BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
Mostrando postagens com marcador PECADO. Mostrar todas as postagens
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domingo, 22 de janeiro de 2012

Criação e Evolução (6)

Achei interessante criar esta sexta postagem quanto a Criação e Evolução por 2 aspectos:

1 - Quero postar o comentário que o Carlos Francisco (autor do Blog Quo Vadis Domine), que pertence à Comunidade Filhos da Redenção da qual também participo, colocou na quinta postagem sobre o tema [ Criação e Evolução (5) ] para que as divulgações automáticas de postagens do blog pudessem funcionar com este texto que é mais um a corroborar o raciocínio que expus. O texto é de autoria do cardeal Odilo Scherer:

"A criação não exclui a evolução, nem o contrário (...) a evolução é um fato evidente e não pode ser posta em dúvida; porém, se ela explica como as coisas se diferenciam e mudam, por diversos fatores, ela, contudo, não explica a origem absoluta dessas coisas. É um fato que somente evolui e se transforma aquilo que já existe. Donde, ou de quem cada ser recebeu a existência e a ordem interna para ser aquilo que é, e não outra coisa? Do nada? Do nada, nada surge, a não ser que algum agente "crie", isto é, dê origem, tire do nada e faça existir algo. O acaso poderia ser este fator determinante? Como seria inteligente este acaso! A teoria do acaso é absurda. É melhor crer em Deus criador, isso não é absurdo."
(cardeal Odilo Scherer, em artigo publicado no jornal arquidiocesano "O São Paulo", no ano das comemorações de 200 anos do nascimento de Charles Darwin)

2 - Achei também importante reforçar um ponto que pode não ter ficado claro o suficiente. Quando digo que a interpretação do texto (principalmente no início do Gênesis) não deve ser feita de forma literal, não quero dizer que tudo seria um "conto de fadas" e que, portanto, não teria a devida validade. Muito pelo contrário! O que quis dizer é que o estudo deve ser feito com todo o cuidado levando em conta diversos aspectos da época da escrita (que não é a mesma época narrada) e vários outros pontos que já citei.

Assim, por exemplo, acho interessante citar aqui brevemente a questão do Pecado Original. Embora a narrativa fale do fruto da árvore que havia sido proibido para os seres humanos e possamos afirmar que o gênero literário aqui comporta alguns símbolos, o fato é que houve um acontecimento no período inicial da humanidade onde o primeiro ser humano cometeu um ato que foi contrário à sua natureza, contrário ao objetivo para o qual ele foi criado (ou para o qual ele evoluiu) e que isto causou uma desordem que se propagou para a especie inteira. (cf. CIC 390)

Deus ao infundir a alma espiritual no ser humano, também havia lhe concedido a graça original, simbolizada pela grande harmonia no Paraíso, onde ele passeava com Deus - o "lugar" de encontro com Deus. Ao contrariar a vontade de Deus, querendo decidir por sua própria conta o que é bem e o que é mal (daí a arvore da ciência do bem e do mal), ele acaba indo contra a graça original e a perde. Esta "falta" da graça original se propagou pela espécie - daí o pecado original.

A partir daí, a natureza do homem continua boa, pois assim foi criada. Entretanto, encontra-se como que "enfraquecida", machucada, lesada. Mesmo quando a graça passa a habitar em um ser humano pelo batismo, a natureza permanece enfraquecida mas, com a graça, pode ser vencedora - eis o combate espiritual que experimentamos a cada dia.

O Catecismo da Igreja Católica trata muito bem deste tema nos parágrafos 385 a 421. Recomendo mesmo esta leitura.
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sábado, 23 de abril de 2011

A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

"2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

"A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
VERDADE: Abrace-me logo.
HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

Texto e Direção: Wilde Fabio
Coreógrafo: Domingos Savio
Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


Até a próxima postagem!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cheia de Graça x Cheia de Si

Nas palavras de saudação do anjo à Maria, já é possível perceber uma alusão à Imaculada Concepção de Maria: Ela é a Cheia de Graça! Cheia, repleta, completamente preenchida pela Graça de Deus!

Aliás, dentro do mesmo assunto, quando falamos de pecado original não significa algo que o recém-nascido tenha cometido. É um conceito que nos liga aos nossos primeiros pais, ao primeiro pecado que um ser humano cometeu. É, em suma, a ausência da graça divina em nós. Essa graça estava presente em Adão e Eva, mas a humanidade a perdeu a partir desta primeira falta. Ora, se pelo Batismo recebemos o Espírito Santo em nós, é fácil intuir que o pecado original é apagado pelo Batismo.

Voltando a falar de Maria, ela é chamada de Imaculada Conceição porque ela foi concebida e nasceu sem o pecado original, ou seja, cheia da graça de Deus. Foi um privilégio, um dom único que Deus lhe concedeu: "em vistas dos méritos de Jesus Cristo, o Redentor do gênero humano, preservada isenta de toda a mancha do pecado original." (Bula Ineffabilis, DS 1641). Podemos dizer que ela foi a primeira pessoa a experimentar a salvação de Jesus, em previsão da própria salvação que Jesus iria realizar.

Ser cheia da graça de Deus é desejar fazer de sua vida uma inteira e completa ação de Deus, é seguir a vontade de Deus em tudo. Isto requer a humildade de unir a própria vontade aos desígnios de Deus. Não se trata de se anular - pelo contrário - trata-se de finalmente ser o que Deus sonhou quando nos fez e, consequentemente, é o caminho para a felicidade e realização enquanto ser humano.

Curiosamente, pensei num termo que seria o contrário para "cheia de graça" e que é bastante utilizado: "cheia de si"!
Uma pessoa cheia de si é aquela justamente que coloca suas vontades acima de tudo e de todos e, certamente, a humildade não é uma das qualidades de uma pessoa assim.

Poderíamos dizer que esta pessoa está preenchida somente de si própria, ou seja, tudo em suas ações está direcionado para si mesmo. Em outras palavras, está fechada aos verdadeiros relacionamentos que pressupõem trocas de experiência e falta o reconhecimento do outro enquanto sujeito, com desejos e anseios também. O centro de sua atenção está nela mesma.

Por isso, achei que "cheia de si" seria um bom "antônimo" para "cheia de graça", pois na primeira expressão, não há espaço para a graça de Deus que é abertura ao outro, traduzida pelo amor. A segunda é, justamente, o esvaziamento de si próprio para que a graça de Deus realize justamente aquilo para o qual fomos feitos: amar.

E o autor da salvação realizou exatamente um "esvaziamento" de si mesmo, pois sendo Deus, não se apegou às prerrogativas divinas, mas se encarnou como humano para realizar no ser humano a salvação, indo até o extremo da morte de cruz (Flp 2,6-8).

Busquemos, portanto, sermos a cada dia menos "cheios de nós" e busquemos a graça de Deus que veio habitar em nós desde nosso Batismo. Que Maria, a cheia de graça, venha em nosso auxílio e continue a interceder por nós.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Camisinha - Algo Mudou para a Igreja? Certamente Não!

Houve muito alarde a respeito de um comentário que o Papa Bento XVI fez para um livro sobre o uso do preservativo. Como respondi a um e-mail sobre minha opinião em relação a isso, resolvi postar também neste meu blog pois sei que muitas coisas se falaram por aí. Esta postagem também está no blog SEMEANDO CATEQUESE.

É sempre bom pesquisar antes em um órgão de notícias da Igreja pois outras fontes (mesmo famosas...) costumam distorcer este tipo de notícia. Recomendo acessar ZENIT.


Então, sobre camisinha, simplesmente a Igreja continua com o ensino tradicional do seu Magistério, embora possa não parecer. A doutrina da Igreja permanece clara: as relações sexuais entre 2 pessoas devem ser vividas somente dentro do casamento. Fora dele, não estão de acordo com o plano de Deus. Ora, dentro do contexto da relação sexual dentro da fidelidade de um casamento, qual a necessidade da camisinha? Nenhuma. Portanto, poderíamos dizer que a Igreja é contra a camisinha no sentido que seu uso se dá nas situações de pecado. Logo, como seu uso estaria ligado a estas situações, um pronunciamento a seu favor de forma genérica (que não é o caso) simplesmente traria a confusão, ou seja, que os comportamentos que a acompanham também seriam legítimos. Assim, a camisinha poderia ser usada como um pretexto para os comportamentos reprováveis, já que daria proteção (que também não é tão alta assim...).

Mas observemos o seguinte: o Papa falou de um caso específico - os garotos de programa ou, por extensão, as prostitutas. Estes já tomaram sua decisão de não seguir os ensinamentos da castidade. Não é o uso ou não da camisinha que os farão parar com seu comportamento.

É como se disséssemos: "Não prossigam neste caminho pois não são esses os planos de Deus a respeito dos seres humanos, da família, etc. Entretanto, se sua decisão é irrevogável, então protejam-se e reduzam as chances de se contaminar ou contaminar os semelhantes usando a camisinha." Entenderam a diferença? Eles já decidiram não agir de acordo com os ensinamentos de Jesus transmitidos pela Igreja, então porque não evitar um mal maior?

Eu faço uma comparação exagerada para perceber a sutileza da questão (como toda comparação, não é totalmente igual - apresenta apenas algum aspecto comum para ajudar a esclarecer): Digamos que uma pessoa muito querida tenha tomado a irrevogável decisão de matar alguém e nada o remova dessa decisão. Suponhamos que não há como impedi-la. Diríamos então para que ela fosse sem colete a prova de balas, já que o uso do colete só é permitido por policiais a serviço da população ou por inocentes sob proteção da justiça? Claro que não! Espero que o exemplo tenha ajudado e não prejudicado.

Causou este rebuliço todo porque creio que nenhum Papa tenha entrado em detalhes como esse até hoje, mas o ensinamento continua o mesmo.

Não é por isso que podemos dizer que governos que distribuem camisinha simplesmente estejam corretos, porque neste caso, há um incentivo às relações sexuais abertas, pressupondo que sejam seguras (seguras???). Não é o caso das prostitutas e garotos de programa que já tem sua decisão tomada, independente de camisinha ou não.

Portanto, pra mim não mudou nada no ensinamento e sua aplicação. Entretanto, é claro que parte da imprensa vai jogar com isso para dizer que a Igreja está revendo seus ensinamentos e tentar generalizar para outros casos.

"Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará" (Jo 8,32) Não nos contentemos com meias verdades!

domingo, 31 de outubro de 2010

Misericórdia, Justiça, Amor e Onipotência Divina

Hoje, domingo 31/10/2010, participei da Missa pela manhã e a primeira leitura foi Sb 11,22-12,2. Senti vontade de comentá-la e voltar a escrever aqui no meu blog pois achei que o trecho é fantástico.
Segue o trecho:

Cap.11,

22. Diante de vós o mundo inteiro é como um nada, que faz pender a balança, ou como uma gota de orvalho, que desce de madrugada sobre a terra.
23. Tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo; e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens.
24. Porque amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum.
25. Como poderia subsistir qualquer coisa, se não o tivésseis querido, e conservar a existência, se por vós não tivesse sido chamada?
26. Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida.

Cap.12,

1. Vosso espírito incorruptível está em todos.
2. É por isso que castigais com brandura aqueles que caem, e os advertis mostrando-lhes em que pecam, a fim de que rejeitem sua malícia e creiam em vós, Senhor.

Esta é a tradução da Bíblia Ave Maria. Na tradução da Bíblia do Peregrino, o versículo 22 não usa a palavra "nada" para comparar o mundo, mas sim "um grão de areia". Assim entendemos melhor, pois um "nada" realmente não poderia pender uma balança coisa que um grão de poeira pode fazer, se a balança for sensível. De qualquer forma, a idéia básica é que, comparado a Deus Todo-Poderoso e infinito, o mundo é de fato infinitamente pequeno. Porém ressalto que, mesmo assim, não é como um nada - ele tem valor. E os versículos seguintes mostram o quanto este mundo infinitamente pequeno é totalmente importante para Deus.

Somos pequenos, mas não desprezíveis! O mundo foi criado por Deus e, portanto, Ele ama tudo o que fez. Se Deus odiasse algo, não o teria criado (versículo 24). Como custamos a aceitar muitas vezes isso no nosso dia a dia.

Mas como encaixar aqui o pecado? Se Deus abomina o pecado, porque o teria criado? Aí está a questão que não está clara para muitas pessoas: Deus não criou o pecado. O pecado é fruto da liberdade do Homem (e também dos anjos, explicando também o caso de Lúcifer, mas foquemos no caso do Homem). O que Deus criou foi o Homem livre e nessa liberdade, ele opta pelo Bem Supremo ou pelo Mal.
Portanto, simplesmente exterminar o pecado "magicamente" ou agir de forma a não deixar que o pecado surgisse seria equivalente a tirar a liberdade do Homem. Liberdade e Amor andam inseparáveis. E como Deus é amor, não seria um ato de amor simplesmente cortar a liberdade. Quem ama, deixa livre. Quem ama quer que o amado lhe corresponda ao seu amor livremente, nunca obrigado ou oprimido. E, portanto, amar é deixar espaço para outras opções que não aquelas que se deseja.

Mas isso não significa que Ele simplesmente largou o Homem de mão. Pelo contrário, desde o início, Deus vai se revelando ao Homem gradativamente (vemos isso pela Palavra de Deus no Antigo testamento) e se revela de forma plena em Jesus - Deus conosco - o modelo do Homem chamado a existir desde o início. Jesus é o novo Adão também por isso: Remete à origem do Homem, ao plano original que Deus tem para cada ser humano.

Conforme o versículo 25, tudo que permanece existindo foi chamado por Deus a existir. Já falei várias vezes aqui no blog sobre chamado e vocação. Mas e se não realizamos o chamado? Se "destoamos" do plano original de Deus para o Homem? Aqui age o Deus misericordioso, que ama a criatura: Onipotência e justiça coexistem harmonicamente com misericórdia e amor em Deus. Aliás, a perfeição de cada uma destas 4 características leva a serem plenamente conciliáveis. Há os que não conseguem conceber que um Deus justo possa ser misericordioso, pois estaria relevando as faltas. Não é bem assim. A misericórdia leva em conta a nossa pobreza comparada à grandeza de Deus - somos infinitamente pequenos, lembra? Somos limitados, somos criaturas. Se não fôssemos limitados e falíveis, seríamos iguais a Deus. Até pela filosofia vemos ser incoerente um Deus criar outro Deus. Um deles não seria Deus.

Bom, deixando a filosofia de lado, Deus vem em socorro do nosso limite, permite que sejamos corrigidos durante nossa própria vida. Embora algumas traduções se refiram muitas vezes a este comportamento como castigo (Capítulo 12, versículo 2), seria mais adequado o termo correção ou advertência. E, se pensarmos que o próprio pecado tem consequências pelo ato intrínseco que foi cometido, não podemos dizer que Deus enviou um castigo. Entretanto, por estas consequências permitidas (não causadas) por Ele, podemos vislumbrar a atitude errada e, pela graça de Deus, nos corrigir.

Se pensarmos pelo viés do castigo, qual o castigo que mereceríamos pelo menor pecado que cometêssemos a alguém que é infinito amor? Infinito seria o castigo por questão de mérito. Mas pela misericórdia, Deus age enviando seu Filho encarnado na mesma realidade de nós humanos - Jesus, o Homem por excelência. Nele, esse "justo" castigo é anulado pra aqueles que aderirem a Ele. Somente nele temos a remissão dos pecados e, por misericórdia, por justiça, por onipotência e por amor, somos salvos.

E porque Deus age assim? A resposta está no versículo 26: "Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida". Ele ama a vida que Ele mesmo criou. Não é vontade d'Ele a perdição dos vivos, mas sim que se convertam e vivam. Quem se perder, tenha certeza que é por vontade própria. O amor de Deus está disposto a salvar até o último suspiro desta vida.

Busquemos a salvação, a realização do chamado de Deus. No dia em que fui concebido no útero de minha mãe, Deus pronunciou meu nome e me chamou a existir. Imagino Deus chamando pelo meu nome: Faça-se o Antônio! E o Antônio foi feito. Pense agora em Deus chamando você à existência! Diga a mesma frase com o seu nome! E quando Ele nos chama, também já nos capacita para aquilo que Ele nos chama.

Eis aqui o segredo: Somos limitados, pois somos criaturas e não deuses. Mas, se participarmos da vida de Deus, se deixamos Seu Espírito agir em nós, apesar do nosso limite, agiremos como Deus quer. É um processo diário, contínuo - eu diria que é a vida, o processo de formação do "eu" que o Senhor queria desde sempre.

Que percebamos essa ação diária de Deus em nós. Deus nos abençoa a cada momento; mais que pedir sua bênção, peçamos a graça de percebê-la e entendê-la em nós para que cresçamos à imagem do Cristo.
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Arte - Instrumento de Evangelização

A arte, como expressão dos mais profundos sentimentos humanos, possui em sua essência a poderosa propriedade de conseguir penetrar os corações humanos, pois torna-se linguagem de coração para coração. E aqui falo sobre as mais variadas expressões de arte: poesia, música, teatro, pintura...

Infelizmente, a arte tem sido muito usada para levar mensagens não muito construtivas ou até mesmo destrutivas. Mas, em si mesma, ela não é moralmente má ou boa - é um instrumento, ou seja, o efeito depende de quem a utilizará.

Sendo expressão dos sentimentos e da inteligência humana, podemos dizer que é também uma capacidade que nos assemelha a Deus, o grande e maravilhoso artista "criador do céu e da terra".

Portanto, creio muito no poder da Evangelização pela arte porque consegue penetrar até os corações mais endurecidos e, como um veículo, leva a mensagem da salvação até este "local" das decisões humanas.

Eu vi esta encenação pela primeira vez na Vigília de Pentecostes da Paróquia Divino Salvador, na qual participo. Achei fantástica!! Não sou muito de me emocionar, mas essa peça realmente me comoveu bastante.

Graças a Magaly do Grupo de Oração da Paróquia que postou este vídeo no Orkut, consegui colocá-lo também aqui no meu Blog. Parece que foi apresentado no EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo). Desde já, se alguém do grupo que participou desta empreitada ler esta postagem, receba os meus sinceros parabéns!!

O nome no Youtube é "Lifehouse - Everything (Paróquia Divino Salvador - RJ)" pois "Everything" é o nome da música. Segue o vídeo e, logo após, a letra original da música e a tradução.

VÍDEO DA ENCENAÇÃO



ÁUDIO DA MÚSICA "EVERYTHING"



LETRA E TRADUÇÃO

(fonte - http://letras.terra.com.br/lifehouse/22814/traducao.html)

Everything

Find me here,
And speak to me
I want to feel you
I need to hear you
You are the light
That's leading me to the place
Where I'll find peace... Again

You are the strength
That keeps me walking
You are the hope
That keeps me trusting
You are the life
To my soul
You are my purpose
You're everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

You calm the storms
And you give me rest
You hold me in your hands
You won't let me fall
You steal my heart
And you take my breath away
Would you take me in
Take me deeper, now

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

Cause you're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
Everything, everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this
Would you tell me how could it be
any better than this

Tudo (Everything)

Me encontre aqui,
e fale comigo
Eu quero te sentir
Eu preciso te ouvir
Você é a luz
que está me guiando para o lugar
onde encontrarei paz... novamente

Você é a força
que me faz andar
Você é a esperança
que me faz confiar
Você é a vida
pra minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

Você acalma as tempestades
E você me dá repouso
Você me segura em suas mãos
Você não vai me deixar cair
Você roubou meu coração
E me deixou sem fôlego
Você vai me receber?
Vai me atrair mais ainda?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

Pois você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Teologia: método e pecado

Achei esta palestra do Pe. Paulo Ricardo no site dele (http://www.padrepauloricardo.org/). Neste site há muito material interessante. Não acessei muitas matérias ainda, mas já ouvi também outras pregações e entrevistas com este padre em outros lugares e gostei bastante.

O link para a esta palestra (em áudio) é este:
http://www.padrepauloricardo.org/site/?p=3
Assunto da Palestra: "O homem, criado para uma vocação divina, está marcado pelo pecado (filáucia). A investigação teológica deve levar isto em conta. Embora teoricamente possível, o método indutivo (teologia de baixo) tem produzidos mais males do que bem, especialmente nas atuais circunstâncias de crise eclesial." (retirado do site original citado acima)

Agora, se prepare para ouvir "poucas e boas"...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Construção do Próprio Ser Humano

Em continuação ao tema: "Desejo de não sentirmos dor..." (clique para ler), onde conversamos sobre o problema de "sofrer por medo de sofrer", é interessante falar sobre o ser humano que se constrói.

O ser humano é a criatura viva que nasce menos "pronta" para tudo. É a que mais depende dos pais no início de sua vida e a que demora mais "tempo" para seguir de forma independente. Isto porque, em compensação, o ser humano é o que mais facilmente consegue se adaptar ao meio ou adaptá-lo para que sobreviva - é o mais flexível.

Esta construção do ser humano que seremos depende do que já construímos e do que construirmos no presente. Aqui, aparece uma das evidências do dom da liberdade concedido por Deus a nós.

Nesta liberdade, posso realmente optar, decidir o caminho a seguir, decidir "como me construir". O ser humano tem essa capacidade de ser autor e protagonista da própria história, para que "seja líder de si mesmo" (conforme livro de mesmo nome de Augusto Cury). Como não poderia ser diferente, isto também é uma opção nossa pois também podemos decidir ser apenas atores coadjuvantes em nossa própria história.

Porém essa liberdade é muitas vezes confundida com seguir as vontades do instinto, seguir qualquer pensamento que nos alcança, seguir os impulsos que nos surgem, seguir o que "nos der na telha"...

Ora, não seria isto, ao contrário, prisão? Escravidão?

Nossa liberdade está, justamente, em podermos nos dominar - ter auto-domínio. Como cita o Catecismo na Igreja Católica, no parágrafo 2339: "A alternativa é clara: ou o Homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz."

Deus criou o Homem para a liberdade e não para a escravidão, muito menos para a escravidão do medo do futuro. O sofrimento é inerente à nossa condição de criaturas (já que temos limites) mas não devemos sofrer por medo de sofrer.

Eis a construção necessária do ser humano: Vencer a escravidão das paixões, dos instintos, das incoerências humanas (do pecado...) e ser verdadeiramente livre. Como disse Joseph Campbell: "Nós não nascemos Humanos, nós nos tornamos Humanos" (achei esta frase em uma folhinha do Sagr. Coração de Jesus, dia 04/12/2009)

Acho interessante falar agora sobre as 3 virtudes que recebemos de presente no Batismo e que nos auxiliam nesta luta (construção): Fé, Esperança e Amor (clique aqui para ver).

domingo, 22 de novembro de 2009

NINGUÉM CAUSA EMOÇÕES NO OUTRO...

Certa vez, Dom Wilson (Bispo auxiliar do Rio de Janeiro) trabalhou com representantes de diversas comunidades um texto com o título acima, escrito por John Powell. Foi realmente intrigante ler/ouvir que as emoções que eu sinto (inclusive os sentimentos negativos) não poderiam ser causadas por ninguém externo a mim. Apenas despertam algo que já estava em mim.
Já disse Jesus em Mc 7,15: "Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem". É plausível raciocinar, portanto, que ninguém pode me manchar com suas atitudes, palavras ou agressões. Só eu mesmo posso me permitir ser manchado. A decisão está em minha posse.
Posso me decidir por ficar chateado, murmurar ou até agredir alguém devido ao que ele(a) me fez. Só que posso também me decidir por não fazê-lo! Eis a noção mais sublime de liberdade. Quanto mais livres nós somos, mais podemos escolher e trabalhar nossa reação – afinal, somos seres racionais, não estamos presos só ao instinto.
Como numa reação química, onde misturamos um reagente em uma substância para identificar alguma propriedade dela (acidez, alcalinidade, ...), "aquilo que entra no homem" tem esta propriedade de revelar o que está "dentro do homem". E isto deve ser usado em nosso favor! Paremos de nos justificar culpando os outros por nossas reações (Adão, Eva e a serpente...). Elas apenas nos fizeram o favor de nos mostrar e ajudar a identificar em quê preciso mudar. Grande valor para isto tem a vida em Comunidade!!!
Um bom exame de consciência e uma confissão (quando necessária) nos farão ser melhores, por obra e graça do Espírito Santo. E lembremo-nos: é pela redenção em Jesus que somos livres da escravidão do pecado, da reação que pode nos manchar. Pela graça que nos foi derramada, podemos escolher – como Jesus escolheu.