BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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sexta-feira, 2 de março de 2012

CURSO:JESUS E A SUA IGREJA - Inscrições Abertas!!

CURSO

PROJETO: CONSTRUINDO SOBRE A ROCHA
MÓDULO: JESUS E A SUA IGREJA


A Comunidade Filhos da Redenção promoverá o curso "Jesus e a Sua Igreja" que vem a ser um módulo do nosso projeto "Construindo na Rocha".

O Projeto "Construindo na Rocha" tem como objetivo contribuir para a formação conforme a Doutrina Católica, visando formar católicos conscientes na vivência de sua Fé.

Neste módulo chamado "Jesus e a Sua Igreja" serão abordados temas como Revelação, Fé, Magistério e Tradição da Igreja, onde se verá porque não se pode falar de seguimento a Jesus sem falar de sua Igreja.

O curso é gratuito e será realizado em 3 sábados nos dias 17, 24 e 31/03/2012, de 14:30h às 17:00h no Salão B da Paróquia Divino Salvador.

A ficha de inscrição está disponível através do link abaixo. Basta preenchê-la e clicar no botão "Enviar formulário":

FICHA DE INSCRIÇÃO

domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre o Livre Arbítrio

Bom, agora “fui forçado” a entrar também no Facebook, uma vez que quase todo mundo migrou para lá. Mas como sou um só e já era difícil arrumar tempo para postar só neste blog, imagine dar conta dos dois (fora e-mail, resquícios do Orkut, etc...)

Assim, vou tentar pelo menos postar em ambos os lugares tudo o que eu produzir. É este o caso desta postagem. Um amigo meu postou no Face uma citação de um filósofo grego chamado Epicuro, a qual reproduzo a seguir:

"Deus quer prevenir o mal, mas não consegue? Então ele não é onipotente.
Ele consegue, mas não quer? Então ele é malevolente.
Ele quer e ele consegue? Então por que o mal acontece?
Ele não quer e não consegue? Então por que chamá-lo de Deus?"


Segue agora o comentário que fiz à postagem dele, com um pequeno acréscimo no final:

Liberdade - esta é a palavra chave! Amar não significa fazer algo ou alguém que você controle. Amar significa deixar livre. Afinal, vejamos: pode um robô amar? Ao pé da letra, o robô não pode (ou pelo menos não deveria) nem ser amado pois não tem esta capacidade em si. Ele não é livre, ele é programado e obedece a comandos. Definitivamente, para criar um ser que pudesse ser amado e amar, é necessário que este pudesse tomar decisões livremente. E, evidentemente, um ser com esta possibilidade pode decidir em não amar, em odiar... É uma possibilidade aberta. É um risco, mas um risco corrido onde alguns aceitaram amar!!! Eis a vitória.

E, em Jesus, o exemplo maior de amor, pudemos ver como é ser um ser humano conforme o plano original de Deus. Ainda poderiam pensar: mas Deus é um ser livre e ama somente, não odeia... O homem não poderia ter sido criado também perfeito no amor? Respondo com outra pergunta: Pode um Deus criar um ser perfeito? Não estaria Ele criando um outro deus? E não podem existir 2 deuses: um deles não seria verdadeiramente Deus. Logo, a criatura é sempre imperfeita - por isso é criatura. Seria o mesmo que criar um círculo quadrado. Portanto, neste contexto, há algumas coisas que Deus não pode fazer: Ele não pode deixar de amar, pois sua essência é amor - Deus é amor. Negar sua essência seria deixar de existir, o que é impossível. Criar uma criatura (que essencialmente tem limites) perfeita? não dá. O único perfeito sem limitações é Deus.

Mas Deus não nos abandona... O seu Espírito Santo não cessa de nos falar ao coração como devemos agir. Mas, como somos livres, o sim ou o não é nosso... Dizer que é impossível viver o bem também não é verdade. Jesus é o maior exemplo, mas os santos e tantos outros exemplos estão aí para nos mostrar isso.

Um abraço e lembremo-nos sempre disso: A liberdade que é a razão pela qual podemos amar e ser amados também é aquela que nos faz ser capazes de dizer sim ao amor mesmo quando o ódio bate à nossa porta. Desta decisão construiremos ou não um mundo melhor! Está em nossas mãos, pois Deus nos capacitou e nos capacita!! ;-)

O “pequeno acréscimo”: Alguns poderiam contrariar quando eu disse que quando alguns aceitaram amar, isto não é uma vitória pois não seriam a maioria ou, pelo menos, os que não aceitaram amar causam mais problemas do que os que aceitaram amar podem resolver. Ora, se alguns aceitaram amar até o limite de dar a sua vida por isso, como não dizer que Deus não é vitorioso? Ficou provado que é possível viver o amor, mesmo em nossa liberdade fragilizada pelo pecado, pela nossa limitação de criatura... Não há como dizer que o plano de Deus não é possível. O que se pode dizer, sim, é que os que resistem e dizem não a essa proposta de amor não aderiram à vitória de Deus. Eis a derrota que só ficará clara para os que persistirem no erro no final dos tempos. Lá veremos que o plano de Deus era possível para todos, pois todos tem a capacidade em si. Enfim, a decisão é nossa...


domingo, 22 de maio de 2011

A Beleza do Perdão...

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Esta postagem está no site da Comunidade Filhos da Redenção.
Este é o título de uma matéria publicada na Revista Canção Nova de Abril de 2010, de autoria de Gabriel Chalita, a qual está exposta a seguir.
Dois pontos a destacar:
1 - Excelente "slogan": 'Desculpe o transtorno, estamos em construção" - Resume bem nossa existência...
2 - Uma conclusão essencial: "Todas as pessoas erram. A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade humana e cristã: o perdão." - O perdão, mais do que um pedido de qualquer religião ou um apelo sentimental, é uma necessidade, já que todos estamos em construção e erramos. Trata-se de uma necessidade com benefícios para quem é perdoado, mas também incrivelmente benéfico para quem perdoa.

Segue a matéria - Caso as letras estejam pequenas, clique na figura e será aberta nova janela com a mesma matéria com possibilidade de ampliação:

domingo, 13 de março de 2011

Formação religiosa contínua: uma necessidade!!

Eu estava passeando na internet (ou navegando, ou surfando... o importante é estar em movimento e não parado) e encontrei o site do Padre Zezinho (http://www.padrezezinhoscj.com).
Lá, logo na página de entrada, estava um link para um artigo dele que simplesmente resume um pouco de tudo o que eu gostaria de falar sobre a necessidade de formação:
(http://www.padrezezinhoscj.com/novosite/palavra.php?id=163)

Transcrevo aqui um trecho:
"Pergunte a um católico devidamente instruído na fé e ele saberá responder porque ora, a quem ora, como ora e porque celebra algum dogma ou acontecimento. Os que leem menos sabem menos. Mas está tudo lá nos livros oficiais da Igreja. Creio e sei porque creio, celebro e sei o que celebro."

Eis o cerne de porque alguns católicos (preferi usar a palavra alguns em vez de muitos, por questão de otimismo) parecem esmorecer em sua caminhada, deixam de frequentar sua Paróquia ou até "mudam" de religião: Estes ouviram falar de Jesus, ouviram falar da Igreja Católica, ouve chamarem Maria de Nossa Senhora, querem ir para o céu mas, no fundo, não tem verdadeira compreensão de tudo isto.

Se lembrarmos dos apóstolos, que passaram 3 anos com Jesus, e que possuiam ainda tantas dúvidas...
Se lembrarmos dos primeiros Padres da Igreja (época da Patrística) que discutiram acerca de pontos fundamentais da fé...
Se lembrarmos de tantos concílios já houve na Igreja até o mais recente Concílio Vaticano II, onde vários assuntos foram discutidos à luz da fé...
Se considerarmos a quantidade de documentos que a Igreja já escreveu, incluindo o seu Catecismo...
Pergunto: Porque achamos que, como fiéis católicos, não precisamos estudar e aprofundar mais nossa fé!?? Somos tão auto-suficientes que podemos discernir sozinhos nossa fé ou somente com o que aprendemos nas aulas de catequese para a primeira comunhão lááááááá´na nossa infância? Quantas vezes fomos abordados por pessoas de outras religiões (ou de religião nenhuma) acerca de pontos de nossa fé e simplesmente, por não sabermos exatamente a explicação, acabamos dando razão a elas?

Tudo que a Igreja tem em sua doutrina tem uma explicação e está definido em algum documento escrito pela Igreja. E tudo, de alguma forma, está conectado à Palavra de Deus. O problema é que, muitas vezes, um tema puxa outro assunto como base, que puxa outro... e isso dá trabalho. E trabalho ninguém quer, mas entrar no paraíso, ahhh, todo mundo quer!!! (lembrei dessa música abaixo)

Busquemos uma melhor formação (falo isso para todos: cristãos e não-cristãos) para saber exatamente o que estamos professando e por que estamos professando. Falo aqui por mim mesmo: de tudo que já aprendi e procurei nos ensinamentos da Igreja, sempre encontrei explicação para os itens de sua doutrina. Por favor, não estou excluindo o valor fundamental da oração, mas a formação é fundamental também pois não podemos ter uma fé apenas embrionária: Fé e Razão devem ser parceiras e andar lado a lado.

A Comunidade Filhos da Redenção, da qual participo, possui um blog que contém alguns materiais de formação interessantes, além de alguns documentos da Igreja: http://filhosdaredencao.blogspot.com/

Visitem e coloquem em seus favoritos.

Um abraço a todos e vamos crescer!!!

domingo, 31 de outubro de 2010

Misericórdia, Justiça, Amor e Onipotência Divina

Hoje, domingo 31/10/2010, participei da Missa pela manhã e a primeira leitura foi Sb 11,22-12,2. Senti vontade de comentá-la e voltar a escrever aqui no meu blog pois achei que o trecho é fantástico.
Segue o trecho:

Cap.11,

22. Diante de vós o mundo inteiro é como um nada, que faz pender a balança, ou como uma gota de orvalho, que desce de madrugada sobre a terra.
23. Tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo; e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens.
24. Porque amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum.
25. Como poderia subsistir qualquer coisa, se não o tivésseis querido, e conservar a existência, se por vós não tivesse sido chamada?
26. Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida.

Cap.12,

1. Vosso espírito incorruptível está em todos.
2. É por isso que castigais com brandura aqueles que caem, e os advertis mostrando-lhes em que pecam, a fim de que rejeitem sua malícia e creiam em vós, Senhor.

Esta é a tradução da Bíblia Ave Maria. Na tradução da Bíblia do Peregrino, o versículo 22 não usa a palavra "nada" para comparar o mundo, mas sim "um grão de areia". Assim entendemos melhor, pois um "nada" realmente não poderia pender uma balança coisa que um grão de poeira pode fazer, se a balança for sensível. De qualquer forma, a idéia básica é que, comparado a Deus Todo-Poderoso e infinito, o mundo é de fato infinitamente pequeno. Porém ressalto que, mesmo assim, não é como um nada - ele tem valor. E os versículos seguintes mostram o quanto este mundo infinitamente pequeno é totalmente importante para Deus.

Somos pequenos, mas não desprezíveis! O mundo foi criado por Deus e, portanto, Ele ama tudo o que fez. Se Deus odiasse algo, não o teria criado (versículo 24). Como custamos a aceitar muitas vezes isso no nosso dia a dia.

Mas como encaixar aqui o pecado? Se Deus abomina o pecado, porque o teria criado? Aí está a questão que não está clara para muitas pessoas: Deus não criou o pecado. O pecado é fruto da liberdade do Homem (e também dos anjos, explicando também o caso de Lúcifer, mas foquemos no caso do Homem). O que Deus criou foi o Homem livre e nessa liberdade, ele opta pelo Bem Supremo ou pelo Mal.
Portanto, simplesmente exterminar o pecado "magicamente" ou agir de forma a não deixar que o pecado surgisse seria equivalente a tirar a liberdade do Homem. Liberdade e Amor andam inseparáveis. E como Deus é amor, não seria um ato de amor simplesmente cortar a liberdade. Quem ama, deixa livre. Quem ama quer que o amado lhe corresponda ao seu amor livremente, nunca obrigado ou oprimido. E, portanto, amar é deixar espaço para outras opções que não aquelas que se deseja.

Mas isso não significa que Ele simplesmente largou o Homem de mão. Pelo contrário, desde o início, Deus vai se revelando ao Homem gradativamente (vemos isso pela Palavra de Deus no Antigo testamento) e se revela de forma plena em Jesus - Deus conosco - o modelo do Homem chamado a existir desde o início. Jesus é o novo Adão também por isso: Remete à origem do Homem, ao plano original que Deus tem para cada ser humano.

Conforme o versículo 25, tudo que permanece existindo foi chamado por Deus a existir. Já falei várias vezes aqui no blog sobre chamado e vocação. Mas e se não realizamos o chamado? Se "destoamos" do plano original de Deus para o Homem? Aqui age o Deus misericordioso, que ama a criatura: Onipotência e justiça coexistem harmonicamente com misericórdia e amor em Deus. Aliás, a perfeição de cada uma destas 4 características leva a serem plenamente conciliáveis. Há os que não conseguem conceber que um Deus justo possa ser misericordioso, pois estaria relevando as faltas. Não é bem assim. A misericórdia leva em conta a nossa pobreza comparada à grandeza de Deus - somos infinitamente pequenos, lembra? Somos limitados, somos criaturas. Se não fôssemos limitados e falíveis, seríamos iguais a Deus. Até pela filosofia vemos ser incoerente um Deus criar outro Deus. Um deles não seria Deus.

Bom, deixando a filosofia de lado, Deus vem em socorro do nosso limite, permite que sejamos corrigidos durante nossa própria vida. Embora algumas traduções se refiram muitas vezes a este comportamento como castigo (Capítulo 12, versículo 2), seria mais adequado o termo correção ou advertência. E, se pensarmos que o próprio pecado tem consequências pelo ato intrínseco que foi cometido, não podemos dizer que Deus enviou um castigo. Entretanto, por estas consequências permitidas (não causadas) por Ele, podemos vislumbrar a atitude errada e, pela graça de Deus, nos corrigir.

Se pensarmos pelo viés do castigo, qual o castigo que mereceríamos pelo menor pecado que cometêssemos a alguém que é infinito amor? Infinito seria o castigo por questão de mérito. Mas pela misericórdia, Deus age enviando seu Filho encarnado na mesma realidade de nós humanos - Jesus, o Homem por excelência. Nele, esse "justo" castigo é anulado pra aqueles que aderirem a Ele. Somente nele temos a remissão dos pecados e, por misericórdia, por justiça, por onipotência e por amor, somos salvos.

E porque Deus age assim? A resposta está no versículo 26: "Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida". Ele ama a vida que Ele mesmo criou. Não é vontade d'Ele a perdição dos vivos, mas sim que se convertam e vivam. Quem se perder, tenha certeza que é por vontade própria. O amor de Deus está disposto a salvar até o último suspiro desta vida.

Busquemos a salvação, a realização do chamado de Deus. No dia em que fui concebido no útero de minha mãe, Deus pronunciou meu nome e me chamou a existir. Imagino Deus chamando pelo meu nome: Faça-se o Antônio! E o Antônio foi feito. Pense agora em Deus chamando você à existência! Diga a mesma frase com o seu nome! E quando Ele nos chama, também já nos capacita para aquilo que Ele nos chama.

Eis aqui o segredo: Somos limitados, pois somos criaturas e não deuses. Mas, se participarmos da vida de Deus, se deixamos Seu Espírito agir em nós, apesar do nosso limite, agiremos como Deus quer. É um processo diário, contínuo - eu diria que é a vida, o processo de formação do "eu" que o Senhor queria desde sempre.

Que percebamos essa ação diária de Deus em nós. Deus nos abençoa a cada momento; mais que pedir sua bênção, peçamos a graça de percebê-la e entendê-la em nós para que cresçamos à imagem do Cristo.
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Arte - Instrumento de Evangelização

A arte, como expressão dos mais profundos sentimentos humanos, possui em sua essência a poderosa propriedade de conseguir penetrar os corações humanos, pois torna-se linguagem de coração para coração. E aqui falo sobre as mais variadas expressões de arte: poesia, música, teatro, pintura...

Infelizmente, a arte tem sido muito usada para levar mensagens não muito construtivas ou até mesmo destrutivas. Mas, em si mesma, ela não é moralmente má ou boa - é um instrumento, ou seja, o efeito depende de quem a utilizará.

Sendo expressão dos sentimentos e da inteligência humana, podemos dizer que é também uma capacidade que nos assemelha a Deus, o grande e maravilhoso artista "criador do céu e da terra".

Portanto, creio muito no poder da Evangelização pela arte porque consegue penetrar até os corações mais endurecidos e, como um veículo, leva a mensagem da salvação até este "local" das decisões humanas.

Eu vi esta encenação pela primeira vez na Vigília de Pentecostes da Paróquia Divino Salvador, na qual participo. Achei fantástica!! Não sou muito de me emocionar, mas essa peça realmente me comoveu bastante.

Graças a Magaly do Grupo de Oração da Paróquia que postou este vídeo no Orkut, consegui colocá-lo também aqui no meu Blog. Parece que foi apresentado no EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo). Desde já, se alguém do grupo que participou desta empreitada ler esta postagem, receba os meus sinceros parabéns!!

O nome no Youtube é "Lifehouse - Everything (Paróquia Divino Salvador - RJ)" pois "Everything" é o nome da música. Segue o vídeo e, logo após, a letra original da música e a tradução.

VÍDEO DA ENCENAÇÃO



ÁUDIO DA MÚSICA "EVERYTHING"



LETRA E TRADUÇÃO

(fonte - http://letras.terra.com.br/lifehouse/22814/traducao.html)

Everything

Find me here,
And speak to me
I want to feel you
I need to hear you
You are the light
That's leading me to the place
Where I'll find peace... Again

You are the strength
That keeps me walking
You are the hope
That keeps me trusting
You are the life
To my soul
You are my purpose
You're everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

You calm the storms
And you give me rest
You hold me in your hands
You won't let me fall
You steal my heart
And you take my breath away
Would you take me in
Take me deeper, now

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

Cause you're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
Everything, everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this
Would you tell me how could it be
any better than this

Tudo (Everything)

Me encontre aqui,
e fale comigo
Eu quero te sentir
Eu preciso te ouvir
Você é a luz
que está me guiando para o lugar
onde encontrarei paz... novamente

Você é a força
que me faz andar
Você é a esperança
que me faz confiar
Você é a vida
pra minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

Você acalma as tempestades
E você me dá repouso
Você me segura em suas mãos
Você não vai me deixar cair
Você roubou meu coração
E me deixou sem fôlego
Você vai me receber?
Vai me atrair mais ainda?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

Pois você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

terça-feira, 2 de março de 2010

Abandono de Deus ou falsa sabedoria humana?

Recebi esta mensagem encaminhada via e-mail por meu amigo Adilson Pereira, que trabalhou comigo bastante tempo. Acho que ela diz muito sobre o atual estado das coisas... Acredito que muitos já a receberam alguma vez, mas acho providencial voltar ao assunto. Reproduzo aqui o texto e comento algo no final.

<<< . . . Início do texto . . . >>>
Uma pessoa estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela:
'Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro?'

Anne deu uma resposta profunda e sábia:
'Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós. Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou. Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua benção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?'

À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc... Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O'hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião.

Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas... A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.

Logo depois o Dr.. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima (o filho dele se suicidou) e nós dissemos: 'Um perito nesse assunto deve saber o que está falando'. E então concordamos com ele.

Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal. Então foi decidido que nenhum professor poderia tocar nos alunos...(há diferença entre disciplinar e tocar).

Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem. E nós aceitamos sem ao menos questionar. Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas, quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade. E nós dissemos: 'Está bem!'

Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino. Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de Crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição da internet. E nós dissemos: 'Está bem, isto é democracia, e eles tem o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso'.

Agora nós estamos nos perguntando porque nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado; porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios...

Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender: nós colhemos só aquilo que semeamos!!!

Uma menina escreveu um bilhetinho para Deus: 'Senhor, porque não salvaste aquela criança na escola?' A resposta dele: 'Querida criança, não me deixam entrar nas escolas!!!'

É triste como as pessoas simplesmente culpam a Deus e não entendem porque o mundo está indo a passos largos para o inferno. É triste como cremos em tudo que os Jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia, ou do que a sua religião, que você diz que segue ensina.

É triste como alguém diz: 'Eu creio em Deus'. Mas ainda assim negue a mensagem do Cristo. É engraçado como somos rápidos para julgar mas não queremos ser julgados!

Como podemos enviar centenas de piadas pelo e-mail, e elas se espalham como fogo, mas, quando tentamos enviar algum e-mail falando de Deus, as pessoas têm medo de compartilhar e reenviá-los a outros! É triste ver como o material imoral, obsceno e vulgar corre livremente na internet, mas uma discussão pública a respeito de Deus é suprimida rapidamente na escola e no trabalho.

É triste ver como as pessoas ficam inflamadas a respeito de Cristo no sábado (ou domingo), mas depois se transformam em cristãos invisíveis pelo resto da semana.
<<< . . . Aqui termina a mensagem original apenas com um acréscimo meu em vermelho entre parêntesis para estender a mensagem à várias religiões . . . >>>

Bom, não tenho como checar se houve mesmo esta entrevista nem se os nomes mencionados na mensagem são verdadeiros. Também podemos filtrar alguns exageros e apelos comuns a estes tipos de mensagens.
Mas vamos fazer um exame crítico da situação atual e analisemos: Quais são os valores presentes hoje em grande parte dos jovens (às vezes, das crianças)?

Para muitos, os sentidos de palavras como responsabilidade, obrigações, deveres, fidelidade, compromisso, amor e muitas outras foram esvaziados completamente! Hoje só se fala em curtir, prazer, fazer só o que gosta, relação descartável (usou, joga fora), direitos (sem deveres), sexo (com ou sem amor, com ou sem compromisso, com ou sem responsabilidade)... falsos conceitos de liberdade!!

Como podemos ter crescimento humano (aqui entram moral, civilidade, afetividade, senso do sagrado...) ficando só nisso? A autoridade dos pais se transformou em relação de igual para igual (quando não se inverteu de vez...), a autoridade dos professores totalmente esvaziada por estranhas teorias, a sabedoria dos mais velhos desprezada sob o pretexto de "evolução da modernidade"...

Se não víssemos tantos efeitos negativos destas mudanças de comportamento, tudo bem, poderiam ser progressos. Mas o que vemos é exatamente o contrário. E o pior e mais incrível: exalta-se essas "melhorias e progressos" e, absurdamente, pergunta-se o que se pode fazer para melhorar este mundo que está muito violento, que tem muitas crianças abandonadas, etc...

Está muito claro o que se tem que fazer, mas estamos todos dispostos a voltar no tempo em algumas coisas? Todo crescimento e toda melhoria tem seu preço, seu sacrifício, mas estamos dispostos a isso?

Lembro por fim que as grandes civilizações e impérios da humanidade (cito Roma como exemplo) começaram a ruir quando seus costumes começaram a se impregnar de imoralidades e falsidades. Castigo de Deus? Ora, neste caso, o Homem (gênero humano) colhe o que planta.
Mas agora, tudo está muito globalizado. Se o império global (não mais apenas um povo) continuar decaindo moralmente, pensemos nas conseqüências de sua ruína!! Deus nos encorage a mudar antes disso!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Arsenal de Infantilidades - Pe. Fábio de Melo

Esta pregação do Padre Fábio de Melo faz uma ligação interessante entre Gl 4,1-7 e o trabalho de Jean Piaget. É justamente a minha forma de pensar quanto ao crescimento humano, amadurecimento e construção da sua liberdade.

Não é questão de limitar a salvação ou redenção humana a um processo apenas de crescimento intelectual, moral e psíquico. Definitivamente não!!!

Mas sinceramente creio que a salvação operada por Jesus (sem a qual, não teríamos sido redimidos) necessita da nossa cooperação, do nosso "tomar posse" e isso, certamente, passa pelo amadurecimento humano, pelo trabalho de construção da liberdade. Cito aqui Santo Agostinho: "Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti" (Sermo CLXIX,13).

Reserve um tempinho para assistir esta pregação. Acho que vale muito a pena! A pregação é bem humorada, não é cansativa.

Mágica, Truques, Ilusão

Não é que eu goste muito de Carnaval. Tenho que admitir que para mim significa um "fim de semana prolongado" quando poderei fazer outra coisa que não trabalhar.
E, antes que alguém ache que sou contra o Carnaval em si, quero deixar claro que não. A festa em si, como expressão cultural, como diversão sadia (atenção, eu disse sadia!!!) ou como momento de confraternização nada tem de errado para mim. Entretanto, para muitos, o Carnaval acabou se tornando uma "desculpa" para se cometer todo tipo de excessos, de indecências, de sexo desregrado, de brigas, etc. Neste caso, o mau uso de algo que em si não é nem bom nem mau é que traz más consequências.

Mas o fato de eu não gostar muito de Carnaval é porque não sou realmente muito fã de desfiles e essas coisas. Agora, tenho que admitir que o espetáculo apresentado pela Unidos da Tijuca em sua Comissão de Frente foi fantástico. Para quem não viu ainda, tem uma amostra que peguei no youtube a seguir:


Fantástico, não?? As mágicas de troca de roupa em plena avenida que eles fizeram foram muito legais... Com a ajuda de recursos como "pause", "slow motion", etc. fica mais fácil desvendar estes truques, mas para quem estava nas arquibancadas, a ilusão foi certamente perfeita.

Certa vez eu vi na TV Canção Nova um rapaz que apresentava truques de mágica no seu trabalho de evangelização. E sua argumentação ia na seguinte linha: Se nossos olhos podem ser facilmente enganados por simples truques (e porque não os nossos outros sentidos), porque deveríamos acreditar apenas no que temos acesso através de nossos sentidos? Porque negar a realidade espiritual? Porque duvidar da ação de Deus no mundo, na história, em nossas vidas??? Realmente não é porque não vejo algo que esse algo (ou alguém) não existe...

Também, não posso acreditar simplesmente em tudo que dizem ou falam pois nem sempre as coisas são o que parecem. Não é para passar a desconfiar de tudo e de todos, mas não sejamos guiados apenas por nossos sentidos ou instintos. Temos um presente de Deus: a Razão. Com a razão, devidamente acompanhada da fé (outro presente) e em equilíbrio com esta, passamos a ter a possibilidade de errar menos, podemos crescer - "A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade." (Encíclica Fides et Ratio - João Paulo II).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Liberdade e Instinto

No tópico "Construção do Próprio Ser Humano" (clique para ler) tive o prazer de receber um comentário do Harlyson, alguém que conheci há algum tempo graças a um trabalho do Curso de Teologia que ele estava preparando sobre a Igreja Católica. De religião protestante, seus comentários são muito consistentes e sempre numa linha que se adequa perfeitamente com o objetivo deste blog que é o de crescermos.

O cerne do comentário repousa sobre a questão da liberdade e do instinto. Por ser um tema interessantíssimo, achei por bem abrir esta nova postagem sobre este assunto, além de acrescentar mais um comentário na postagem original quanto às demais considerações. Isto também porque eu não consigo me conter em poucas linhas...

Um ponto importante que talvez não tenha ficado claro no texto do tópico mencionado no início deste é que não tentei seguir uma linha dualista, mesmo porque concordo com o Harlyson - não se trata de dualismo, mas de dualidade. Somos seres com duas realidades em nós: uma espiritual e outra corporal, e ambas as realidades deste único ser chamado ser humano foram criadas por Deus, do qual lemos após a criação do mundo em Gn 1,31: "Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom." Logo, se TUDO era muito bom, o ser humano era muito bom, tanto a realidade espiritual como a corporal. E a realidade corporal inclui o instinto.

Ora, os animais racionais e irracionais possuem o instinto e ele visa ajudar às espécies a existirem, a se perpetuarem na face da Terra.

Portanto, ao dizer que "Nossa liberdade está, justamente, em podermos nos dominar - ter auto-domínio.", refiro-me a um equilíblio, onde percebo meu instinto e reflito se é correto (ou prudente, ou coerente) dar vazão a ele ou não naquele momento. Afinal, o meu instinto me leva a querer comer quando estou com fome. Que mal há nisto? Entretanto, o que dizer quando, sem regra, esta vontade de comer leva alguém à obesidade, ao risco de saúde? Neste caso, poderíamos dizer que esta pessoa seria escrava do "comer", e não livre.

E isto pode ser estendido para os demais instintos do ser humano. Não se trata aqui de não sentir os instintos, mesmo porque não senti-los seria algo anormal, algo contrário à natureza. Trata-se de mantê-los dentro do controle da razão, este dom que Deus nos deu.

Concordo com a afirmação de que a "fé" (mal esclarecida) também pode se tornar escravidão, mas aqui também entra a razão para dar equilíbrio. Vou além!! A própria razão pode escravizar num racionalismo fechado, e aqui entra a fé para dar o equilíbrio. Como diziam os gregos, a virtude está no equilíbrio! Cito aqui a frase que abre o documento "Fides et Ratio" - Fé e Razão - do saudoso Papa João Paulo II: "A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio".

A vida não precisa ser "uma prisão de medo e de angústia", como foi colocado, mas é inquestionável que nossa dualidade apresenta duas realidades que, por vezes, apontam para sentidos contrários. Já dizia Paulo (Rm 7,14-26), em resumo, que "não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero." Isto mostra que há momentos de conflito interno em que a razão, iluminada pelo Espírito de Deus, deve apontar para o caminho a ser seguido.

E isto tudo não elimina a importância do sentimento e do instinto. Ao contrário, se entrelaçam com a importância da razão, do espírito, da fé... É deste crescimento que eu quis falar, um equilíbrio que é construído ao longo da nossa vida.

Costumo ligar este tema ao trabalho de Piaget, que falava sobre a Heteronomia e a Autonomia como duas das etapas da construção do ser humano, que ocorrem durante a sua vida.

A Heteronomia se traduz em observar uma regra que simplesmente vem de fora, que existe "fora de mim" e, portanto, não é interiorizada. A regra é seguida por medo, seja medo de uma bronca, de uma agressão física ou simplesmente de desagradar ao "mandante". Nesta fase, se a criança encontra uma forma e se sente motivada a agir contra a regra sem que seja descoberta, ela o fará pois o que a fazia seguir a regra era única e exclusivamente o medo de uma "punição". Lembram quando eu concordei que a "fé" pode se tornar escravidão? Pois é... se for nesta atitude de heteronomia, certamente será ("No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor." - I Jo 4,18)

A Autonomia se traduz em se envolver com a regra. Nas crianças, isto é estimulado (por exemplo) através de trabalhos em grupo, onde existem regras que são consensadas entre elas e, aos poucos, elas percebem a necessidade delas. Percebem que, por exemplo, em alguns momentos há a necessidade de um líder que definirá o caminho a seguir, ou em outros instantes, que a maioria definirá por votação...

Percebe-se gradualmente que existem regras que são universais, assim como a noção de direitos e deveres, e isto é claramente um exercício da razão humana que vai crescendo. Aos poucos, as regras vão sendo cumpridas não por medo de uma punição ou retaliação, mas porque é o melhor a ser feito para o bem comum.

Existe um momento na vida da criança em que esta mudança se inicia. Porém, é verdade que nem sempre agimos na autonomia mesmo quando adultos... logo, estamos constantemente em crescimento, em aperfeiçoamento desta autonomia. Neste processo, vamos aos poucos freando aquilo que, na nossa avaliação, não seria conveniente realizar, visando o bem comum e o meu próprio bem.

Portanto, na minha opinião, vejo aqui a liberdade de optar que vai sendo construída a partir do momento em que vou sendo capaz de efetuar um diálogo interno entre a razão e o instinto, para chegar à melhor ação.

Ligando este assunto agora à realidade espiritual, se o Espírito Santo iluminar meu espírito neste "diálogo interno", vou tender a realizar as ações mais adequadas. Vejam que usei o termo "iluminar" e não "forçar" ou "comandar", pois Deus aqui nos ilumina, mas a decisão e a responsabilidade continuam sendo minhas.

Por fim, como somos criaturas e temos limites, não há como estar livre de erros em todas as nossas atitudes. Mas o que vale é o firme propósito de querer crescer na liberdade de filhos de Deus. Ele olha nossa luta diária e nos dá a sua graça para seguir crescendo.

Saudações em Cristo!!

Ah, Harlison, você pediu desculpas no comentário por ter escrito demais? Logo para mim, que não consigo me conter em poucas palavras (rsrsrs)... Pode escrever à vontade e saiba que é sempre bem vindo neste blog, ou melhor, nesta partilha!

Deus lhe abençoe!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Eternidade e o Tempo

A vivência das virtudes da Fé, Esperança e Amor (clique para ler) auxiliam no nosso crescimento como seres humanos, pois nos colocam na fé, na esperança e no amor em um Deus que faz junto conosco essa trajetória de crescimento.

Sobre a Eternidade, disse S. Agostinho em suas "Confissões": "Na eternidade nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente". Disse também S. Paulo em I Cor 13,8.13: "A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade."

Portanto, a Eternidade que agora esperamos na fé é um eterno presente, onde não existe o tempo para poderem existir passado e futuro. Também "lá" (entre aspas porque a Eternidade não é um lugar) apenas o amor existirá, uma vez que a fé é uma certeza a respeito do que não se vê (cf. Hb 11,1) e ver o objeto da esperança já não é esperança (cf. Rm 8,24). Ora, lá já veremos o objeto de nossa esperança e de nossa fé!

Mas por enquanto, peregrinamos no tempo que nos é dado para nosso crescimento, nossa construção como seres humanos livres, nossa salvação, nossa redenção... Neste tempo, além do amor, temos a fé que nos sustenta e a esperança que nos lança para frente, com um olhar n'Aquele que nos dá a esperança da nossa ressurreição pela fé na Sua própria ressurreição - Jesus. E tudo isso porque "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16)

Neste contexto, o batismo nos insere na comunidade de fé que é a Igreja. Esta comunidade, representada em primeiro lugar pelos pais e padrinhos, tem a responsabilidade de nos transmitir esta fé pela Palavra de Deus e pela Tradição. Nesta fé se apóia a nossa esperança na vida eterna, associada à morte e ressurreição de Jesus justamente no batismo. E tudo isto por amor, um amor infinito que não se acaba, o amor do Deus eterno que é o próprio amor (cf. I Jo 4,8)

Cito aqui uma frase de Simone Weil que encontrei da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus no dia 16/12/2009: "O tempo é a espera de Deus que mendiga nosso amor".

Assim, para os temas (clique nos links se quiser ler o que escrevi nestas postagens):

- Quem roubou nossa coragem? - Ninguém a roubou, está escondida embaixo de nossas falsas seguranças. Mas Jesus nos diz "No mundo haveis de ter aflições. Coragem, eu venci o mundo." (Jo 16,33)

- Desejo de não sentirmos dor - Se o medo de sentirmos dor e sofrimento já nos causa dor e sofrimento, cito a passagem lembrada pelo Carlos em seu comentário à minha postagem, onde Jesus nos diz “não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6, 34)

- Construção do próprio ser humano - Aqui, cito Paulo: "A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores." (Ef 4,11-14)

- Fé, esperança e amor - São presentes fundamentais de Deus para nosso crescimento, pois "As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina (cf 2Pd 1,4)... (As virtudes teologais) são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna." (Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1812 e 1813)

Termino esta série de temas que começou a partir de dois pequenos trechos da música "Quando o sol bater na janela do seu quarto" (Legião Urbana) com um versículo que me diz muito e que me tocou logo na primeira vez que o ouvi:

"Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8,31)

A paz de Jesus, o Rei da Paz, a todos!

Fé, Esperança e Amor

Bom, em resumo, tenho falado nos últimos tópicos sobre:
- "Quem roubou nossa coragem..." - Acomodação que cria fugas.
"Desejo de não sentirmos dor..." - Sofremos com medo de sofrer.
- "Construção do ser humano no tempo" - Crescer na liberdade X Parar na escravidão.

Acho interessante refletir agora sobre as chamadas "Virtudes Teologais" (recebidas no Batismo) e uma interessante relação delas com os três tempos (passado, presente e futuro).

- A Virtude da Fé e o Tempo Passado

A nossa fé nos foi transmitida, é dom enquanto capacidade mas, para chegar até nós, "a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo." (Rm 10,17)

Esta pregação ocorre em relação à Palavra de Deus já escrita, à história já passada por tantos de nossos semelhantes quando experimentaram a presença, a revelação gradual de Deus até o seu ápice em Jesus Cristo, o próprio Deus que vem até nós.

E não para por aí, já que após Cristo, outras pessoas vão experimentando Deus em suas vidas em consonância com a Palavra revelada, história esta que vai compondo o que chamamos de Tradição da Igreja.

É neste passado de experiências com Deus que nossa fé inicialmente se baseia, que encontra "base". E, com o passar do tempo, temos nossas próprias experiências com Deus que vão se agregando a essa base - o nosso passado que se une aos nossos antepassados na fé.

- A Virtude da Esperança e o Tempo Futuro

Esta analogia é bem mais fácil, já que é a esperança que lança um olhar para o futuro. Porém, tem estreita ligação com a fé que nos foi transmitida, com a revelação de Deus.

É possível ter esperança sem crer em Deus? Poderíamos até dizer que sim, mas é uma esperança que não encontra base sólida, pois "a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados" (Hb 11,1-2) Tratar-se-ia de um futuro que não tem um olhar na experiência de tantos antepassados que esperaram o cumprimento das promessas de Deus e não foram decepcionados.

- O Virtude do Amor (Caridade) e o Tempo Presente

A fé dos antepassados é base para nossa fé, mas se esta não é vivida no presente, de que adianta? "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26). Esta fé precisa ser vivida e experimentada hoje por nós, e isto acontece nas relações que estabeleço: comigo mesmo, com Deus, com o próximo e com a natureza. O equilíbrio nestas 4 relações se estabelece quando vividas no amor, na abertura ao outro (alteridade) e não no fechamento em nós mesmos.

Portanto, se vivermos hoje pelo amor "firmes na fé, alegres na esperança, e solícitos na caridade" (cf. bênção final da missa do terceiro Domingo do Advento), não precisamos sofrer por medo de sofrer. Vivamos hoje no amor, na caridade.

As virtudes teologais nos capacitam para o crescimento rumo à vida eterna. Nada melhor do que falar sobre "A Eternidade e o Tempo" (clique aqui para ler) na próxima postagem.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Construção do Próprio Ser Humano

Em continuação ao tema: "Desejo de não sentirmos dor..." (clique para ler), onde conversamos sobre o problema de "sofrer por medo de sofrer", é interessante falar sobre o ser humano que se constrói.

O ser humano é a criatura viva que nasce menos "pronta" para tudo. É a que mais depende dos pais no início de sua vida e a que demora mais "tempo" para seguir de forma independente. Isto porque, em compensação, o ser humano é o que mais facilmente consegue se adaptar ao meio ou adaptá-lo para que sobreviva - é o mais flexível.

Esta construção do ser humano que seremos depende do que já construímos e do que construirmos no presente. Aqui, aparece uma das evidências do dom da liberdade concedido por Deus a nós.

Nesta liberdade, posso realmente optar, decidir o caminho a seguir, decidir "como me construir". O ser humano tem essa capacidade de ser autor e protagonista da própria história, para que "seja líder de si mesmo" (conforme livro de mesmo nome de Augusto Cury). Como não poderia ser diferente, isto também é uma opção nossa pois também podemos decidir ser apenas atores coadjuvantes em nossa própria história.

Porém essa liberdade é muitas vezes confundida com seguir as vontades do instinto, seguir qualquer pensamento que nos alcança, seguir os impulsos que nos surgem, seguir o que "nos der na telha"...

Ora, não seria isto, ao contrário, prisão? Escravidão?

Nossa liberdade está, justamente, em podermos nos dominar - ter auto-domínio. Como cita o Catecismo na Igreja Católica, no parágrafo 2339: "A alternativa é clara: ou o Homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz."

Deus criou o Homem para a liberdade e não para a escravidão, muito menos para a escravidão do medo do futuro. O sofrimento é inerente à nossa condição de criaturas (já que temos limites) mas não devemos sofrer por medo de sofrer.

Eis a construção necessária do ser humano: Vencer a escravidão das paixões, dos instintos, das incoerências humanas (do pecado...) e ser verdadeiramente livre. Como disse Joseph Campbell: "Nós não nascemos Humanos, nós nos tornamos Humanos" (achei esta frase em uma folhinha do Sagr. Coração de Jesus, dia 04/12/2009)

Acho interessante falar agora sobre as 3 virtudes que recebemos de presente no Batismo e que nos auxiliam nesta luta (construção): Fé, Esperança e Amor (clique aqui para ver).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Desejo de não sentirmos dor...

Ligado à questão da ACOMODAÇÃO de que tratei no tema "Quem roubou nossa coragem..." (clique para ler), existe uma outra frase na música "Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto" do Legião Urbana que também me chamou muito a atenção:

"Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo
De não sentimos dor."
 
Ninguém "normal" gosta de sentir dor, é claro. Só que chegamos a extremos de termos tanto medo de situações que podem nos causar dor ou sofrimento, que este medo já gera dor e sofrimento. É impressionante como passamos a vida sofrendo por antecipação por algo que nem sabemos realmente se vai acontecer ou se vai causar realmente tanta dor!
 
Penso que a acomodação excessiva de que falei no outro tema também é vilã nesta questão, pois os tais confortos acabam nos acostumando de uma tal forma que perder um destes "confortos" significa, para alguns, o caos. E, novamente falando de extremos, para alguns qualquer vento contrário, qualquer situação que ameace um destes confortos causa sofrimento. Para estes, realmente, "tudo é dor" e a simples possibilidade de passar por essa "dor" já causa um sofrimento antecipado. Neste caso, o "desejo de não sentirmos dor" já causa dor - que coisa malluca, não??!
 
Santo Agostinho, ao escrever suas "Confissões", fala algo que pode nos ajudar neste assunto. Ao tocar no assunto do passado, presente e futuro, ele fala que o passado é algo presente apenas na memória e o futuro é algo que ainda se espera. Estes dois tempos, na realidade, não existem "fisicamente". Só existe realmente o presente e este mesmo dura um tempo infinitesimal (que tende a zero) pois, se durasse mais, uma parte dele já seria passado e outra parte ainda seria futuro.
 
O livro "Tecendo o Fio de Ouro" da Comunidade Shalom (aliás, muito bom) também fala sobre isso em uma parte dele. Não podemos parar no passado, em alguma situação que nos fez sofrer ou em outra que sirva de fuga para nossa situação atual! Também não podemos viver somente "pré-ocupados" (ocupados por antecipação) com o futuro, ou seja, sofrendo pelo medo de sofrer! Temos o presente e este "rio" que é a nossa vida tem que fluir normalmente, "descongelando" (se ficou parado) o passado e construindo no presente o futuro que esperamos.
Na realidade, trata-se de um trabalho de "Construção do próprio ser humano" (clique aqui para ver) no tempo que não para.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Quem roubou nossa coragem...

Há mais ou menos 2 meses eu estava ouvindo a música "Quando o sol bater na janela do seu quarto" do Legião Urbana. Eu já havia escutado muitas vezes esta música mas desta vez alguns trechos me chamaram muito a atenção. Um deles foi este:
"Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?"
 
Esta frase pode ser ouvida com nostalgia: quando aceitávamos mais desafios, quando queríamos mudar o mundo ao redor, quando tínhamos mais ousadia para transformar o que achávamos errado (ou pelo menos tentar)...
 
Mas porque os verbos no passado? Onde realmente está nossa coragem? Foi roubada por quem? Para mim a palavra chave é ACOMODAÇÃO!!! Falo aqui de mim mesmo, mas sinta-se à vontade de enxergá-la ou não em você.
 
Tenho visto o mundo ficar cada vez mais cômodo: facilidades tecnológicas, diversões mil ao simples comando de um controle remoto ou de um teclado de computador, o alívio de uma dor através de um simples comprimido...
 
Não vejo estas conquistas da ciência humana como negativas em si mesmas. O que vejo é que muitos de nós acabamos nos acomodando com esses confortos a ponto de não nos incomodarmos mais com muitas coisas erradas no mundo e que poderíamos mudar (ou tentar pelo menos).
 
A verdade é que a própria educação não tem ajudado muito. Como comenta Augusto Cury, em seu livro 'Pais Brilhantes, Professores Fascinantes': "As crianças e os jovens aprendem a lidar com fatos lógicos, mas não sabem lidar com fracassos e falhas... São treinados para fazer cálculos e acertá-los, mas a vida é cheia de contradiçõs, as questões emocionais não podem ser calculadas, nem tem conta exata. Os jovens são preparados para lidar com as decepções? Não! Eles são treinados apenas para o sucesso. Viver sem problemas é impossível. O sofrimento nos constrói ou nos destrói..."
 
Tudo isto acaba escancarando as portas para os extremos das fugas frente às dificuldades e derrotas da vida que aparecem: drogas, alcoolismo, ...
Onde está nossa coragem?? Para mim, ela está dentro de cada um de nós, mas acomodada. Ninguém a roubou, está escondida embaixo de tantos confortos e falsas seguranças que deixamos acumular em cima dela. A prova disso é que, em alguns momentos quando as dificuldades chegam a um extremo "insuportável", vemos aparecer esta coragem com atitudes das quais até dizemos: "Puxa! Nunca achei que fosse capaz de fazer o que fiz..."
 
E esta acomodação tem muito a ver com uma outra frase da mesma música, que comento no tema: "Desejo de não sentirmos dor" (clique para ler).

sábado, 28 de novembro de 2009

Me conhecer em comunidade?

Para nos conhecermos melhor, temos como meio a oração, conforme já escrevi no Tema "Mas como assim vocação?" (clique aqui para ler).

Mas existe também um meio muito importante: a vida em comunidade. É quando nos deparamos com as diferenças em relação a nossos irmãos que tomamos consciência de quem somos. Não se trata, numa primeira análise, em definir certo ou errado. Trata-se de melhor conhecer quem somos na medida em que identificamos aquilo que não somos nas atitudes do outro.

E não só isso! Eu tenho reações, dependendo do que meu irmão faz. Conforme já falei no tópico "NINGUÉM CAUSA EMOÇÕES NO OUTRO..." (clique aqui para ver), os sentimentos que brotam em mim quando reajo a alguma ação de alguém não é colocado em mim por ele. Na realidade, as razões deste sentimento já estavam em meu coração - só foram despertados pelo outro. E ao serem despertados, posso conhecê-los.

Meus irmãos da Comunidade Filhos da Redenção (a qual pertenço) tem me ajudado muito a me conhecer, mesmo porque são muito diferentes de mim. Melhores? Não!! - Piores? Não!! - São diferentes e, por isso, me fazem crescer.

É importante perceber que podemos estar sendo (perdoem este "gerundismo", mas achei que expressa bem o que eu quero dizer) não o que Deus nos vocacionou, mas sim outras coisas que fomos acumulando por cima do chamado inicial. Para poder discernir isso, em primeiro lugar preciso ver quem estou sendo (perdoem de novo) e quem eu sou, por baixo de tudo que foi se acumulando.

Como eu disse, o fato de percebemos quem somos agora e que somos diferentes uns dos outros ainda não define se este ou aquele está certo ou errado. Isto só percebemos quando vamos ao outro meio: o meio da Oração. É aqui que, quando conversamos francamente com Deus, vamos:

  • desenterrando, trazendo à tona o que é chamado de Deus
  • mantendo aquilo que acumulamos em nosso crescimento pessoal e que colabora com o chamado
  • lutando para retirar aquilo que não colabora, que não edifica.
Deus e a Comunidade: Com eles eu me conheço e posso realizar minha vocação, posso ser feliz, posso já antecipar em parte o céu aqui na terra. E isto só é possível no amor. Não é a toa que temos esta afirmação de Nosso Senhor Jesus Cristo em Mc 12, 29-31:

"Jesus respondeu-lhe: 'O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe.'"

Portanto, a fundamental vocação (de onde derivam as demais) é o amor, conforme a Encíclica Familiaris Consortio 11: "Deus é amor (I Jo 4,8.16) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem... (Gn 1,26-27), Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão.”

Mas como assim vocação?

Ora, sei que existe uma vocação de Deus para mim. Já falei sobre isso no Tema "Sou chamado pelo nome???" (clique aqui para ler)

Mas como assim vocação?

Não digo apenas quanto à vocação Sacerdotal, Religiosa ou Matrimonial (mas também as incluo). Quero englobar a vida como um todo. Temos também uma vocação profissional que é fruto não só do chamado de Deus, mas também da herança genética de nossos pais, responsável por nos dotar de aptidões. É claro que até nessa herança genética temos a mão de Deus (ou a voz de Deus no "faça-se" - neste caso no "façamos" de Gn 1,26).

Temos "hobbies", temos gostos particulares, temos um temperamento bem pessoal, temos tanta coisa que nos faz sermos especiais, únicos, irrepetíveis. E é tudo isso que, por ser fruto da vocação - do chamado a existirmos, nos serve de "pista" para descobrirmos a nossa vocação.

Precisamos nos conhecer. Precisamos ter a coragem para olharmos para dentro de nós mesmos e procurarmos quem nós somos. E isto, certamente, precisa da ajuda de Deus - Aquele que sabe "tim-tim por tim-tim" quem somos. E, na oração, na intimidade com Deus é que conseguimos nos conhecer melhor. Não só Ele se revela a nós, mas também nos revela a nós mesmos, principalmente ao expormos a nossa vida à Ele.

Muitas vezes me questionei porque precisava falar de minha vida para Deus em minhas orações, já que Ele conhece tudo. Mas é em cima dessa "matéria-prima" que apresento a Deus que Ele me faz enxergar aquilo que sozinho eu não poderia ver ou fazer.

É só lembrar Mc 10,51-52: "Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: 'Que queres que te faça?'" Uma pergunta meio óbvia a um cego, não?? E a resposta não foi diferente da esperada: "Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja!" Mas era preciso o cego afirmar claramente o que queria, dizer o que precisava. Só em cima disso, concretamente, Jesus pôde dizer "Vai, a tua fé te salvou."

Bom, e se Jesus chegasse hoje para você e perguntasse "Que queres que te faça?" Você teria algo na ponta da língua para dizer? Você apresentaria uma necessidade real ou um desfile de vontades que apenas "encobrem" cada vez mais a sua vocação?

Essa vocação nos faz encontrar o nosso lugar nessa engrenagem que é o projeto do Reino de Deus, no plano de Salvação que Deus quer fazer acontecer para que cada um realize sua vocação e seja feliz.

Mas esse conhecimento de nós mesmos não acontece somente na oração. Acontece também na vida em comunidade.

Continua em "Me conhecer em comunidade?" (clique aqui para ler)

domingo, 22 de novembro de 2009

NINGUÉM CAUSA EMOÇÕES NO OUTRO...

Certa vez, Dom Wilson (Bispo auxiliar do Rio de Janeiro) trabalhou com representantes de diversas comunidades um texto com o título acima, escrito por John Powell. Foi realmente intrigante ler/ouvir que as emoções que eu sinto (inclusive os sentimentos negativos) não poderiam ser causadas por ninguém externo a mim. Apenas despertam algo que já estava em mim.
Já disse Jesus em Mc 7,15: "Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem". É plausível raciocinar, portanto, que ninguém pode me manchar com suas atitudes, palavras ou agressões. Só eu mesmo posso me permitir ser manchado. A decisão está em minha posse.
Posso me decidir por ficar chateado, murmurar ou até agredir alguém devido ao que ele(a) me fez. Só que posso também me decidir por não fazê-lo! Eis a noção mais sublime de liberdade. Quanto mais livres nós somos, mais podemos escolher e trabalhar nossa reação – afinal, somos seres racionais, não estamos presos só ao instinto.
Como numa reação química, onde misturamos um reagente em uma substância para identificar alguma propriedade dela (acidez, alcalinidade, ...), "aquilo que entra no homem" tem esta propriedade de revelar o que está "dentro do homem". E isto deve ser usado em nosso favor! Paremos de nos justificar culpando os outros por nossas reações (Adão, Eva e a serpente...). Elas apenas nos fizeram o favor de nos mostrar e ajudar a identificar em quê preciso mudar. Grande valor para isto tem a vida em Comunidade!!!
Um bom exame de consciência e uma confissão (quando necessária) nos farão ser melhores, por obra e graça do Espírito Santo. E lembremo-nos: é pela redenção em Jesus que somos livres da escravidão do pecado, da reação que pode nos manchar. Pela graça que nos foi derramada, podemos escolher – como Jesus escolheu.