de uma dor através de um simples comprimido...
 
Não vejo estas conquistas da ciência humana como negativas em si mesmas. O que vejo é que muitos de nós acabamos nos acomodando com esses confortos a ponto de não nos incomodarmos mais com muitas coisas erradas no mundo e que poderíamos mudar (ou tentar pelo menos).
 
A verdade é que a própria educação não tem ajudado muito. Como comenta Augusto Cury, em seu livro 'Pais Brilhantes, Professores Fascinantes': "As crianças e os jovens aprendem a lidar com fatos lógicos, mas não sabem lidar com fracassos e falhas... São treinados para fazer cálculos e acertá-los, mas a vida é cheia de contradiçõs, as questões emocionais não podem ser calculadas, nem tem conta exata. Os jovens são preparados para lidar com as decepções? Não! Eles são treinados apenas para o sucesso. Viver sem problemas é impossível. O sofrimento nos constrói ou nos destrói..."
 
Tudo isto acaba escancarando as portas para os extremos das fugas frente às dificuldades e derrotas da vida que aparecem: drogas, alcoolismo, ...
Onde está nossa coragem?? Para mim, ela está dentro de cada um de nós, mas acomodada. Ninguém a roubou, está escondida embaixo de tantos confortos e falsas seguranças que deixamos acumular em cima dela. A prova disso é que, em alguns momentos quando as dificuldades chegam a um extremo "insuportável", vemos aparecer esta coragem com atitudes das quais até dizemos: "Puxa! Nunca achei que fosse capaz de fazer o que fiz..."
 
E esta acomodação tem muito a ver com uma outra frase da mesma música, que comento no tema: "Desejo de não sentirmos dor" (clique para ler).