BUSQUE O ALTO!
ANJO BARRO
ANTÔNIO JO BARBOSA RODRIGUES
Eu tirei esta foto no estacionamento do Barra Shopping. Não me perguntem como esta árvore cresceu torta assim. Na época, achei curiosa e resolvi registrar. Agora, coloquei-a como "símbolo" neste blog pelo que ela representa para mim.
Provavelmente, esta árvore passou por dificuldades para crescer neste "caminho torto", mas ela sobreviveu e continua a buscar sempre o alto. Vejo que somos assim também: Nem sempre conseguimos andar pelo caminho reto rumo ao alto, pois somos seres humanos, cheios de incoerências e limites, mas Deus vê a nossa luta em chegar ao alto. Isto é a santidade: não desistir de chegar ao céu. Neste caminho, às vezes caímos, trilhamos caminhos "tortos", mas se nos levantamos e não desistimos de alinhar de novo, estamos rumo ao alto.
Este site tem como objetivo crescermos juntos e, sem suas opiniões e comentários, isto não será possível! Portanto, leia os tópicos, participe comentando!

Nosso trato neste "blog de crescimento" é o seguinte: Me reservo apenas no direito de apagar os comentários que eu considerar ofensivos, contrários à lei e/ou que usarem expressões ou palavras de baixo calão. Trato feito, vamos em frente... ou melhor, para o alto!!!
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domingo, 22 de janeiro de 2012

Criação e Evolução (6)

Achei interessante criar esta sexta postagem quanto a Criação e Evolução por 2 aspectos:

1 - Quero postar o comentário que o Carlos Francisco (autor do Blog Quo Vadis Domine), que pertence à Comunidade Filhos da Redenção da qual também participo, colocou na quinta postagem sobre o tema [ Criação e Evolução (5) ] para que as divulgações automáticas de postagens do blog pudessem funcionar com este texto que é mais um a corroborar o raciocínio que expus. O texto é de autoria do cardeal Odilo Scherer:

"A criação não exclui a evolução, nem o contrário (...) a evolução é um fato evidente e não pode ser posta em dúvida; porém, se ela explica como as coisas se diferenciam e mudam, por diversos fatores, ela, contudo, não explica a origem absoluta dessas coisas. É um fato que somente evolui e se transforma aquilo que já existe. Donde, ou de quem cada ser recebeu a existência e a ordem interna para ser aquilo que é, e não outra coisa? Do nada? Do nada, nada surge, a não ser que algum agente "crie", isto é, dê origem, tire do nada e faça existir algo. O acaso poderia ser este fator determinante? Como seria inteligente este acaso! A teoria do acaso é absurda. É melhor crer em Deus criador, isso não é absurdo."
(cardeal Odilo Scherer, em artigo publicado no jornal arquidiocesano "O São Paulo", no ano das comemorações de 200 anos do nascimento de Charles Darwin)

2 - Achei também importante reforçar um ponto que pode não ter ficado claro o suficiente. Quando digo que a interpretação do texto (principalmente no início do Gênesis) não deve ser feita de forma literal, não quero dizer que tudo seria um "conto de fadas" e que, portanto, não teria a devida validade. Muito pelo contrário! O que quis dizer é que o estudo deve ser feito com todo o cuidado levando em conta diversos aspectos da época da escrita (que não é a mesma época narrada) e vários outros pontos que já citei.

Assim, por exemplo, acho interessante citar aqui brevemente a questão do Pecado Original. Embora a narrativa fale do fruto da árvore que havia sido proibido para os seres humanos e possamos afirmar que o gênero literário aqui comporta alguns símbolos, o fato é que houve um acontecimento no período inicial da humanidade onde o primeiro ser humano cometeu um ato que foi contrário à sua natureza, contrário ao objetivo para o qual ele foi criado (ou para o qual ele evoluiu) e que isto causou uma desordem que se propagou para a especie inteira. (cf. CIC 390)

Deus ao infundir a alma espiritual no ser humano, também havia lhe concedido a graça original, simbolizada pela grande harmonia no Paraíso, onde ele passeava com Deus - o "lugar" de encontro com Deus. Ao contrariar a vontade de Deus, querendo decidir por sua própria conta o que é bem e o que é mal (daí a arvore da ciência do bem e do mal), ele acaba indo contra a graça original e a perde. Esta "falta" da graça original se propagou pela espécie - daí o pecado original.

A partir daí, a natureza do homem continua boa, pois assim foi criada. Entretanto, encontra-se como que "enfraquecida", machucada, lesada. Mesmo quando a graça passa a habitar em um ser humano pelo batismo, a natureza permanece enfraquecida mas, com a graça, pode ser vencedora - eis o combate espiritual que experimentamos a cada dia.

O Catecismo da Igreja Católica trata muito bem deste tema nos parágrafos 385 a 421. Recomendo mesmo esta leitura.
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Criação e Evolução (5)

Na quarta parte deste tema Criação e Evolução (4) já postada, falamos de mais alguns trechos da Bíblia e que eles precisam ser interpretados com muito cuidado levando em conta diversos fatores.

Agora chegou a hora de trabalharmos uma pergunta: Deus não poderia ter escolhido criar pela evolução? Isto o faz menos criador?

Ora, se dissermos por exemplo que quando Deus cria o início de tudo, Ele já cria também as condições necessárias para que tudo possa evoluir, estaríamos dizendo alguma blasfêmia? Não pode ser uma solução de complementação entre Criação e Evolução?

Ora, dizer que Deus é o Criador de todos os seres (o que é uma verdade incontestável da fé) não precisa "obrigar" que esta criação seja direta. Vamos a um exemplo simples citando Gn 1,10. 
  • "Deus disse: 'Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente.' E assim foi feito."
Ora, a Palavra de Deus menciona aqui claramente a criação de um processo que as plantas fariam para continuar, através dos tempos, gerando novas plantas (planta - fruto - semente - nova planta). Mais tarde, no mesmo capítulo, vemos o famoso "crescei e multiplicai-vos" dito aos animais e também ao homem e a mulher. Trata-se novamente de um processo criado por Deus.

É claro que aqui estamos falando de novos seres gerados a partir de outros de mesma espécie. Mas seria tão complicado estender a possibilidade (vejam bem, estou dizendo possibilidade!) para a evolução, onde uma nova espécie poderia surgir a partir de uma modificação genética da espécie anterior? Se no momento inicial de criação (quando antes nada existia) também tiverem sido criadas as condições e processos necessários para que tal acontecesse, qual seria o problema? Não seria também Deus o criador de tudo?

Sei que o que vou falar agora não comprova nada, mas já repararam que a primeira narrativa coloca uma ordem de criação do menos evoluído para o mais evoluído? Vamos nos limitar em falar dos seres vivos: plantas (v11), animais marinhos e aves (v20), animais terrestres (v24) e o ser humano (v26).

É claro que temos aqui alguns pontos que precisam ser resguardados para podermos considerar esta complementariedade entre criação e evolução:
  1. A criação da matéria inicial e de toda a capacidade e condições de evolução que essa matéria inicialmente criada teve é devida a Deus diretamente. E isso a Teoria da Evolução não conseguiria desmentir, pois ela não trata do início de tudo, mas do processo como tudo foi acontecendo.
  2. Particularmente, há 2 eventos nesse processo que também são únicos e claramente realizados por Deus: o surgimento da vida e o surgimento de um ser racional (humano).
  • A vida é um dom de Deus e que jamais conseguiu ser repetido pelo ser humano. Mesmo com várias sequências genéticas já decifradas pela Ciência, o Homem não conseguiu criar vida a partir de  materiais não vivos. Penso que em um determinado momento em que a vida seria possível, em que uma estrutura molecular mínima poderia suportá-la, Deus infundiu a vida e, a partir daí, a evolução atuou a partir das condições e capacidades inerentes a esta estrutura. Lembremos que, segundo a doutrina católica, todos os seres vivos possuem alma e esta não é física em si, embora esta com o corpo forme um só ser. A inserção da alma (do princípio vital) seria ação direta de Deus.
  • O surgimento de um ser racional também apresenta um momento de ação direta de Deus. O ser humano possui uma alma espiritual, diferentemente dos demais seres vivos. É esta alma espiritual que também o faz imagem e semelhança de Deus. Quando surgiu um ser com capacidade e estrutura suficientes para ter uma alma espiritual, Deus a infundiu neste ser e este foi o primeiro ser humano (Gn 2,7 - o sopro de vida nas narinas do homem). A partir daí, a cada ser humano que é concebido, Deus cria a sua alma e a infunde no momento da concepção.
Como criador das possibilidades e capacidades dos seres para que evoluíssem, não há aqui um abandono de Deus, mas sim uma criação contínua. Presenciamos uma criação em processo, uma criação em evolução.

Como eu disse logo nas primeiras postagens, muitos aspectos da teoria da evolução ainda são conjecturas, mas uma coisa é certa: com um estudo científico sério e limitado ao seu campo de verificação e testes, não há como excluir a ação criadora de Deus pois a ciência não possui métodos e processos que possam extrapolar fora das coisas criadas. E Deus transcende (não está contido em) este mundo.

Por outro lado, a fé também tem a possibilidade de avançar à medida que surgem progressos na investigação científica. Se Deus fez do homem um ser racional, capaz de investigar a criação e de "criar" (a partir da matéria já criada), a ciência não é algo indesejável em si.

Basta que haja uma discussão saudável entre fé e ciência. Ambas buscam a verdade e a verdade é única. Cada uma em seu campo e se complementando (sem se misturar), poderemos avançar.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Criação e Evolução (4)

Na terceira parte deste tema Criação e Evolução (3) já postada, vimos que o objetivo das Sagradas Escrituras não é dar uma aula de ciências e, portanto, não é no sentido literal que está o que Deus quer nos afirmar, embora tenha se utilizado da linguagem humana dos hagiógrafos (pessoas que escreveram sob a ação do Espírito Santo). A linguagem (incluindo aí também o estilo de escrita) é um meio para expressar algo (ou alguém) que transcende (ultrapassa) a própria linguagem, o próprio Homem, todo o universo.

Portanto, a interpretação das Sagradas Escrituras não deve ser realizada somente pelo sentido literal, mas ir além do mesmo, observando o estilo literário, a época da escrita, a época narrada, os aspectos culturais e também a importantíssima unidade da Sagrada Escritura como um todo.

Neste trabalho de estudo profundo da Bíblia, a Igreja tem se dedicado desde sua instituição por Jesus. Lembremo-nos que muitas vezes o próprio Jesus se sentou com a Igreja embrionária (os apóstolos) e lhes explicou as escrituras do primeiro (ou antigo) testamento, mostrando-lhes que o sentido das mesmas apontavam sempre para a vinda d'Ele, o Messias, o Salvador entre nós. A ponto de João escrever no início de sua narrativa do Evangelho de Jesus um texto que remete também ao início do livro do Gênesis, fazendo um paralelo entre a antiga e a nova criação:

  • "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." (Jo 1,1-3)
  • "No princípio, Deus criou os céus e a terra" (Gn 1,1)

Lembram que na primeira narrativa da Criação no Gênesis Deus cria pela sua Palavra? A Palavra aqui é mais que um simples vocábulo, que um conjunto de letras. É a própria essência criativa e organizadora de Deus, a capacidade de organizar o caos, de ordenar o que é desordenado. Indo além, também demonstra a capacidade de comunicação, de organizar pensamentos, raciocínios, idéias que podem ser comunicadas.

  • "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1,14)

Ora, é muito fácil intuir de quem João está falando aqui: o Verbo (a Palavra - o Logos) é o próprio Deus (Jo 1,1) e se encarnou como um ser humano - Jesus. Em Jesus podemos ver a harmonia da criação. Ele é a expressão do que humanamente nós deveríamos e fomos capacitados a ser: imagem e semelhança de Deus.

A nossa "imagem e semelhança" está longe de querer designar questões físicas ou mesmo uma igualdade total e absoluta. Mas é nítido que o ser humano tem capacidades que nenhum outro animal possui, entre elas a inteligência racional (criatividade, capacidade de ordenar, de organizar pensamentos, de comunicar-se...) Percebem aqui um aspecto da imagem e semelhança, evidentemente limitadas se comparadas a Deus?

Bom, depois de mais estas considerações sobre o sentido literal e o que o texto tem como objetivo expressar, pergunto: se a criação de tudo (criaturas sem vida, plantas, animais irracionais, seres humanos) não tiver sido num mesmo momento ou não tiver sido em 6 dias, as Escrituras deixam de ser verdadeiras? De outra forma, considerar que Deus é o criador de tudo o que existe invalida totalmente a teoria da evolução das espécies?

A pergunta que será tratada na próxima postagem: Deus não poderia ter escolhido criar pela evolução? Isto o faz menos criador?
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Criação e Evolução (3)

Na segunda parte deste tema Criação e Evolução (2) já postada, foi visto que os 2 conceitos não estão em oposição, mas falam de duas coisas distintas. O problema começa a acontecer quando a Ciência começa a querer definir questões que fogem do seu ambiente experimental/físico ou quando a Religião quer fazer aplicações científicas a partir da Revelação Divina.

Para início de conversa, já podemos ver que a Palavra de Deus narra a Criação de duas formas distintas: Gn 1,1-2,4a x Gn 2,4b-25. São relatos escritos em épocas distintas, em situações distintas e de tradições distintas. Vejamos algumas diferenças: 
  • Narrativa 1: o Homem e a mulher são os últimos a serem criados.
  • Narrativa 2: o Homem é criado antes das plantas e dos demais animais e, por fim, a mulher é feita a partir da costela do Homem.

  • Narrativa 1: Deus cria todas as coisas pela Sua Palavra (Faça-se... Façamos...) 
  • Narrativa 2: Deus cria o Homem e os animais a partir da terra, como ou Oleiro que trabalha o barro.
Só por aí, já temos dificuldade de colocar o texto bíblico como verdade científica "ao pé da letra". Mas é aí que entra a necessidade de um estudo da Bíblia levando em conta o contexto histórico, o gênero literário, o intuito principal do texto, etc. 
    Ora, em ambos os textos, a verdade fundamental a ser verificada é que Deus é o Criador de todas as coisas. A forma como o texto quer dizer isto e outras verdades de fé contidas é que varia.
    Existem outras verdades fundamentais que podemos ver aqui: 
    • Condenação da astrologia, tendo em vista que Deus criou os astros (sol, lua, estrelas...) e, portanto, são apenas criaturas e não controladores do nosso destino.
    • Na primeira narrativa, Deus cria homem e mulher, ou seja, em igualdade de dignidade: ambos imagem e semelhança de Deus. Na segunda narrativa, a mulher é feita da costela do homem, ou seja, da mesma matéria. Além disso, não é tirada nem do pé nem da cabeça, ou seja, nem como dominante nem como dominada. É alguém que está ao lado (costela) e que é uma ajuda adequada. Mais uma vez a idéia de igual dignidade.
    Ora, o texto não tem portanto a pretensão científica de mostrar exatamente (literalmente) como aconteceu, mas em uma coisa ele é claríssimo: Deus criou tudo a partir do nada: "No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gn 1,1).
    Na próxima postagem trataremos de como a evolução entra em harmonia a partir daqui.

    sábado, 10 de dezembro de 2011

    Criação e Evolução (2)

    Na primeira parte deste tema Criação e Evolução (1) já postada anteriormente, enfatizei a base do que iremos tratar agora: Ciência e Religião tem objetivos complementares e não contrários. Têm métodos distintos, mas não contrapostos.

    Assim, já podemos assinalar uma distinção clara entre Criação e Evolução:
    - Quando vemos a narrativa da criação em Gênesis estamos diante de uma busca das origens, mas não no intuito de definir cientificamente e com precisão o que e como ocorreu. O objetivo principal ali é transmitir verdades essenciais da fé como o sentido de tudo o que existe e também que tudo teve um início por obra de alguém que não teve início (No princípio, Deus criou os céus e a terra - Gn 1,1).
    - Quando falamos de Evolução (seja pela corrente científica que for), tentamos falar da forma como os seres foram evoluindo a partir de formas mais simples até as que conhecemos hoje. Existem muitas correntes dentro do Evolucionismo (algumas até que não são totalmente concordantes com todos os pensamentos de Darwin), mas todas falam de evolução a partir de algo anterior, ou seja, que já existia fisicamente. Ora, esta teoria não discute a criação, ou seja, o início de tudo. Ela discute como evoluiu a partir de toda a matéria já existente (criada).

    A partir daqui já vemos um pouco da complementariedade de ambas e não oposição.

    Cabe também salientar que o Evolucionismo é uma conjectura, não um fato cientificamente comprovado. Entretanto, é possível, viável e na sua essência não pode se opor às verdades de fé já reveladas - a não ser que tente sair do campo da ciência para o campo filosófico ou religioso, o que já seria uma incoerência pois estaria saltando de um objetivo e métodos que não podem ser usados para falar de realidades além da matéria. Neste caso, de realidades além do que foi criado, do que está submetido a leis físicas, químicas e biológicas. Realidades espirituais não se comprovam com métodos puramente científicos.

    Não digo aqui que a ciência seja inútil para a fé. Ela nos ajuda a compreender melhor o que vemos ao nosso redor e isso pode nos aproximar mais da fé em um Deus criador que tudo criou por amor e com inteligência. Só não pode fazer afirmações fora da sua área.

    O que existia antes do início dos tempos, de todo o universo físico criado, não está sujeito às leis da física, da ciência.

    Na próxima postagem entrarei um pouco mais a fundo nas verdades apresentadas no início do Gênesis e fazendo um paralelo com o Evolucionismo.
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    quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

    Criação x Evolução (1)

    Não é de hoje que acontecem debates entre Religião e Ciência sobre vários temas, entre eles um é clássico após Charles Darwin: Criação x Evolução. A questão principal é que muitos escutam superficialmente as justificativas de ambos os lados e não percebem os pontos fundamentais que não se traduzem em divergência, mas muitas vezes em complementariedade.

    Para começo de conversa, estamos falando de áreas com objetivos e métodos diferentes. A Ciência utiliza métodos experimentais, ou seja, para algo ser comprovado pela ciência, é necessário que se possa realizar experimentos fisicamente que levem a determinada conclusão. Além disso, seu objetivo se detém em tentar explicar o "como" determinado fenômeno ocorre, a maneira que o mesmo se realiza.

    Na Religião não podemos falar apenas de experiências físicas, mesmo porque ela envolve também o mundo não físico. Não se pode comprovar (cientificamente falando) realidades não materiais (espirituais) através de experiências com as leis físicas. O que observamos pode até nos levar a crer nas realidades espirituais, mas estamos falando de fé e não de ciências na propria definição do termo. QUanto ao objetivo, também podemos ver divergência: a preocupação na Religião não é o "como", mas sim o "para quê", as finalidades de tudo o que existe. E, nestas finalidades, encontramos a própria finalidade da religião - "Re-Ligare" - religar o homem com o divino.

    Assim, já vemos aqui não uma divergência, mas uma complementariedade. Eu gosto muito de citar a frase do Papa João Paulo II que abre a Encíclica Fides Et Ratio (Fé e Razão): "A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio."

    Logo, se a Palavra de Deus é a verdade e se a ciência (quando utiliza corretamente seus métodos) também busca a verdade, é de se crer que não deveriam se opor.

    Na próxima postagem, falaremos sobre o debate Criação x Evolução propriamente dito.
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    sábado, 23 de abril de 2011

    A Paz Inquieta de Deus - Um Verdadeiro Terremoto? (II)

    Bom, na postagem anterior (http://anjobarro.blogspot.com/2011/04/sabado-passado-vespera-do-domingo-de.html), eu comentei sobre uma palestra em áudio do Padre Paulo Ricardo, sobre uma curiosidade a respeito da aparente (só aparente) mudança de comportamento do povo (do "Hosana" ao "Crucifica-o") e que tocava em um ponto importantíssimo - Quando Deus nos visita, ele nos perturba? Nos inquieta? Se ficou curioso com a postagem anterior, acesse o link acima...

    A agitação, a perturbação, esse "terremoto" ocorreu nessa entrada final de Jesus em Jerusalém e também ocorreu quando os magos procuravam o menino Jesus em Jerusalém muitos anos antes, conforme Mt 2,2-3:

    "2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele."

    Quanta perturbação com a visita de Deus? Conforme citado pelo próprio Padre Paulo Ricardo na referida pregação em áudio, o pecado original faz com que olhemos para Deus como um inimigo, um agressor. Olhemos como Adão e Eva se comportavam antes e depois do pecado original: Antes eles estavam em plena harmonia com Deus (Gn 2,8-9.19-23); depois, eles se escondem pois acham em Deus uma ameaça e não mais o amigo (Gn 3,8). Percebem a perturbação, a agitação, o verdadeiro terremoto causado pela visita de Deus?

    Quando Deus nos visita, Ele realmente perturba a nossa paz porque nos achamos senhores de nossa existência. Nos sentimos ameaçados em nossa "soberania". Isso pode ser até inconsciente, mas é um mecanismo que acontece muitas vezes em nosso interior.

    É interessante como isso fica latente ao ouvirmos falar de mandamentos. Parece que são leis que temos que cumprir senão Deus se revoltará contra nós, numa atitude de quem se sentiria ameaçado ou que foi agredido por nós e, portanto, desejaria se vingar de nós. É essa a compreensão que temos de Deus? Medo de um castigador? Será?

    Gosto muito desta passagem em IJo 4,18: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor."

    Pensemos juntos: Quando um pai proíbe um filho pequeno de subir no parapeito da janela, pois ele pode cair no chão. O pai se sente ameaçado em si mesmo por esta possível atitude do filho? Caso o filho teime e faça isso na ausência do pai, o pai vai querer castigá-lo por ter caído de cara no chão? Tem alguma lógica isso? Será que o motivo dos mandamentos não é outro? Será que é para preservar o poder de Deus? Ora, o que pode tornar Deus menor do que Ele é? Nossos pecados? Sinceramente, esse não é o nosso Deus!!! Basta ler Rm 8,35-39!!! Ficou curioso com a passagem? Essa eu não vou transcrever. Procure em sua bíblia ou acesse este site que possui toda a Bíblia: (http://www.bibliacatolica.com.br/01/52/8.php)

    Mas então porque os Mandamentos? No final desta postagem encontram-se 4 vídeos que são uma sequência da peça "O Canto das Írias" realizado pela Comunidade Shalom. Peço que assistam e que prestem muita atenção principalmente no texto que é fantástico! Em certa parte da encenação, ocorre um diálogo entre Jesus e o Homem, que transcrevo aqui:

    "A lei mostra apenas os limites da tua condição, não os limites do meu amor. Vou te amar sempre e de qualquer forma. Agora isso não basta pra te fazer feliz porque eu te dei liberdade. Preciso que você escolha realizar tua essência. A luz foi criada para iluminar, o vento para soprar, o fogo para queimar. Você foi criado para amar. Só a realização dessa essência pode te fazer feliz."

    Entenderam? Os mandamentos foram feitos para nós podermos viver bem nossa condição de criaturas, que possuímos limites! Afinal não somos deuses! Deveríamos nos sentir ameaçados sim, ao ultrapassarmos nossos próprios limites quando pecamos porque isso traz consequências para nós mesmos e para todos ao nosso redor. Estas consequências não são um castigo divino de um Deus que foi ameaçado em sua soberania. Pelo contrário, Deus está sempre pronto a nos levantar e nos ajudar a consertar os erros - este é o comportamento de Deus - este é o comportamento de quem ama!

    Mas nos sentimos ameaçados por Deus quando somos visitados por Ele porque pecar nos torna mais inclinados a pecar. O homem velho se sente ameaçado quando algo acontece para que ele abandone o que estava vivendo. E mais: o pecado nos faz distorcer a imagem verdadeira de Deus e o que Ele tem a nos dizer. Ele nos fala amor e entendemos castigo. Ele nos fala 'cuidar de nós' e entendemos 'nos dominar ou escravizar'. Novamente, o texto da peça mostra logo na primeira parte do vídeo um diálogo assim entre o Homem e a Verdade (Deus). Vejam uma parte dele e verifiquem como é um diálogo muito louco - pena que é assim que às vezes dialogamos com Deus:

    VERDADE: Eu não quero te castigar, venha, me abrace.
    HOMEM: Quer que eu fuja da sua presença? Está me mandando embora?
    VERDADE: Abrace-me logo.
    HOMEM: Insatisfeita comigo? O que eu te fiz? O que eu te fiz? Você está com ciúme de mim?...

    Não parece que as falas estão fora de lugar? Pois é...
    Nos sentimos perturbados com Deus? Procuremos o que está nos perturbando. Certamente Deus não quer nos deixar sem paz. Ele quer que sintamos a verdadeira paz! Só que esta nos deixa inquietos porque significa abandonar algumas coisas que, no fundo, nos tiram a verdadeira paz, mas cujas consequências são anestesiadas pelas paixões deste mundo. Mas como disse Jesus: "Coragem, Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

    Bom, agora deixa eu parar de falar e que vocês tenham um excelente espetáculo. Ele está dividido em 4 vídeos. Sinceramente, aconselho contactar esta abençoada Comunidade Shalom e verificar a possibilidade de apresentarem esta peça na paróquia de vocês. Eu a vi em um encontro de Novas Comunidades - foi fantástica!!!

    Apesar do vídeo colocar como Paróquia Santa Luzia, a realização é da Comunidade Shalom. Seguem alguns créditos que consegui buscar:

    Texto e Direção: Wilde Fabio
    Coreógrafo: Domingos Savio
    Música na hora da Cruz: Espírito de Verdade - Autor: Wilde Fábio
    Música final: Ressuscitou - CD Ressuscitou - Comunidade Católica Shalom

    O Canto das Írias - Parte 1/4 ( LINK PARTE1 )


    O Canto das Írias - Parte 2/4 ( LINK PARTE2 )


    O Canto das Írias - Parte 3/4 ( LINK PARTE3 )


    O Canto das Írias - Parte 4/4 ( LINK PARTE4 )


    Até a próxima postagem!!

    sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

    A Palavra ou a Voz?

    Ao ver as leituras da liturgia deste último dia do ano de 2010, participei de uma partilha que acontece por e-mail e, como se trata justamente de um tema sobre o qual eu já estava pensando em escrever, transcrevo meu comentário aqui. Espero que seja útil!
    As leituras do dia são 1Jo 2,18-21 / Sal 96,1-2.11-13 / Jo 1,1-18.

    A Palavra (o Verbo) se fez carne e habitou entre nós! (Jo1,14)

    Mais à frente, neste Livro do Evangelho segundo S. João, João Batista se reconhece como a voz que clama no deserto.
    Em Jo 1,8, o Evangelista afirma que João Batista "não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz".

    Eis uma sutil, porém fundamental diferença, entre ser o Verbo (a Palavra) de Deus e ser a voz:

    A Palavra é o conteúdo, a mensagem em si, o que se deseja transmitir. Num contexto mais amplo, é a origem e causa de toda ação (inclusive na criação narrada em Gn 1).

    Interessante que aqui, não necessariamente estamos falando de palavra no sentido de um conjunto de fonemas ou de letras. Isso já seria um código (prova disso é que dependeria do idioma) que tenta traduzir para cada um de nós o significado do conteúdo que se desejou transmitir (este independeria do idioma).

    É por isso (por exemplo) que o correto é terminar a leitura do Evangelho na Missa com "Palavra da Salvação" e não "Palavras da Salvação" (como infelizmente alguns teimam em fazer). A Palavra (o conteúdo a ser transmitido) é o próprio Jesus, a Salvação que veio nos trazer e, por definição, é somente uma. Mesmo sendo expressa por várias palavras (fonemas, letras...) em diversos idiomas diferentes, o sentido final (o que se deseja afirmar) é uma só Palavra, um só Verbo - Aquele que se encarnou e habitou entre nós - Jesus.

    Mais um ponto interessante para verificar isto é que em Gênesis 1, Deus cria todas as coisas através da Palavra, descrita no livro com vários "faça-se" e um "façamos". Ora, antes do primeiro faça-se, existia somente Deus. Se Deus criou todas as coisas, o ar também foi criado por Ele. Antes de criar o ar, como se poderia pronunciar uma palavra, já que a propagação deste som precisaria de ar? É evidente que a Palavra neste contexto também é o conteúdo do que Deus desejava fazer e fazia - o conteúdo da ação criadora do Pai. Mais tarde (para nós, mas para Deus tudo é presente), também o próprio conteúdo da Redenção - Jesus.

    Portanto, a voz é o canal, o veículo que pode transmitir este conteúdo (que é a Palavra) através de palavras compreensíveis por um determinado idioma. Era o papel de João ser a voz e não a Palavra, ser testemunha da Luz e não a Luz. Isso porque a Palavra é uma só, a Luz que ilumina os homens é uma só - Jesus.

    Quando alguém tenta se colocar no lugar da Palavra, no lugar da Luz, e começa a pregar ou falar de suas próprias palavras, acontece o que narra a primeira leitura (I Jo 2,18-21). E quão grave é o versículo 19 de I Jo 2: "Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois se fossem realmente dos nossos, teriam permanecido conosco."

    Muitos dos Anticristos saíram do meio dos cristãos, desde os primeiros anos do cristianismo! Esses queriam substituir a Palavra da Salvação pelas suas próprias palavras - Jo1,11: "Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram." Não querem ser apenas a voz que clama, tentam ser a própria palavra... E quantos desses Anticristos estão hoje no mundo?

    Senhor, que hoje o nosso coração queira ser voz que clama tua Palavra e não a nossa palavra. Que queiramos seguir Jesus, o Verbo encarnado, e não as vontades do mundo com suas palavras tentadoras, envolventes, enganadoras...

    Vem e ilumina-nos com Teu Espírito Santo. Faz-nos refletir Tua Luz que ilumina o mundo. Ajuda-nos a ser o que a tua Palavra criadora chamou-nos a ser no momento de nossa concepção.

    Deus seja louvado pelo ano que passou e por mais este ano que se inicia. Sejamos, pois, a voz que clama também durante este ano nesse deserto. Amém.

    Abraços a todos! Feliz e abençoado ano novo!
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    domingo, 31 de outubro de 2010

    Misericórdia, Justiça, Amor e Onipotência Divina

    Hoje, domingo 31/10/2010, participei da Missa pela manhã e a primeira leitura foi Sb 11,22-12,2. Senti vontade de comentá-la e voltar a escrever aqui no meu blog pois achei que o trecho é fantástico.
    Segue o trecho:

    Cap.11,

    22. Diante de vós o mundo inteiro é como um nada, que faz pender a balança, ou como uma gota de orvalho, que desce de madrugada sobre a terra.
    23. Tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo; e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens.
    24. Porque amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum.
    25. Como poderia subsistir qualquer coisa, se não o tivésseis querido, e conservar a existência, se por vós não tivesse sido chamada?
    26. Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida.

    Cap.12,

    1. Vosso espírito incorruptível está em todos.
    2. É por isso que castigais com brandura aqueles que caem, e os advertis mostrando-lhes em que pecam, a fim de que rejeitem sua malícia e creiam em vós, Senhor.

    Esta é a tradução da Bíblia Ave Maria. Na tradução da Bíblia do Peregrino, o versículo 22 não usa a palavra "nada" para comparar o mundo, mas sim "um grão de areia". Assim entendemos melhor, pois um "nada" realmente não poderia pender uma balança coisa que um grão de poeira pode fazer, se a balança for sensível. De qualquer forma, a idéia básica é que, comparado a Deus Todo-Poderoso e infinito, o mundo é de fato infinitamente pequeno. Porém ressalto que, mesmo assim, não é como um nada - ele tem valor. E os versículos seguintes mostram o quanto este mundo infinitamente pequeno é totalmente importante para Deus.

    Somos pequenos, mas não desprezíveis! O mundo foi criado por Deus e, portanto, Ele ama tudo o que fez. Se Deus odiasse algo, não o teria criado (versículo 24). Como custamos a aceitar muitas vezes isso no nosso dia a dia.

    Mas como encaixar aqui o pecado? Se Deus abomina o pecado, porque o teria criado? Aí está a questão que não está clara para muitas pessoas: Deus não criou o pecado. O pecado é fruto da liberdade do Homem (e também dos anjos, explicando também o caso de Lúcifer, mas foquemos no caso do Homem). O que Deus criou foi o Homem livre e nessa liberdade, ele opta pelo Bem Supremo ou pelo Mal.
    Portanto, simplesmente exterminar o pecado "magicamente" ou agir de forma a não deixar que o pecado surgisse seria equivalente a tirar a liberdade do Homem. Liberdade e Amor andam inseparáveis. E como Deus é amor, não seria um ato de amor simplesmente cortar a liberdade. Quem ama, deixa livre. Quem ama quer que o amado lhe corresponda ao seu amor livremente, nunca obrigado ou oprimido. E, portanto, amar é deixar espaço para outras opções que não aquelas que se deseja.

    Mas isso não significa que Ele simplesmente largou o Homem de mão. Pelo contrário, desde o início, Deus vai se revelando ao Homem gradativamente (vemos isso pela Palavra de Deus no Antigo testamento) e se revela de forma plena em Jesus - Deus conosco - o modelo do Homem chamado a existir desde o início. Jesus é o novo Adão também por isso: Remete à origem do Homem, ao plano original que Deus tem para cada ser humano.

    Conforme o versículo 25, tudo que permanece existindo foi chamado por Deus a existir. Já falei várias vezes aqui no blog sobre chamado e vocação. Mas e se não realizamos o chamado? Se "destoamos" do plano original de Deus para o Homem? Aqui age o Deus misericordioso, que ama a criatura: Onipotência e justiça coexistem harmonicamente com misericórdia e amor em Deus. Aliás, a perfeição de cada uma destas 4 características leva a serem plenamente conciliáveis. Há os que não conseguem conceber que um Deus justo possa ser misericordioso, pois estaria relevando as faltas. Não é bem assim. A misericórdia leva em conta a nossa pobreza comparada à grandeza de Deus - somos infinitamente pequenos, lembra? Somos limitados, somos criaturas. Se não fôssemos limitados e falíveis, seríamos iguais a Deus. Até pela filosofia vemos ser incoerente um Deus criar outro Deus. Um deles não seria Deus.

    Bom, deixando a filosofia de lado, Deus vem em socorro do nosso limite, permite que sejamos corrigidos durante nossa própria vida. Embora algumas traduções se refiram muitas vezes a este comportamento como castigo (Capítulo 12, versículo 2), seria mais adequado o termo correção ou advertência. E, se pensarmos que o próprio pecado tem consequências pelo ato intrínseco que foi cometido, não podemos dizer que Deus enviou um castigo. Entretanto, por estas consequências permitidas (não causadas) por Ele, podemos vislumbrar a atitude errada e, pela graça de Deus, nos corrigir.

    Se pensarmos pelo viés do castigo, qual o castigo que mereceríamos pelo menor pecado que cometêssemos a alguém que é infinito amor? Infinito seria o castigo por questão de mérito. Mas pela misericórdia, Deus age enviando seu Filho encarnado na mesma realidade de nós humanos - Jesus, o Homem por excelência. Nele, esse "justo" castigo é anulado pra aqueles que aderirem a Ele. Somente nele temos a remissão dos pecados e, por misericórdia, por justiça, por onipotência e por amor, somos salvos.

    E porque Deus age assim? A resposta está no versículo 26: "Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida". Ele ama a vida que Ele mesmo criou. Não é vontade d'Ele a perdição dos vivos, mas sim que se convertam e vivam. Quem se perder, tenha certeza que é por vontade própria. O amor de Deus está disposto a salvar até o último suspiro desta vida.

    Busquemos a salvação, a realização do chamado de Deus. No dia em que fui concebido no útero de minha mãe, Deus pronunciou meu nome e me chamou a existir. Imagino Deus chamando pelo meu nome: Faça-se o Antônio! E o Antônio foi feito. Pense agora em Deus chamando você à existência! Diga a mesma frase com o seu nome! E quando Ele nos chama, também já nos capacita para aquilo que Ele nos chama.

    Eis aqui o segredo: Somos limitados, pois somos criaturas e não deuses. Mas, se participarmos da vida de Deus, se deixamos Seu Espírito agir em nós, apesar do nosso limite, agiremos como Deus quer. É um processo diário, contínuo - eu diria que é a vida, o processo de formação do "eu" que o Senhor queria desde sempre.

    Que percebamos essa ação diária de Deus em nós. Deus nos abençoa a cada momento; mais que pedir sua bênção, peçamos a graça de percebê-la e entendê-la em nós para que cresçamos à imagem do Cristo.
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    sábado, 28 de novembro de 2009

    Sou chamado pelo nome???

    Pois é. Título meio louco pra texto de blog...

    Quero me deter um pouco em 3 passagens:

    (Is 43,1) "E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu."

    (Jr 1,5) "Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações."

    (Gn 1,3-5) "Deus disse: 'Faça-se a luz!' E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia."

    Aquele que me criou me chama pelo nome, nome que Ele já conhecia antes que no seio de minha mãe eu fosse formado. Gosto de fazer um paralelo entre essa idéia e a narrativa da Criação, onde sabiamente o escritor bíblico, inspirado pelo próprio Deus, O coloca criando através da Sua Palavra, através dos diversos "faça-se" e do especial "façamos" ao criar o ser humano.

    No "faça-se", Deus "pronuncia um nome", a verdadeira essência daquilo que será feito, criado. Quando, por exemplo, Ele faz a luz, já diz também o que ela será e fará. No fundo, a essência da Palavra de Deus já é a própria ação criadora de Deus.

    Assim, ao criar cada um de nós, Ele pronunciou um nome - mais que um nome, um chamado! Ele nos chamou à existência. A palavra vocação vem do latim vocare = chamado. Assim, o que inicia nossa existência é um chamado de Deus, uma vocação.

    Fomos criados para a realização de um projeto maravilhoso de Deus em nossa vida. E o meu Deus, o Deus revelado em Jesus Cristo, o Deus em que eu acredito é um Deus que é Amor. Portanto, a vocação de Deus para mim é certamente uma linda vocação que, ao ser realizada, me fará feliz - me fará viver o céu! E isto não é privilégio meu. Você que está lendo estas linhas também tem uma maravilhosa vocação de Deus. Queira descobri-la, procure achá-la. É por aí que encontrará a sua felicidade.

    domingo, 22 de novembro de 2009

    Nada é nosso – tudo é dom de Deus

    Tudo que recebemos de Deus é por graça, de graça. É por puro amor.

    Poderíamos argumentar, então, que uma vez que Deus nos tenha dado, passa a nos pertencer e, portanto, não sou obrigado a partilhar ou dividir o que tenho, pois passou a ser meu.

    Realmente, obrigado não sou... Só que, aprofundando um pouco mais, Deus criou todas as coisas (inclusive nós). Se ele criou o nosso ser, o nosso existir também foi dom de Deus. Mas dom de quem para quem, já que não existíamos para poder receber nossa existência? (filosofando... rsrsrs)

    No fundo, a criação inteira foi feita para a harmonia, para a completa partilha e dependência mútua. Portanto, o fato de sermos e existirmos já é também um dom de Deus, somos dom para o mundo, para a criação que nos inclui também! Nossa essência é sermos dom e, portanto, também colaborar com nossos dons para que o mundo seja melhor.

    Quando se fala de dom, é inevitável falar de amor, pois o dom de Deus foi sem pedir nada em troca – dom totalmente gratuito. Já disse João que Deus é Amor. É a isso que somos chamados. O desamor e o egoísmo é ir contra o crescimento do ser humano, é descer em nosso desenvolvimento. É não ser aquilo para o qual fomos feitos, ir contra nossa essência. É errar o alvo, é ser incoerente com o que somos. É, em última análise, “não ser”.

    Percebo a vida eterna como a realização do nosso ser “sendo”, ou seja, existindo, vivendo, realizando o que nos foi doado como potencial! Já o “não ser”, mesmo existindo, seria o contrário – não realizar o projeto, não completar em nós o que, em potencial, nos foi dado.

    Embora o mundo pareça afirmar o contrário, o amor é a realização plena do ser humano, é a sua fortaleza.