BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

Pois é... Olha essa data aí de novo: Natal!!

Mas uma coisa é muito estranha... Parece que cada vez menos pessoas falam do real significado da data. Fala-se de Papai Noel (que não é o aniversariante), de paz e de luz (que não surgem do nada) e há quem fale de uma noite mágica, capaz de aproximar os seres humanos - como se um passe de mágica pudesse realizar isso.

Ora, cristãos ou não, aqueles que querem comemorar o Natal e que desejam os frutos de paz, de luz, de unidade (e tantos outros que são mencionados nesta época) precisam saber porque esta é uma data tão importante e real, o que ela realmente significa para os cristãos, o que está envolvido e, a partir daí, mesmo que não compartilhem das mesmas crenças, saibam tudo o que um cristão quer dizer quando deseja um Feliz Natal. Acho que, somente assim, poderemos começar a construir realmente os frutos tão almejados de forma que não sejam apenas uma "trégua" de 24 horas, mas duradouros.

Dizer que o Natal é a data em que comemoramos o nascimento de Jesus já é um bom começo (uma vez que muitos até acham que o Papai Noel é o aniversariante), mas ainda muito pouco para expressar o evento inédito que acontece na história da humanidade neste nascimento. Aquele menino que nasceu em Belém é o próprio Deus que nasce como um ser humano! Loucura para qualquer pensamento humano, mas o Deus todo-poderoso vem até nós se encarnando como ser humano, com seus limites, suas dificuldades, seus sofrimentos e alegrias... E sabe porquê? Porque o ser humano se afastou de Deus pelo egoísmo, pela indiferença, pela injustiça - em suma, pelo pecado.

Caramba!!! O ser humano se afastou de Deus, ofendeu as Suas recomendações para que pudéssemos viver em harmonia e em paz, gerou guerras com seus irmãos... e Deus o que faz? Não se apegou a sua soberania e poder, mas veio até nós como um de nós, por nossa causa, por Seu amor por nós.

É isso que comemoramos no Natal!!! Jesus é Deus conosco! Deus, que é todo-poderoso, veio até nós que o ofendemos - porque não devo eu fazer o mesmo em relação àquele que me ofendeu? Porque não devo tentar me livrar dos pensamentos maus que me escravizam e que, no fundo, só fazem mal a mim mesmo? Até quando será que não perceberemos que sentir ódio ou raiva de alguém é o mesmo que beber veneno achando que o outro é que será afetado? Percebem que aqui está um fator primordial para se conseguir os frutos de paz, harmonia, luz e alegria que tanto almejamos?

Porém é claro que, como seres humanos, somos fracos para que uma simples decisão se torne ação. Há verdadeiros turbilhões de sentimentos, sofrimentos, feridas que nos fazem tomar outras direções, mesmo quando decidimos algo. Para isso, Deus aí está para nos ajudar! A partir do momento em que Deus se fez Homem em Seu Filho Jesus, nós fomos também beneficiados. Deus se fez pobre homem para que o Homem fosse enriquecido em sua natureza. Podemos contar com a força espiritual de Deus - que não é uma simples força, mas o próprio Espírito Santo de Deus agindo em nós.

Portanto, não há nada de magia. Há sim a graça de Deus agindo no esforço humano! Deus faz a parte d'Ele. E nós, estamos dispostos a fazer a nossa? Eis o real convite que é relembrado na noite de Natal, mas que precisa se estender por todos os dias da nossa vida. O convite a ultrapassar o que nos faz mal e fazer o bem, a acabar com o rancor e dar vez ao amor, a superar as trevas e deixar brilhar a luz de Deus em nossas relações familiares, de amizade, de trabalho...

E, por fim, Deus se fez um de nós - em Seu Filho Jesus somos também filhos de Deus. Não há como falar em fraternidade (irmãos) se não falamos de um Pai comum. Liberdade, Igualdade e Fraternidade são irrealizáveis se não partirem de um ponto comum - Deus é nosso Pai!

Este sim é o Natal que desejo. O Papai Noel é hoje apenas um apelo comercial que está longe de ser o sentido desta data. O presente principal que daremos aos outros e a nós mesmos será um coração mais leve, mais aberto ao irmãos.

Agora sim!! Um Feliz Natal repleto de todas as graças que Deus quer derramar na vida de cada um de vocês e que estas graças se estendam pelo ano de 2012, dando-lhes força para buscarem e alcançarem todos os frutos e resultados que vocês almejam.

Um abraço,
Antônio José

domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre o Livre Arbítrio

Bom, agora “fui forçado” a entrar também no Facebook, uma vez que quase todo mundo migrou para lá. Mas como sou um só e já era difícil arrumar tempo para postar só neste blog, imagine dar conta dos dois (fora e-mail, resquícios do Orkut, etc...)

Assim, vou tentar pelo menos postar em ambos os lugares tudo o que eu produzir. É este o caso desta postagem. Um amigo meu postou no Face uma citação de um filósofo grego chamado Epicuro, a qual reproduzo a seguir:

"Deus quer prevenir o mal, mas não consegue? Então ele não é onipotente.
Ele consegue, mas não quer? Então ele é malevolente.
Ele quer e ele consegue? Então por que o mal acontece?
Ele não quer e não consegue? Então por que chamá-lo de Deus?"


Segue agora o comentário que fiz à postagem dele, com um pequeno acréscimo no final:

Liberdade - esta é a palavra chave! Amar não significa fazer algo ou alguém que você controle. Amar significa deixar livre. Afinal, vejamos: pode um robô amar? Ao pé da letra, o robô não pode (ou pelo menos não deveria) nem ser amado pois não tem esta capacidade em si. Ele não é livre, ele é programado e obedece a comandos. Definitivamente, para criar um ser que pudesse ser amado e amar, é necessário que este pudesse tomar decisões livremente. E, evidentemente, um ser com esta possibilidade pode decidir em não amar, em odiar... É uma possibilidade aberta. É um risco, mas um risco corrido onde alguns aceitaram amar!!! Eis a vitória.

E, em Jesus, o exemplo maior de amor, pudemos ver como é ser um ser humano conforme o plano original de Deus. Ainda poderiam pensar: mas Deus é um ser livre e ama somente, não odeia... O homem não poderia ter sido criado também perfeito no amor? Respondo com outra pergunta: Pode um Deus criar um ser perfeito? Não estaria Ele criando um outro deus? E não podem existir 2 deuses: um deles não seria verdadeiramente Deus. Logo, a criatura é sempre imperfeita - por isso é criatura. Seria o mesmo que criar um círculo quadrado. Portanto, neste contexto, há algumas coisas que Deus não pode fazer: Ele não pode deixar de amar, pois sua essência é amor - Deus é amor. Negar sua essência seria deixar de existir, o que é impossível. Criar uma criatura (que essencialmente tem limites) perfeita? não dá. O único perfeito sem limitações é Deus.

Mas Deus não nos abandona... O seu Espírito Santo não cessa de nos falar ao coração como devemos agir. Mas, como somos livres, o sim ou o não é nosso... Dizer que é impossível viver o bem também não é verdade. Jesus é o maior exemplo, mas os santos e tantos outros exemplos estão aí para nos mostrar isso.

Um abraço e lembremo-nos sempre disso: A liberdade que é a razão pela qual podemos amar e ser amados também é aquela que nos faz ser capazes de dizer sim ao amor mesmo quando o ódio bate à nossa porta. Desta decisão construiremos ou não um mundo melhor! Está em nossas mãos, pois Deus nos capacitou e nos capacita!! ;-)

O “pequeno acréscimo”: Alguns poderiam contrariar quando eu disse que quando alguns aceitaram amar, isto não é uma vitória pois não seriam a maioria ou, pelo menos, os que não aceitaram amar causam mais problemas do que os que aceitaram amar podem resolver. Ora, se alguns aceitaram amar até o limite de dar a sua vida por isso, como não dizer que Deus não é vitorioso? Ficou provado que é possível viver o amor, mesmo em nossa liberdade fragilizada pelo pecado, pela nossa limitação de criatura... Não há como dizer que o plano de Deus não é possível. O que se pode dizer, sim, é que os que resistem e dizem não a essa proposta de amor não aderiram à vitória de Deus. Eis a derrota que só ficará clara para os que persistirem no erro no final dos tempos. Lá veremos que o plano de Deus era possível para todos, pois todos tem a capacidade em si. Enfim, a decisão é nossa...


sábado, 23 de abril de 2011

A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

"2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

"A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
VERDADE: Abrace-me logo.
HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

Texto e Direção: Wilde Fabio
Coreógrafo: Domingos Savio
Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


Até a próxima postagem!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

AHHH, EU JÁ SABIA!!!

AHHH, EU JÁ SABIA!!!
AHHH, EU JÁ SABIA!!!

É uma expressão muito usada no futebol, mas senti uma vontade enorme de aplicar depois que vi o artigo do link abaixo, cujo título é:
"Abstinência antes do casamento melhora a vida sexual, diz estudo"

http://blog.bibliacatolica.com.br/outros/abstinencia-antes-do-casamento-melhora-a-vida-sexual-diz-estudo/

Fico muito feliz quando a ciência chega a conclusões assim...

Cheia de Graça x Cheia de Si

Nas palavras de saudação do anjo à Maria, já é possível perceber uma alusão à Imaculada Concepção de Maria: Ela é a Cheia de Graça! Cheia, repleta, completamente preenchida pela Graça de Deus!

Aliás, dentro do mesmo assunto, quando falamos de pecado original não significa algo que o recém-nascido tenha cometido. É um conceito que nos liga aos nossos primeiros pais, ao primeiro pecado que um ser humano cometeu. É, em suma, a ausência da graça divina em nós. Essa graça estava presente em Adão e Eva, mas a humanidade a perdeu a partir desta primeira falta. Ora, se pelo Batismo recebemos o Espírito Santo em nós, é fácil intuir que o pecado original é apagado pelo Batismo.

Voltando a falar de Maria, ela é chamada de Imaculada Conceição porque ela foi concebida e nasceu sem o pecado original, ou seja, cheia da graça de Deus. Foi um privilégio, um dom único que Deus lhe concedeu: "em vistas dos méritos de Jesus Cristo, o Redentor do gênero humano, preservada isenta de toda a mancha do pecado original." (Bula Ineffabilis, DS 1641). Podemos dizer que ela foi a primeira pessoa a experimentar a salvação de Jesus, em previsão da própria salvação que Jesus iria realizar.

Ser cheia da graça de Deus é desejar fazer de sua vida uma inteira e completa ação de Deus, é seguir a vontade de Deus em tudo. Isto requer a humildade de unir a própria vontade aos desígnios de Deus. Não se trata de se anular - pelo contrário - trata-se de finalmente ser o que Deus sonhou quando nos fez e, consequentemente, é o caminho para a felicidade e realização enquanto ser humano.

Curiosamente, pensei num termo que seria o contrário para "cheia de graça" e que é bastante utilizado: "cheia de si"!
Uma pessoa cheia de si é aquela justamente que coloca suas vontades acima de tudo e de todos e, certamente, a humildade não é uma das qualidades de uma pessoa assim.

Poderíamos dizer que esta pessoa está preenchida somente de si própria, ou seja, tudo em suas ações está direcionado para si mesmo. Em outras palavras, está fechada aos verdadeiros relacionamentos que pressupõem trocas de experiência e falta o reconhecimento do outro enquanto sujeito, com desejos e anseios também. O centro de sua atenção está nela mesma.

Por isso, achei que "cheia de si" seria um bom "antônimo" para "cheia de graça", pois na primeira expressão, não há espaço para a graça de Deus que é abertura ao outro, traduzida pelo amor. A segunda é, justamente, o esvaziamento de si próprio para que a graça de Deus realize justamente aquilo para o qual fomos feitos: amar.

E o autor da salvação realizou exatamente um "esvaziamento" de si mesmo, pois sendo Deus, não se apegou às prerrogativas divinas, mas se encarnou como humano para realizar no ser humano a salvação, indo até o extremo da morte de cruz (Flp 2,6-8).

Busquemos, portanto, sermos a cada dia menos "cheios de nós" e busquemos a graça de Deus que veio habitar em nós desde nosso Batismo. Que Maria, a cheia de graça, venha em nosso auxílio e continue a interceder por nós.
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domingo, 31 de outubro de 2010

Misericórdia, Justiça, Amor e Onipotência Divina

Hoje, domingo 31/10/2010, participei da Missa pela manhã e a primeira leitura foi Sb 11,22-12,2. Senti vontade de comentá-la e voltar a escrever aqui no meu blog pois achei que o trecho é fantástico.
Segue o trecho:

Cap.11,

22. Diante de vós o mundo inteiro é como um nada, que faz pender a balança, ou como uma gota de orvalho, que desce de madrugada sobre a terra.
23. Tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo; e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens.
24. Porque amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum.
25. Como poderia subsistir qualquer coisa, se não o tivésseis querido, e conservar a existência, se por vós não tivesse sido chamada?
26. Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida.

Cap.12,

1. Vosso espírito incorruptível está em todos.
2. É por isso que castigais com brandura aqueles que caem, e os advertis mostrando-lhes em que pecam, a fim de que rejeitem sua malícia e creiam em vós, Senhor.

Esta é a tradução da Bíblia Ave Maria. Na tradução da Bíblia do Peregrino, o versículo 22 não usa a palavra "nada" para comparar o mundo, mas sim "um grão de areia". Assim entendemos melhor, pois um "nada" realmente não poderia pender uma balança coisa que um grão de poeira pode fazer, se a balança for sensível. De qualquer forma, a idéia básica é que, comparado a Deus Todo-Poderoso e infinito, o mundo é de fato infinitamente pequeno. Porém ressalto que, mesmo assim, não é como um nada - ele tem valor. E os versículos seguintes mostram o quanto este mundo infinitamente pequeno é totalmente importante para Deus.

Somos pequenos, mas não desprezíveis! O mundo foi criado por Deus e, portanto, Ele ama tudo o que fez. Se Deus odiasse algo, não o teria criado (versículo 24). Como custamos a aceitar muitas vezes isso no nosso dia a dia.

Mas como encaixar aqui o pecado? Se Deus abomina o pecado, porque o teria criado? Aí está a questão que não está clara para muitas pessoas: Deus não criou o pecado. O pecado é fruto da liberdade do Homem (e também dos anjos, explicando também o caso de Lúcifer, mas foquemos no caso do Homem). O que Deus criou foi o Homem livre e nessa liberdade, ele opta pelo Bem Supremo ou pelo Mal.
Portanto, simplesmente exterminar o pecado "magicamente" ou agir de forma a não deixar que o pecado surgisse seria equivalente a tirar a liberdade do Homem. Liberdade e Amor andam inseparáveis. E como Deus é amor, não seria um ato de amor simplesmente cortar a liberdade. Quem ama, deixa livre. Quem ama quer que o amado lhe corresponda ao seu amor livremente, nunca obrigado ou oprimido. E, portanto, amar é deixar espaço para outras opções que não aquelas que se deseja.

Mas isso não significa que Ele simplesmente largou o Homem de mão. Pelo contrário, desde o início, Deus vai se revelando ao Homem gradativamente (vemos isso pela Palavra de Deus no Antigo testamento) e se revela de forma plena em Jesus - Deus conosco - o modelo do Homem chamado a existir desde o início. Jesus é o novo Adão também por isso: Remete à origem do Homem, ao plano original que Deus tem para cada ser humano.

Conforme o versículo 25, tudo que permanece existindo foi chamado por Deus a existir. Já falei várias vezes aqui no blog sobre chamado e vocação. Mas e se não realizamos o chamado? Se "destoamos" do plano original de Deus para o Homem? Aqui age o Deus misericordioso, que ama a criatura: Onipotência e justiça coexistem harmonicamente com misericórdia e amor em Deus. Aliás, a perfeição de cada uma destas 4 características leva a serem plenamente conciliáveis. Há os que não conseguem conceber que um Deus justo possa ser misericordioso, pois estaria relevando as faltas. Não é bem assim. A misericórdia leva em conta a nossa pobreza comparada à grandeza de Deus - somos infinitamente pequenos, lembra? Somos limitados, somos criaturas. Se não fôssemos limitados e falíveis, seríamos iguais a Deus. Até pela filosofia vemos ser incoerente um Deus criar outro Deus. Um deles não seria Deus.

Bom, deixando a filosofia de lado, Deus vem em socorro do nosso limite, permite que sejamos corrigidos durante nossa própria vida. Embora algumas traduções se refiram muitas vezes a este comportamento como castigo (Capítulo 12, versículo 2), seria mais adequado o termo correção ou advertência. E, se pensarmos que o próprio pecado tem consequências pelo ato intrínseco que foi cometido, não podemos dizer que Deus enviou um castigo. Entretanto, por estas consequências permitidas (não causadas) por Ele, podemos vislumbrar a atitude errada e, pela graça de Deus, nos corrigir.

Se pensarmos pelo viés do castigo, qual o castigo que mereceríamos pelo menor pecado que cometêssemos a alguém que é infinito amor? Infinito seria o castigo por questão de mérito. Mas pela misericórdia, Deus age enviando seu Filho encarnado na mesma realidade de nós humanos - Jesus, o Homem por excelência. Nele, esse "justo" castigo é anulado pra aqueles que aderirem a Ele. Somente nele temos a remissão dos pecados e, por misericórdia, por justiça, por onipotência e por amor, somos salvos.

E porque Deus age assim? A resposta está no versículo 26: "Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida". Ele ama a vida que Ele mesmo criou. Não é vontade d'Ele a perdição dos vivos, mas sim que se convertam e vivam. Quem se perder, tenha certeza que é por vontade própria. O amor de Deus está disposto a salvar até o último suspiro desta vida.

Busquemos a salvação, a realização do chamado de Deus. No dia em que fui concebido no útero de minha mãe, Deus pronunciou meu nome e me chamou a existir. Imagino Deus chamando pelo meu nome: Faça-se o Antônio! E o Antônio foi feito. Pense agora em Deus chamando você à existência! Diga a mesma frase com o seu nome! E quando Ele nos chama, também já nos capacita para aquilo que Ele nos chama.

Eis aqui o segredo: Somos limitados, pois somos criaturas e não deuses. Mas, se participarmos da vida de Deus, se deixamos Seu Espírito agir em nós, apesar do nosso limite, agiremos como Deus quer. É um processo diário, contínuo - eu diria que é a vida, o processo de formação do "eu" que o Senhor queria desde sempre.

Que percebamos essa ação diária de Deus em nós. Deus nos abençoa a cada momento; mais que pedir sua bênção, peçamos a graça de percebê-la e entendê-la em nós para que cresçamos à imagem do Cristo.
.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Arte - Instrumento de Evangelização

A arte, como expressão dos mais profundos sentimentos humanos, possui em sua essência a poderosa propriedade de conseguir penetrar os corações humanos, pois torna-se linguagem de coração para coração. E aqui falo sobre as mais variadas expressões de arte: poesia, música, teatro, pintura...

Infelizmente, a arte tem sido muito usada para levar mensagens não muito construtivas ou até mesmo destrutivas. Mas, em si mesma, ela não é moralmente má ou boa - é um instrumento, ou seja, o efeito depende de quem a utilizará.

Sendo expressão dos sentimentos e da inteligência humana, podemos dizer que é também uma capacidade que nos assemelha a Deus, o grande e maravilhoso artista "criador do céu e da terra".

Portanto, creio muito no poder da Evangelização pela arte porque consegue penetrar até os corações mais endurecidos e, como um veículo, leva a mensagem da salvação até este "local" das decisões humanas.

Eu vi esta encenação pela primeira vez na Vigília de Pentecostes da Paróquia Divino Salvador, na qual participo. Achei fantástica!! Não sou muito de me emocionar, mas essa peça realmente me comoveu bastante.

Graças a Magaly do Grupo de Oração da Paróquia que postou este vídeo no Orkut, consegui colocá-lo também aqui no meu Blog. Parece que foi apresentado no EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo). Desde já, se alguém do grupo que participou desta empreitada ler esta postagem, receba os meus sinceros parabéns!!

O nome no Youtube é "Lifehouse - Everything (Paróquia Divino Salvador - RJ)" pois "Everything" é o nome da música. Segue o vídeo e, logo após, a letra original da música e a tradução.

VÍDEO DA ENCENAÇÃO



ÁUDIO DA MÚSICA "EVERYTHING"



LETRA E TRADUÇÃO

(fonte - http://letras.terra.com.br/lifehouse/22814/traducao.html)

Everything

Find me here,
And speak to me
I want to feel you
I need to hear you
You are the light
That's leading me to the place
Where I'll find peace... Again

You are the strength
That keeps me walking
You are the hope
That keeps me trusting
You are the life
To my soul
You are my purpose
You're everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

You calm the storms
And you give me rest
You hold me in your hands
You won't let me fall
You steal my heart
And you take my breath away
Would you take me in
Take me deeper, now

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

Cause you're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
You're everything, everything
You're all I want
You're all I need
Everything, everything

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better any better than this

And how can I stand here with you
And not be moved by you
Would you tell me how could it be
any better than this
Would you tell me how could it be
any better than this

Tudo (Everything)

Me encontre aqui,
e fale comigo
Eu quero te sentir
Eu preciso te ouvir
Você é a luz
que está me guiando para o lugar
onde encontrarei paz... novamente

Você é a força
que me faz andar
Você é a esperança
que me faz confiar
Você é a vida
pra minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

Você acalma as tempestades
E você me dá repouso
Você me segura em suas mãos
Você não vai me deixar cair
Você roubou meu coração
E me deixou sem fôlego
Você vai me receber?
Vai me atrair mais ainda?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

Pois você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que eu quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

E como eu poderia ficar aqui com você
e não me comover com você?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?
Me diga, como isso poderia ficar
melhor?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Nossa Essência, Nossa Vocação

No último dia 11 de fevereiro comemoramos Nossa Senhora de Lourdes. É a mesma Santa Maria, mãe de Jesus e nossa mãe. A denominação se deve a uma aparição a Bernadette Soubirous em Lourdes (França) em fevereiro de 1858. A história é muito bonita e interessante, mas para o tema que gostaria de tratar, conto aqui apenas um trecho:

Quando Bernadette foi, a pedido da Bela Senhora que lhe aparecera, pedir ao padre responsável por Lourdes a construção de uma Igreja, este disse que não atendia a pedidos de estranhos e que Bernadette perguntasse à "aparição" qual o seu nome. Bernadette foi e, ao retornar, lhe disse que a Bela Senhora se identificou da seguinte forma: "Je suis l’Immaculée Conception" - Eu sou a Imaculada Conceição. Ora, este dogma havia sido definido pela Igreja durante o pontificado de Pio IX em 08/12/1854 (pouco mais de 3 anos antes - muito recente). Também, Bernadette era uma jovem camponesa que, quando perguntada, não soube nem dizer o que este "nome" significava. Este fato e milagres operados durante as aparições levaram a Igreja a estudar tudo o que cercou estes fatos e a aceitar estas aparições oficialmente.

Bom, antes de mais nada é válido esclarecer 2 pontos:

1 - Não cremos que os milagres foram realizados por Nossa Senhora, mas sim que Jesus os realizou por intercessão de Maria e para que servissem de sinais que pudessem auxiliar a atestar a veracidade das aparições.

2 - Ao declarar que Maria foi concebida sem pecado original (por isso Imaculada Concepção ou Conceição), isto não a coloca no centro das atenções, mas é uma declaração Cristocêntrica, ou seja, a Igreja declara que isto aconteceu "em previsão dos méritos de Cristo" e por que ela foi escolhida nos eternos desígnios de Deus para a missão de ser a mãe do Deus Filho feito Homem para a nossa Redenção. Portanto, tudo isso é graça de Deus.

Esclarecidos estes pontos, entro no assunto objeto desta postagem: Nossa essência, nossa vocação.
É um tema ligado diretamente a outro que já escrevi ("Sou Chamado pelo Nome") mas achei a oportunidade ótima para voltar ao tema.

Quando Bernadette pergunta à Bela Senhora o seu Nome, poderíamos pensar que a resposta imediata seria "Maria". Em vez disso, ela respondeu com algo que define sua essência, sua missão: Imaculada Conceição. É interessante que a Bíblia é recheada de momentos onde o nome também é muito mais do que uma forma de chamar alguém. Ele definia a essência, a missão. Vejamos:

- No momento da sarça ardente, quando Deus se manifesta a Moisés, este lhe pergunta qual é o Seu nome. Resposta: "Eu sou aquele que sou" (Que corresponde ao tetragrama sagrado YHWH, traduzido como Javé) - Ex 3,13-15. Deus é Aquele que é. Enquanto todas as criaturas são (ou existem) porque Deus lhes concedeu a existência, ou seja, não existem desde a eternidade por si mesmos, Deus é desde sempre e O será para sempre. Só Ele é, sem dever seu ser a nada ou ninguém mais.

- Jesus, o nome revelado pelo anjo a José (Mt 1,20-21) e a Maria (Lc 1,31) para o filho de Deus significa "O Senhor Salva" (já vi traduzido como Javé Salva). O anjo mesmo explica a José que a razão do nome é que "ele salvará o seu povo de seus pecados." Seu nome, sua missão e sua essência são uma só coisa.

Muito mal comparando, o ser humano também faz o mesmo quando dá nome a algumas coisas:

- Bicicleta - dois "ciclos", ou duas rodas.
- Automóvel - se movimenta (móvel) por si só. A fonte de energia que o faz andar está nele mesmo, não tira energia de outro lugar (auto).
- Amplificador - Amplifica, aumenta por exemplo o som captado por um microfone, jogando-o numa caixa de som.

Bom, não quer dizer que o nome que recebemos no nosso Batismo já quer dizer nossa missão, ou nossa vocação. Mas quero dizer que, no momento em que Deus sonhou conosco e nos criou, tinha para cada um em especial uma razão de ser, uma vocação, um lugar no Seu plano de amor e salvação. E este lugar particular é de cada um, como em cada "faça-se" da passagem sobre a criação...

E qual é este "lugar particular"? Ora, pergunte para Ele. Ore, peça a Deus que oriente seus pensamentos, perceba em si os dons que Ele lhe deu. Aproxime-se mais de Deus por sua Palavra, por sua Igreja. E digo mais: muitas vezes quem acaba nos revelando o nosso "lugar particular" é a própria comunidade. Afinal, o nosso lugar na comunidade é uma parcela deste "lugar particular". Estar no "nosso lugar", realizar nossa essência e nossa vocação é a realização máxima do ser humano. Eis a felicidade do ser humano que, é claro, só será plena na vida eterna pois lá poderemos realizar o chamado fundamental - o amor - também de forma plena em Deus que é a plenitude do Amor:

"Fizeste-nos para ti, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti. (Santo Agostinho em Confissões I,1)

"Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. (I Jo 3,2)

Mas enquanto caminhamos aqui na Terra, já busquemos realizar nossa felicidade conforme os planos de Deus, em Seu amor. Saiba que não existe louvor maior a Deus do que executar seus desígnios e sermos verdadeiramente felizes!

Um abraço e que cada um encontre seu chamado, o sonho de Deus para cada um!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Eternidade e o Tempo

A vivência das virtudes da Fé, Esperança e Amor (clique para ler) auxiliam no nosso crescimento como seres humanos, pois nos colocam na fé, na esperança e no amor em um Deus que faz junto conosco essa trajetória de crescimento.

Sobre a Eternidade, disse S. Agostinho em suas "Confissões": "Na eternidade nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente". Disse também S. Paulo em I Cor 13,8.13: "A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade."

Portanto, a Eternidade que agora esperamos na fé é um eterno presente, onde não existe o tempo para poderem existir passado e futuro. Também "lá" (entre aspas porque a Eternidade não é um lugar) apenas o amor existirá, uma vez que a fé é uma certeza a respeito do que não se vê (cf. Hb 11,1) e ver o objeto da esperança já não é esperança (cf. Rm 8,24). Ora, lá já veremos o objeto de nossa esperança e de nossa fé!

Mas por enquanto, peregrinamos no tempo que nos é dado para nosso crescimento, nossa construção como seres humanos livres, nossa salvação, nossa redenção... Neste tempo, além do amor, temos a fé que nos sustenta e a esperança que nos lança para frente, com um olhar n'Aquele que nos dá a esperança da nossa ressurreição pela fé na Sua própria ressurreição - Jesus. E tudo isso porque "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3,16)

Neste contexto, o batismo nos insere na comunidade de fé que é a Igreja. Esta comunidade, representada em primeiro lugar pelos pais e padrinhos, tem a responsabilidade de nos transmitir esta fé pela Palavra de Deus e pela Tradição. Nesta fé se apóia a nossa esperança na vida eterna, associada à morte e ressurreição de Jesus justamente no batismo. E tudo isto por amor, um amor infinito que não se acaba, o amor do Deus eterno que é o próprio amor (cf. I Jo 4,8)

Cito aqui uma frase de Simone Weil que encontrei da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus no dia 16/12/2009: "O tempo é a espera de Deus que mendiga nosso amor".

Assim, para os temas (clique nos links se quiser ler o que escrevi nestas postagens):

- Quem roubou nossa coragem? - Ninguém a roubou, está escondida embaixo de nossas falsas seguranças. Mas Jesus nos diz "No mundo haveis de ter aflições. Coragem, eu venci o mundo." (Jo 16,33)

- Desejo de não sentirmos dor - Se o medo de sentirmos dor e sofrimento já nos causa dor e sofrimento, cito a passagem lembrada pelo Carlos em seu comentário à minha postagem, onde Jesus nos diz “não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6, 34)

- Construção do próprio ser humano - Aqui, cito Paulo: "A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores." (Ef 4,11-14)

- Fé, esperança e amor - São presentes fundamentais de Deus para nosso crescimento, pois "As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina (cf 2Pd 1,4)... (As virtudes teologais) são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna." (Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1812 e 1813)

Termino esta série de temas que começou a partir de dois pequenos trechos da música "Quando o sol bater na janela do seu quarto" (Legião Urbana) com um versículo que me diz muito e que me tocou logo na primeira vez que o ouvi:

"Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8,31)

A paz de Jesus, o Rei da Paz, a todos!

Fé, Esperança e Amor

Bom, em resumo, tenho falado nos últimos tópicos sobre:
- "Quem roubou nossa coragem..." - Acomodação que cria fugas.
"Desejo de não sentirmos dor..." - Sofremos com medo de sofrer.
- "Construção do ser humano no tempo" - Crescer na liberdade X Parar na escravidão.

Acho interessante refletir agora sobre as chamadas "Virtudes Teologais" (recebidas no Batismo) e uma interessante relação delas com os três tempos (passado, presente e futuro).

- A Virtude da Fé e o Tempo Passado

A nossa fé nos foi transmitida, é dom enquanto capacidade mas, para chegar até nós, "a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo." (Rm 10,17)

Esta pregação ocorre em relação à Palavra de Deus já escrita, à história já passada por tantos de nossos semelhantes quando experimentaram a presença, a revelação gradual de Deus até o seu ápice em Jesus Cristo, o próprio Deus que vem até nós.

E não para por aí, já que após Cristo, outras pessoas vão experimentando Deus em suas vidas em consonância com a Palavra revelada, história esta que vai compondo o que chamamos de Tradição da Igreja.

É neste passado de experiências com Deus que nossa fé inicialmente se baseia, que encontra "base". E, com o passar do tempo, temos nossas próprias experiências com Deus que vão se agregando a essa base - o nosso passado que se une aos nossos antepassados na fé.

- A Virtude da Esperança e o Tempo Futuro

Esta analogia é bem mais fácil, já que é a esperança que lança um olhar para o futuro. Porém, tem estreita ligação com a fé que nos foi transmitida, com a revelação de Deus.

É possível ter esperança sem crer em Deus? Poderíamos até dizer que sim, mas é uma esperança que não encontra base sólida, pois "a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados" (Hb 11,1-2) Tratar-se-ia de um futuro que não tem um olhar na experiência de tantos antepassados que esperaram o cumprimento das promessas de Deus e não foram decepcionados.

- O Virtude do Amor (Caridade) e o Tempo Presente

A fé dos antepassados é base para nossa fé, mas se esta não é vivida no presente, de que adianta? "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26). Esta fé precisa ser vivida e experimentada hoje por nós, e isto acontece nas relações que estabeleço: comigo mesmo, com Deus, com o próximo e com a natureza. O equilíbrio nestas 4 relações se estabelece quando vividas no amor, na abertura ao outro (alteridade) e não no fechamento em nós mesmos.

Portanto, se vivermos hoje pelo amor "firmes na fé, alegres na esperança, e solícitos na caridade" (cf. bênção final da missa do terceiro Domingo do Advento), não precisamos sofrer por medo de sofrer. Vivamos hoje no amor, na caridade.

As virtudes teologais nos capacitam para o crescimento rumo à vida eterna. Nada melhor do que falar sobre "A Eternidade e o Tempo" (clique aqui para ler) na próxima postagem.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Este Natal não será o mesmo!

Escrevi esta mensagem e enviei para várias pessoas por e-mail. Por se tratar de uma reflexão válida para todos e em todos os tempos, decidi postá-la aqui também.

Caros amigos e irmãos, chegamos mais uma vez ao Natal e, às vezes, somos tentados a dizer:
“Ah, é todo ano a mesma coisa. Nos reunimos, festejamos o final de mais um ano, entregamos e recebemos presentes, desejamos o já padronizado ‘Feliz Natal e Próspero Ano Novo’ pessoalmente ou em cartões já pré-escritos, em que acrescentamos o também famoso ‘São os votos de...’. A única coisa que mudou um pouco é que estes cartões estão cada vez mais informatizados e usando menos o papel... E, depois das festas, volta tudo a ser como antes, as mesmas discussões, as mesmas simpatias e antipatias, os mesmos comportamentos...”

Bom, é uma forma de pensar, mas não precisa ser assim. Porquê? Porque simplesmente a decisão se será a mesma coisa é única e exclusivamente de cada um! A decisão se o nosso dia será bom ou será uma ... coisa muito ruim está em nós mesmos, em como encaramos a vida, em como decidimos agir.

Bom, em uma mensagem de Natal não posso me omitir em falar d’Aquele que é a razão de ser do Natal: Jesus Cristo (e não Papai Noel...).
Gostaria de citar uma passagem sobre João Batista, sobre o que ele respondia aos que lhe perguntavam o que fazer para esperar a vinda de Cristo: Lc 3,10-14

“Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer? Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo. Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer? Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado. Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.”

Basicamente, o resumo desta passagem é:
O que é necessário fazer para que vivamos como pessoas que têm Jesus como modelo? Gestos Heróicos? Ir para o deserto viver em meditação? Ora, o que é necessário é viver bem aquilo que é nossa vida hoje, este presente maravilhoso de Deus para que cada um de nós vivesse! Aos que se sentem chamados a missões levadas ao extremo do heroísmo ou à vida contemplativa, nada contra, mas é um chamado particular – a vocação de vida deles. Mas hoje, no contexto em que nos encontrarmos (trabalho, estudos, família, amizades, relações sociais, religiosidades) precisamos viver de forma justa e ponderada pelo amor. Esta é a “vida em abundância” de que Jesus falava – item fundamental da qualidade de vida tão falada atualmente. Isto é viver bem!

É interessante que nas recomendações de João Batista, ele não fala de mudanças grandes quanto à profissão ou à vida diária, mas sim de mudanças radicais de procedimento de vida. Não são grandes quando às mudanças em si, mas são impactantes quanto aos efeitos.

Assim viveu Jesus, dentro de seu chamado, de sua missão – equilibradamente. Tão equilibrado e tão certo de suas convicções que, por seu jeito diferente de encarar a vida, mudou a vida de muitos e gerou insatisfação dos que não queriam mudança. É aí que sua missão o levou ao extremo de dar sua vida. E as mudanças no mundo foram tão grandes que a história foi dividida por seu nascimento em duas partes distintas: Antes e Depois de Cristo!

Se chegamos a este tempo com esta vontade de mudança pessoal, garanto: Este será sim um Natal diferente! Diriam “Ah, eu mudo mas e os outros? Não adianta muito!” Ora, se você muda, sua vida já muda – já será melhor! Se alguns mudam, o efeito será maior ainda. Sem contar que nossa mudança pode incentivar outros a mudarem.

Bom, dentro de tudo isto, quero desejar um Natal em que a lembrança do pequeno menino Jesus possa inspirar-nos um recomeço, o início de uma nova etapa em nossas vidas, pedindo a Deus que Ele nos dê força e sabedoria para saber trilhar, da melhor maneira possível, esta vida que nos foi dada de presente. Não existe um caminho pré-fabricado para cada um. O caminho se faz caminhando e, se é assim, vamos construir um belo caminho! Desta forma, são será apenas uma lembrança: Jesus realmente nascerá neste Natal em nós!

E, neste clima de mudanças, de recomeço, desejo também um excelente Ano Novo – o início de uma nova etapa de nossas vidas!
Grande abraço e que Deus todo-poderoso abençoe a todos!!

sábado, 28 de novembro de 2009

Me conhecer em comunidade?

Para nos conhecermos melhor, temos como meio a oração, conforme já escrevi no Tema "Mas como assim vocação?" (clique aqui para ler).

Mas existe também um meio muito importante: a vida em comunidade. É quando nos deparamos com as diferenças em relação a nossos irmãos que tomamos consciência de quem somos. Não se trata, numa primeira análise, em definir certo ou errado. Trata-se de melhor conhecer quem somos na medida em que identificamos aquilo que não somos nas atitudes do outro.

E não só isso! Eu tenho reações, dependendo do que meu irmão faz. Conforme já falei no tópico "NINGUÉM CAUSA EMOÇÕES NO OUTRO..." (clique aqui para ver), os sentimentos que brotam em mim quando reajo a alguma ação de alguém não é colocado em mim por ele. Na realidade, as razões deste sentimento já estavam em meu coração - só foram despertados pelo outro. E ao serem despertados, posso conhecê-los.

Meus irmãos da Comunidade Filhos da Redenção (a qual pertenço) tem me ajudado muito a me conhecer, mesmo porque são muito diferentes de mim. Melhores? Não!! - Piores? Não!! - São diferentes e, por isso, me fazem crescer.

É importante perceber que podemos estar sendo (perdoem este "gerundismo", mas achei que expressa bem o que eu quero dizer) não o que Deus nos vocacionou, mas sim outras coisas que fomos acumulando por cima do chamado inicial. Para poder discernir isso, em primeiro lugar preciso ver quem estou sendo (perdoem de novo) e quem eu sou, por baixo de tudo que foi se acumulando.

Como eu disse, o fato de percebemos quem somos agora e que somos diferentes uns dos outros ainda não define se este ou aquele está certo ou errado. Isto só percebemos quando vamos ao outro meio: o meio da Oração. É aqui que, quando conversamos francamente com Deus, vamos:

  • desenterrando, trazendo à tona o que é chamado de Deus
  • mantendo aquilo que acumulamos em nosso crescimento pessoal e que colabora com o chamado
  • lutando para retirar aquilo que não colabora, que não edifica.
Deus e a Comunidade: Com eles eu me conheço e posso realizar minha vocação, posso ser feliz, posso já antecipar em parte o céu aqui na terra. E isto só é possível no amor. Não é a toa que temos esta afirmação de Nosso Senhor Jesus Cristo em Mc 12, 29-31:

"Jesus respondeu-lhe: 'O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe.'"

Portanto, a fundamental vocação (de onde derivam as demais) é o amor, conforme a Encíclica Familiaris Consortio 11: "Deus é amor (I Jo 4,8.16) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem... (Gn 1,26-27), Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão.”

Sou chamado pelo nome???

Pois é. Título meio louco pra texto de blog...

Quero me deter um pouco em 3 passagens:

(Is 43,1) "E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu."

(Jr 1,5) "Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações."

(Gn 1,3-5) "Deus disse: 'Faça-se a luz!' E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia."

Aquele que me criou me chama pelo nome, nome que Ele já conhecia antes que no seio de minha mãe eu fosse formado. Gosto de fazer um paralelo entre essa idéia e a narrativa da Criação, onde sabiamente o escritor bíblico, inspirado pelo próprio Deus, O coloca criando através da Sua Palavra, através dos diversos "faça-se" e do especial "façamos" ao criar o ser humano.

No "faça-se", Deus "pronuncia um nome", a verdadeira essência daquilo que será feito, criado. Quando, por exemplo, Ele faz a luz, já diz também o que ela será e fará. No fundo, a essência da Palavra de Deus já é a própria ação criadora de Deus.

Assim, ao criar cada um de nós, Ele pronunciou um nome - mais que um nome, um chamado! Ele nos chamou à existência. A palavra vocação vem do latim vocare = chamado. Assim, o que inicia nossa existência é um chamado de Deus, uma vocação.

Fomos criados para a realização de um projeto maravilhoso de Deus em nossa vida. E o meu Deus, o Deus revelado em Jesus Cristo, o Deus em que eu acredito é um Deus que é Amor. Portanto, a vocação de Deus para mim é certamente uma linda vocação que, ao ser realizada, me fará feliz - me fará viver o céu! E isto não é privilégio meu. Você que está lendo estas linhas também tem uma maravilhosa vocação de Deus. Queira descobri-la, procure achá-la. É por aí que encontrará a sua felicidade.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nada é nosso – tudo é dom de Deus

Tudo que recebemos de Deus é por graça, de graça. É por puro amor.

Poderíamos argumentar, então, que uma vez que Deus nos tenha dado, passa a nos pertencer e, portanto, não sou obrigado a partilhar ou dividir o que tenho, pois passou a ser meu.

Realmente, obrigado não sou... Só que, aprofundando um pouco mais, Deus criou todas as coisas (inclusive nós). Se ele criou o nosso ser, o nosso existir também foi dom de Deus. Mas dom de quem para quem, já que não existíamos para poder receber nossa existência? (filosofando... rsrsrs)

No fundo, a criação inteira foi feita para a harmonia, para a completa partilha e dependência mútua. Portanto, o fato de sermos e existirmos já é também um dom de Deus, somos dom para o mundo, para a criação que nos inclui também! Nossa essência é sermos dom e, portanto, também colaborar com nossos dons para que o mundo seja melhor.

Quando se fala de dom, é inevitável falar de amor, pois o dom de Deus foi sem pedir nada em troca – dom totalmente gratuito. Já disse João que Deus é Amor. É a isso que somos chamados. O desamor e o egoísmo é ir contra o crescimento do ser humano, é descer em nosso desenvolvimento. É não ser aquilo para o qual fomos feitos, ir contra nossa essência. É errar o alvo, é ser incoerente com o que somos. É, em última análise, “não ser”.

Percebo a vida eterna como a realização do nosso ser “sendo”, ou seja, existindo, vivendo, realizando o que nos foi doado como potencial! Já o “não ser”, mesmo existindo, seria o contrário – não realizar o projeto, não completar em nós o que, em potencial, nos foi dado.

Embora o mundo pareça afirmar o contrário, o amor é a realização plena do ser humano, é a sua fortaleza.